2004-10-07

Subject: Ensaio sobre doença de Parkinson suspenso

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Ensaio sobre doença de Parkinson suspenso

 

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Uma das terapias experimentais para a doença de Parkinson mais prometedoras pode ser posta na prateleira após a revelação de que um ensaio clínico foi suspenso devido a preocupações de segurança.

Durante este tratamento, uma proteína designada factor neurotrófico derivado da glia (GDNF em inglês) é gotejada para o cérebro dos pacientes com esta doença neuromotora. A ideia é que a proteína iria alimentar as células nervosas produtoras de dopamina, que degeneram em consequência da doença.

As esperanças relativamente a este tratamento subiram em flecha no ano passado, quando foi anunciado que as primeiras cinco pessoas tratadas com GDNF experimentaram recuperações dramáticas dos movimentos. Os cientistas consideram esta terapia particularmente excitante por ser uma das poucas que tenta preservar ou estimular as células cerebrais em declínio, em vez de apenas tratar os sintomas da doença.

Mas na terça-feira Anthony Lang do Toronto Western Hospital revelou que um segundo e mais extenso ensaio clínico com GDNF tinha sido suspenso porque a droga mostrava poucos sinais de actividade e alguns efeitos colaterais potencialmente perigosos. Lang, um dos investigadores que lideravam o ensaio, revelou estes resultados durante o encontro anual da American Neurological Association em Toronto. 

Este retrocesso vem ecoar os resultados desapontantes de outra terapia experimental prometedora em 2003, quando os cientistas descobriram que implantes de tecido cerebral fetal não mostravam efeitos em ensaios mais gerais. "A GDNF era nossa maior esperança imediata", refere William Langston, presidente do Parkinson's Institute na Califórnia. "Este é um revés muito sério."

A companhia farmacêutica Amgen, que estava a patrocinar o ensaio, anunciou em Junho que a GDNF não parecia ter beneficiado os pacientes após os primeiros 6 meses do ensaio, mas os médicos continuaram a seguir os pacientes que receberam a droga, sendo Lang o primeiro a detalhar os resultados.

Das 34 pessoas envolvidas no estudo, quatro começaram a produzir anticorpos para a proteína GDNF, diz Lang. Apesar de os pacientes parecerem saudáveis, esta questão coloca a possibilidade de os anticorpos desencadearem uma reacção imunitária perigosa se o tratamento tivesse continuado.

Para além disso, estudos em macacos revelaram que os neurónios de dois animais a que tinha sido administrada GDNF começaram a morrer. Como resultado, os médicos retiraram os pacientes da terapia no início deste mês. Esta situação vai ter um efeito dominó sobre dúzias de outros grupos de investigação em todo o mundo, que estavam a desenvolver formas alternativas de fornecer a GDNF ao cérebro dos pacientes, por terapia génica ou implantando células que a produzisse e segregasse, por exemplo.

 

O maior receio é de que a Amgen perca o interesse por completo no assunto. Dado que a companhia detém as patentes relativas à GDNF, toda a investigação sobre a molécula poderá parar completamente. "Se parar, muitas outras investigações podem ser abandonadas", diz Clive Svendsen da Universidade do Wisconsin, que esteve envolvido no ensaio clínico anterior com 5 doentes.

Os cientistas ainda estão a tentar explicar a discrepância entre o ensaio anterior com 5 pacientes, realizado no Reino Unido, e o ensaio americano em maior escala. É possível que as melhoras registadas no primeiro conjunto de pacientes seja apenas o resultado do efeito placebo, pois todos sabiam que estavam a ser tratados. Pelo contrário, no ensaio americano os pacientes eram escolhidos ao acaso para receber infusões de GDNF ou um placebo, nunca sabendo o que estavam a tomar.

Svendsen argumenta que podem existir outras explicações para esta diferença de resultados. Por exemplo, no ensaio de Lang foram utilizadas doses menores de GDNF e um grande tubo plástico para colocar a proteína no cérebro, que pode ser a causa de danos acrescidos. "Não me parece que a comparação seja justa", diz ele.

Para além disso, tomografias cerebrais mostraram, em ambos os estudos, que as células nervosas produtoras de dopamina mostravam mais sinais de actividade do que antes do tratamento. 

Agora os investigadores têm que se reunir para decidir o que fazer a seguir. Até lá, é prematuro soar o toque de finados para a terapia GDNF, considera Langston, especialmente quando não existem muitas terapias experimentais alternativas. 

 

 

Saber mais:

Parkinson On Line

Parkinson's misdiagnosed

Parkinson's transplant therapy faces setback

 

 

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