2004-09-23

Subject: Microrganismos polares têm ajudas

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Microrganismos polares têm ajudas

 

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Poder-se-á pensar que os desertos polares são despojados e sem vida, mas se calhar isso não é correcto, pois um microbiólogo mostrou que o congelar e descongelar do gelo pode tornar as rochas polares verdadeiros santuários para os microrganismos.

Ele acredita que o impacto de meteoritos, em vez de serem apenas destrutivos, também pode criar oásis para a vida, aquecendo as rochas e derretendo o gelo, seja na Terra ou noutros mundos gelados do sistema solar.

Charles Cockell do British Antarctic Survey, viajou para ambos os pólos para verificar quantos microrganismos têm o seu lar nestas regiões inóspitas. Ele e o seu colega Dale Stokes, da Scripps Institution of Oceanography, descobriram que as cianobactérias florescem nas rochas polares.

Este parece ser um verdadeiro paradoxo: como podem organismos fotossintéticos viver debaixo de rochas opacas? A resposta é que o repetido congelar e descongelar do gelo polar origina fendas nas rochas, que permitem a entrada de luz suficiente para a sobrevivência destes microrganismos.

Cockell e Stokes olharam para debaixo de 850 rochas nas ilhas Cornwallis e Devon, no árctico canadiano. Cerca de 95% delas tinham cianobactérias, que os investigadores estimam que consigam recolher tanta energia solar como os líquenes e musgos dos desertos árcticos.

Se esta ideia for correcta, então o deserto polar é muito mais rico em energia e em vida do que os ecologistas suspeitavam, refere Cockell. Estes microrganismos são capazes de fixar dióxido de carbono em compostos orgânicos, que depois se tornam disponíveis para outras bactérias no solo.

Cockell e Stokes examinaram as estruturas da rocha gelada chamadas polígonos, que são anéis de grandes pedaços rochosos cobertos de fendas e que rodeiam pedaços menores e solo, tentando mostrar que o habitat das bactérias são criados pelo ciclo de congelamento e descongelamento. 

Na ilha Alexander, na Antárctica, 100% dos rochedos exteriores estavam colonizados por cianobactérias mas o centro do polígono, onde as fendas são menores, apenas 5% das rochas apresentavam os microrganismos.

 

É uma teoria muito plausível, comenta Stjepko Golubic, que estuda cianobactérias na Universidade de Boston. As fendas são um facto da vida, o congelamento e descongelamento ocorrem todos os dias. De facto, acrescenta ele, sob as rochas é provavelmente o melhor local para os microrganismos viverem, pois é menos provável que a água se evapore.

Mas as fendas não são o único processo através do qual os microrganismos encontram o seu nicho, sugere Cockell. Ele acredita que o seu habitat também pode ser criado de forma muito mais explosiva: o impacto de um meteorito.

Num estudo prévio, ele e os seus colegas viajaram até à ilha Devon para estudar a cratera Haughton, com 24 Km de diâmetro e formada por um asteróide há 23 milhões de anos. Encontraram cianobactérias a viver no interior de rochas, em densidades superiores a tudo o que já tinha sido encontrado.

Cockell sugere que o impacto de asteróides cria pequenos poros vaporizando certos minerais, como os feldspatos, e deixando as rochas perfuradas ricas em silicatos. Os impactos de asteróide não são sempre uma coisa má, diz ele. Os benefícios estendem-se mesmo muito para além do início, a cratera pode tornar-se um oásis para o desenvolvimento de vida

Esta situação pode ser muito benéfica para os desertos polares ou mesmo para mundos gelados e desolados, como Marte ou Titã, especula ele. O impacto de um asteróide pode derreter o gelo e permitir o surgimento da vida, se os seus blocos iniciais estão presentes. 

Assim, ele sugere que a busca de vida por todo o sistema solar tenha um acento especial nas crateras de impacto. Pode ser que aumentem as nossas probabilidades de encontrar formas de vida em Marte, partindo do princípio que existe vida semelhante à da Terra no planeta, conclui ele. 

 

 

Saber mais:

British Antarctic Survey

Microrganismos alienígenas podem ter sobrevivido a impacto

 

 

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@ Born to be Wild, 2004


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