2004-09-24

Subject: Serão os golfinhos capazes de sentir as forças do planeta?

News of the Wild

 

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Serão os golfinhos capazes de sentir as forças do planeta?

 

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Os golfinhos, quando dormem, nadam em círculos preguiçosos. Um novo estudo revela o estranho facto de que os golfinhos do hemisfério norte nadam em círculos contra os ponteiros do relógio, enquanto os golfinhos do hemisfério sul nadam em círculos a favor dos ponteiros do relógio.

Os mamíferos marinhos apenas dormem com metade do cérebro de cada vez, nadando continuamente enquanto dormitam. Os golfinhos selvagens, não apenas os que vivem em cativeiro, têm sido observados a nadar em círculos quando adormecidos, e várias espécies demonstravam nadar preferencialmente contra os ponteiros do relógio.

Essas observações levaram a especulações quanto à razão porque escolhiam essa direcção, sendo as preferidas as que diziam respeito à anatomia, talvez uma assimetria no seu cérebro. 

Mas quando Paul Manger, neuroetologista sueco, se mudou para a Universidade de Witwatersrand na África do Sul, descobriu que todos os relatos de golfinhos nadando contra os ponteiros do relógio provinham do hemisfério norte. Seguindo um palpite, visitou o delfinário local com uma câmara de vídeo e uma garrafa termos de café. Quatro noites de observação dos animais produziram resultados surpreendentes, pois os golfinhos do hemisfério sul passavam 86% do tempo a nadar a favor dos ponteiros do relógio.

Agora, parece claro que a direcção escolhida depende do hemisfério, as explicações que dependiam apenas da anatomia têm que ser descartadas, considera Manger. O comportamento deve ser devido às "forças globais", acredita ele. 

A descoberta é espantosa mas alguns especialistas estão cépticos. Andrew Read, que estuda golfinhos na Universidade de Duke, diz que continua pouco convencido e continuará até que golfinhos sejam observados após serem deslocados de um hemisfério para outro.

Dawn Goley, perito no sono de golfinhos da Humboldt State University, também está relutante. Esta situação estará dependente do tamanho do grupo, da história natural da espécie e da forma do tanque. Não me parece que se possa fazer uma afirmação tão abrangente apenas com base nestas observações, diz ela.

Se os golfinhos estão de facto a nadar em círculos com diferentes orientações, que tipo de "forças globais" podem ser responsáveis por isso? Uma possibilidade é a força Coriolis force, um efeito da rotação da Terra que produz correntes em larga escala no oceano e na atmosfera. Esta força é considerada a responsável pela espiralização em direcções opostas da água que desce por um ralo nos hemisférios norte e sul (isto, apesar de os físicos não atingirem o consenso sobre se é possível observar a força Coriolis a uma escala tão pequena, mesmo num lavatório hipoteticamente sem falhas). 

 

Serão os golfinhos capazes de detectar esta força e escolher nadar contra as correntes prevalecentes? Manger pensa que a escala a que se passam os círculos adormecidos dos golfinhos é também demasiado pequena para poder ser relacionada contra as correntes oceânicas.

Mas David McIntyre, perito na força Coriolis na Oregon State University, gostou da ideia. Se em larga escala as correntes oceânicas estão a fazer uma determinada coisa, imagino que os golfinhos podem ser capazes de a detectar, considera ele.

Outra possibilidade é que os animais nadam todos na mesma direcção de forma a manter-se juntos nas horas relativamente vulneráveis em que estão meio adormecidos. Quando os golfinhos estão acordados usam o seu assobio único para se manterem juntos, diz Manger. Quando estão adormecidos, não querem utilizar as vocalizações pois não podem atrair atenções indesejadas.

Se todos aprenderam, ou foram geneticamente programados, para nadar na mesma direcção, podem manter-se juntos silenciosamente, mas Manger não sabe porque motivo essa direcção iria variar com os diferentes hemisférios. Essa questão ultrapassa-me, diz ele.

As observações de Manger também mostram que os golfinhos parecem começar e parar de nadar, ou mesmo mudar de direcção, a cada 40 segundos, o mesmo ritmo da sua taxa respiratória. Ele coloca, portanto, a hipótese de que este período de menos de um minuto entre respirações pode corresponder ao período de atenção do golfinho meio adormecido. 

 

 

Saber mais:

Coriolis Force and Noninertial Effects

uShaka Marine World

 

 

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@ Born to be Wild, 2004


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