2004-10-03

Subject: Código de barras genético identifica espécies

News of the Wild

 

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Código de barras genético identifica espécies

 

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Não seria óptimo se cada animal tivesse uma etiqueta fácil de ler, que nos permitisse saber imediatamente a que espécie pertence? Pois os cientistas estão agora um passo mais próximos de tornar esta ideia realidade, graças a dois estudos que mostram que a sequência de apenas um gene é capaz de distinguir espécies de aves e borboletas aparentadas de perto, bem como assinalar espécies até agora desconhecidas.

O conceito é designado código de barras genético e, se funcionar, pode ser útil de muitas formas. Quando um navio estrangeiro aporta, por exemplo, os serviços de inspecção podem analisar rapidamente a água de lastro em busca de espécies invasoras ou perigosas, ou investigadores em localizações remotas podem utilizar um scanner de mão para fazer uma identificação instantânea.

De momento, a identificação de uma espécie é um processo laborioso, baseado em características como a forma de um bico ou a cor de uma asa, mas com o código de barras genético os cientistas podem verificar simplesmente a sequência de 650 pares de bases de um único gene, o da citocromo C oxidase I.

Este gene tende a variar grandemente entre as espécies, pelo que os proponentes deste método acreditam que a maioria das espécies terá uma sequência característica, embora muitos outros estejam algo cépticos em relação a esse facto.

Para mostrar que o sistema funciona, Paul Hebert da Universidade de Guelph no Canadá, "leu" e comparou os códigos de barras genéticos de espécimes de museu de 260 espécies de aves norte-americanas. 

Descobriu que as aves de espécies diferentes tinham códigos de barras muito diferentes, enquanto aves da mesma espécie não. Também encontraram evidências de que apoiam as suspeitas de que algumas das aves pertencem a 4 novas espécies, relata a equipa na edição mais recente dos Proceedings of the National Academy of Sciences.

Trabalhando com uma equipa diferente, Hebert estudou borboletas da floresta da Costa Rica, tendo analisado os códigos de barras de mais de 480 espécimes anteriormente considerados como pertencendo à mesma espécie (Astraptes fulgerator).

Os códigos de barras das borboletas formaram grupos bem definidos que sugerem que as borboletas, afinal, pertencem a 10 espécies distintas. Estes grupos estão de acordo com diferenças conhecidas na sua escolha de alimento e aspecto das lagartas.

 

Os investigadores têm usado, já há mais de duas décadas, as sequências genéticas dos animais para ajudar a descobrir as suas relações evolutivas, mas utilizam uma enorme variedade de genes, ao contrário do código de barras genético que usa apenas um.

A ideia ganhou credibilidade o ano passado, quando Hebert demonstrou que o código de barras genético era capaz de distinguir perto de 2000 espécies. Agora, uma série de projectos em todo o mundo está a mostrar que o sistema também funciona com outros grupos animais. Os apoiantes desta técnica esperam, em última análise, obter um catálogo com os códigos de barras genéticos de todas as espécies conhecidas, numa base de dados central.

Daniel Janzen da Universidade da Pennsylvania, que recolheu as borboletas utilizadas no estudo mais recente, é um entusiasta dos códigos de barras genéticos. Para identificar uma espécie de lagarta ele tem, neste momento, de a criar até que se transforme em borboleta e enviá-la a um perito em taxonomia. O código de barras genético permitir-lhe-ia classificar as lagartas no momento, diz ele, e deslindar os pesadelos causados por muitas espécies difíceis de classificar.

O sistema tem outras duas vantagens sobre a taxonomia tradicional. Pode ser usado para identificar espécies a partir de um pequeno fragmento de tecido ou concha, e, quando os scanners de mão específicos forem comercializados, pode ser utilizado por amadores.

Mas alguns investigadores têm muitas reservas, considerando o código de barras uma ameaça à taxonomia tradicional. Mesmo os apoiantes reconhecem que o sistema terá dificuldades com espécies em que a sequência genética seja muito parecida, como as que divergiram recentemente do ponto de vista geológico. 

Temos que ser um pouco mais cínicos em relação a onde este método pode ser usado e onde não pode, considera o ecologista Craig Moritz da Universidade da Califórnia. Ele diz que em certos casos pode ser necessário analisar mais do que um gene de forma a identificar correctamente uma espécie. O debate ainda está muito aceso sobre se um gene realmente dá para todos, conclui ele. 

 

 

Saber mais:

Consortium for the Barcode of Life

 

 

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@ Born to be Wild, 2004


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