2004-10-09

Subject: Vale a pena o esforço de salvar?

News of the Wild

 

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Em destaque:

Vale a pena o esforço de salvar?

 

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As espécies selvagens estão a ser dizimadas a uma tal velocidade que os cientistas consideram que a humanidade está a desencadear a sexta extinção em massa da história do planeta. Será este um tema realmente importante e o que devemos fazer?

Deveremos proteger todas as espécies ou apenas aquelas que são úteis? Teremos moral para exigir aos países mais pobres do mundo que parem de explorar os ecossistemas de que dependem?

Ao mesmo tempo que os responsáveis pela tomada de decisões se reúnem para discutir o que fazer na corrida para a protecção das espécies na conferência da CITES em Banguecoque, eis alguns pontos de vista de ambos os lados do debate.

Callum Rankine, especialista em espécies selvagens do WWF, refere que as espécies não existem para nosso benefício. Existem porque evoluíram para realizar uma certa função na natureza, mas frequentemente se um dado organismo não fornece benefícios directos ao Homem, pensa-se que não há motivo para a sua conservação. 

No WWF estamos a analisar a questão do ponto de vista ecológico, todas as espécies têm a sua importância, mesmo aquelas em que não compreendemos esse papel. 

Retirar uma espécie de um ecossistema é como retirar um rebite de um avião, sem sabermos qual a sua função. Ninguém quereria voar nesse avião, mas é o que estamos a fazer ao nosso ambiente, extinguindo espécies a torto e a direito, sem realmente saber o impacto que tal procedimento terá no futuro.

Tanto quanto sabemos neste momento, este é o único planeta onde podemos sobreviver. Estamos aqui encalhados e, no entanto, brincamos com os nossos sistemas de apoio de vida. Isto não me parece o mais sensato a fazer.

Ian Parker, autor e caçador de caça grossa, considera uma idiotice conservar a biodiversidade no seu total, quando há espécies reconhecidamente prejudiciais para o bem-estar humano. 

Nós queremos exterminar o vírus da SIDA, a bactéria causadora da tuberculose, o plasmódio da malária que mata milhões de crianças por ano, e incontáveis outros organismos patogénicos. O mesmo acontece com as ratazanas negras e os gafanhotos.

O nosso bem estar está directamente relacionado com a eliminação de formas de vida daninhas e estamos condenados a modificar o nosso meio ambiente para que se adapte às nossas necessidades particulares. 

O senso comum obriga a que aceitemos esta situação, logo temos mesmo que exterminar alguns dos elementos do nosso meio. O desafio dos conservacionistas é reduzir o número de vezes que tal acontece e evitar as afirmações dogmáticas e insustentáveis de que tudo deve ser preservado.

 

Henrik Saxe, funcionário de um instituto de avaliação de impacto ambiental, considera que se queremos conservar todas as espécies no planeta, desde bactérias e vírus até aos elefantes africanos, então estamos a considerar que o Homem não pode habitar este planeta.

A civilização tem um preço e poucos de nós estarão dispostos a abdicar dos confortos da vida moderna. Quando escolhemos conservar a natureza, o que é correcto, temos que dar prioridade a quanto estamos dispostos a gastar, e como o vamos gastar, nessa preservação.

Esta preservação implica conhecer as principais ameaças (agricultura, desflorestação, poluição química, alterações climáticas, etc.) e aplicar o dinheiro onde irá ter algum impacto. 

O doutor Jon Hutton, presidente do grupo de especialistas sobre  a utilização sustentada dos recursos da IUCN, refere que uma forma de retirar benefícios da conservação é tirar partido da importância das espécies selvagens no modo de vida das populações, e, paradoxalmente, a recolha ou caça sustentada de plantas e animais tem-se revelado uma das medidas mais eficazes de conservação.

Quando falamos em conservação, temos uma tendência para ver apenas o óbvio: devemos conservar os leões? a maioria de nós diria que sim, mas as populações africanas ficariam muito satisfeitas de os ver desaparecer se tal significasse que as suas crianças podiam ir para a escola em segurança. 

A conservação é um processo muito complicado, que envolve decisões difíceis e cedências de parte a parte. Em última análise, depende da boa vontade das populações que convivem com a biodiversidade que se pretende conservar. 

O professor John Lawton, da Royal Society, refere que, para além dos mamíferos, aves e plantas superiores, continuamos espantosamente ignorantes da maioria das espécies do planeta, muitas das quais estão a desaparecer.

Mesmo sobre aqueles que conhecemos, sabemos sobre pouco sobre a sua distribuição, ecologia e efectivo populacional. O nosso conhecimento é mais limitado nas áreas onde a biodiversidade é maior, trópicos e oceanos. 

Pondo de parte a carismática mega-fauna, gostaria que muito mais fosse estudado sobre os organismos com menos de 1 mm. Se fosse jovem agora, iria estudar os nemátodos, os microrganismos do solo e outros bicharocos do género. Eles são os verdadeiros heróis do mundo natural, mas quase não sabemos nada sobre eles. 

 

 

Saber mais:

Espécies em extinção arrastam outras para o abismo

Estudos apoiam teoria da extinção em massa

 

 

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@ Born to be Wild, 2004


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