2004-09-27

Subject: Imagens do declínio dos stocks pesqueiros do Mar do Norte

News of the Wild

 

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Em destaque:

Imagens do declínio dos stocks pesqueiros do Mar do Norte

 

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Um modelo científico do ecossistema do Mar do Norte sugere que os stocks totais de peixe desceram de 26 milhões para 10 milhões de toneladas em pouco mais de um século. 

Alguns peixes, como o atum rabilho, desapareceram completamente devido à pesca intensiva dos anos 60 do século passado. Outros, como o bacalhau, o eglefim e a cavala, sofreram um declínio considerável, enquanto as focas parecem estar em crescimento.

Os detalhes do modelo foram revelados no encontro anual do Conselho Internacional para a Exploração do Mar (CIEM), e os investigadores esperam que o seu trabalho possa ajudar a prever o impacto das pescas e das alterações climáticas nas espécies do Mar do Norte. 

Estamos a tentar descobrir quem come quem e de que forma o ecossistema se tem alterado desde 1980, explicou o ecologista Steven Mackinson na conferência da CIEM que decorre em Vigo, Espanha. As pescas e o CIEM estão a apelar para uma gestão ao nível do ecossistema e esta é uma resposta a esse apelo.

Mackinson e Georgi Daskalov, ambos importantes cientistas do Centre for Environment, Fisheries and Aquaculture Science (CEFAS) de Lowestoft, começaram a recolher informação sobre a biomassa dos organismos do ecossistema a partir de 1991. Escolheram esta data porque grande quantidade de informação marinha detalhada foi recolhida nesse ano.

As fontes incluíram o International Bottom Trawl Survey, que tem recolhido dados sobre os peixes há mais de 30 anos, e o Year of the Stomach, um senso europeu regular do conteúdo do estômago os peixes. 

Já tinham surgido outros modelos para o Mar do Norte mas não estávamos satisfeitos com eles, refere Mackinson. Agora temos melhor qualidade de dados e de capacidades, pelo que estamos a tentar construir um modelo altamente detalhado e defensável cientificamente.

O próximo passo foi definir variáveis para o modelo. As espécies principais de peixe, como o eglefim, a cavala e a solha são listadas individualmente, enquanto outras são agrupadas em grupos com comportamento similar, como predadores que vivem junto ao leito marinho. Como alguns juvenis apresentam padrões de alimentação nitidamente diferentes dos adultos da sua espécie, são considerados grupos separados, ainda que associados.

Outros, que não peixes, grupos incluem baleias, golfinhos, aves marinhas, lulas, equinodermes, crustáceos bentónicos e pequenos vermes. Estamos a tentar captar o que acontece desde a base da cadeia alimentar até ao topo, analisando a dinâmica de todo o ecossistema, diz Mackinson.

 

Os cientistas também acrescentaram números para a quantidade de material morto como peixe descartado e outros detritos que rotineiramente se afundam até ao leito marinho. Esta variável "morta" é um componente da cadeia alimentar. Muitos organismos, particularmente bactérias, recolhem energia dos detritos, tornando-a disponível para os organismos superiores, explica Mackinson.

Existe reciclagem de nutrientes no ecossistema, continua ele. Tradicionalmente as pessoas acreditaram que a maior parte da energia de um ecossistema está dependente da produção primária do fitoplâncton mas acreditamos que a reciclagem tem um papel crucial.

Comparando os dados de 1991 com informação recolhida em 1800, antes da era da mecanização e industrialização da pesca, surgiram claras reduções nos números de bacalhau, eglefim, solha, cetáceos e aves marinhas. O efectivo de focas parece ter aumentado mas este facto pode depender exclusivamente da disponibilidade de dados ser superior actualmente.

O objectivo dos cientistas é utilizar a informação sobre os stocks pesqueiros do Mar do Norte em 2004 para testar a capacidade do modelo para realizar previsões rigorosas sob diferentes condições. A partir daí tentarão prever a forma como o ecossistema poderá reagir às alterações na pesca e no clima, no futuro.

Costumavam existir dois stocks de atum rabilho do Atlântico no Mar do Norte mas durante os anos 60 do século passado a industria pesqueira capturou 70000 peixes por ano, explica Mackinson. Actualmente não parecem existir mas foi capturado um recentemente ao largo de Scarborough, o que pode ser uma indicação de que podemos voltar a ver atum rabilho no Mar do Norte.

Colaborador na elaboração do modelo e assistente da CIEM em Copenhaga, Henrik Sparholt, acredita que este trabalho pode trazer resultados valiosos, desde que todos estejam cientes das suas limitações. Este tipo de modelo é algo controverso nas esferas científicas porque muitos dos elementos e ligações entre eles não são bem compreendidos, refere ele.

No entanto, é um importante passo para a nossa compreensão do ecossistema. Em última análise, descobrir como o Mar do Norte funciona ainda será um trabalho a tempo inteiro para muitos cientistas durante muito tempo, conclui ele. 

 

 

Saber mais:

International Council for the Exploration of the Sea

Centre for Environment Fisheries and Aquaculture

 

 

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@ Born to be Wild, 2004


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