2004-10-06

Subject: Ratos revelam o segredo da gripe espanhola

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Ratos revelam o segredo da gripe espanhola

 

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Os peritos em doenças infecciosas estão um pouco mais próximos de compreender os mortais segredos d o vírus da gripe espanhola, que matou perto de 20 milhões de pessoas entre 1918–19. Reconstruindo os genes do vírus e introduzindo-os num vírus moderno, os investigadores recriaram algum do seu poder infeccioso.

O vírus resultante torna os ratos muito doentes, apesar de normalmente não apanharem gripe. Compreender exactamente de que forma adoecem pode ajudar os peritos de saúde a controlar futuros surtos mortais de gripe no Homem.

Os investigadores, liderados por Yoshihiro Kawaoka, colaborador das Universidades do Wisconsin e de Tóquio, utilizou uma abordagem de genética inversa para reconstruir os genes. Este procedimento envolve juntar a sequência de DNA desejada a partir de oligonucleótidos.

Para este efeito, era necessário saber a sequência genética do vírus original da gripe espanhola. Várias destas sequências foram decifradas em 1999 e 2000, usando amostras preservadas retiradas das vítimas. A equipa de Kawaoka conseguiu reconstruir dois genes do vírus, responsáveis pelo fabrico das proteínas hemoglutinina (HA) e neuraminidase (NA).

Os investigadores inseriram estes genes num vírus moderno de gripe e usaram-nos para infectar ratos de laboratório. Os ratos desenvolveram uma doença pulmonar semelhante à gripe caracterizada por hemorragias abundantes. O que observámos foi semelhante ao que se observou no Homem em 1918, refere Kawaoka.

Dos dois genes, o HA é o culpado, acrescenta Kawaoka. Tal comor elatam no mais recente número da revista Nature, quando repetiram a experiência sem o gene NA, os ratos ainda adoeciam. Concluíram, assim, que o gene NA sozinho não tem o mesmo efeito.

Esta descoberta aponta para uma valiosa pista sobre a razão porque a gripe espanhola era tão mortífera, diz Kawaoka. A hemoglutinina é responsável pela ligação do vírus à célula hospedeira e pela injecção do conteúdo viral, logo talvez a HA da gripe espanhola fosse particularmente eficiente neste aspecto. 

A genética inversa é uma abordagem muito útil, refere Robert Lamb, virulogista da Northwestern University no Illinois. Mas acrescenta que para deslindar totalmente o mistério da gripe espanhola, temos que sequenciar todo o seu genoma, recriá-lo na sua totalidade e estudar a doença num primata não humano. 

 

O caso não está resolvido, apenas temos pistas, acho que ainda há muito mais a descobrir, continua Lamb. Talvez a pandemia de 1918–19 tenha sido tão má porque o vírus apanhava o sistema imunitário de surpresa, pois não tinham tido contacto com este tipo de vírus anteriormente.

O último estudo pode, ainda assim, ajudar-nos a tratar novos surtos mortais de gripe, diz Kawaoka. Os seus ratos mostraram níveis elevados de proteínas citocinas e quemocinas, sugerindo que os seus sistemas imunitários estavam em rebuliço, o que terá originado a morte das vítimas humanas. Talvez a doença possa ser tratada com drogas que impeçam este efeito, sugere ele.

Pessoas infectadas com a estirpe H5N1, um vírus aparentado responsável pela gripe das aves, também mostram níveis altos de citocinas. Um surto de infecções na Tailândia levou peritos em saúde a temer uma epidemia global numa escala semelhante à da gripe espanhola, apesar de até agora a maioria dos casos ter surgido por contacto directo com as aves.

No entanto, apesar do nosso crescente conhecimento, a prevenção continua a ser uma melhor arma do que o tratamento, diz Kawaoka. A única forma de impedir o seu alastramento é a colaboração internacional, é preciso controlar os surtos nas galinhas.

Se estes surtos não forem contidos, considera Lamb, os resultados podem ser desastrosos. A gripe espanhola matou uma em cada 100 pessoas, o vírus H5N1 está a matar perto de 90% dos infectados. Não temos qualquer tipo de vacina e um leque limitado de drogas antivirais. O vírus de 1918 não me preocupa muito, para ele temos vacinas, mas o H5N1 assusta-me a sério. 

 

 

Saber mais:

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Gripe das aves pode ter passado de pessoa para pessoa

 

 

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