2004-09-21

Subject: Namíbia e África do Sul pelo fim da proibição da caça ao rinoceronte negro

News of the Wild

 

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Em destaque:

Namíbia e África do Sul pelo fim da proibição da caça ao rinoceronte negro

 

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A Namíbia e a África do Sul pretendem levantar a proibição de caça ao raro rinoceronte negro, uma intenção que irá, com certeza, provocar fortes protestos dos conservacionistas que consideram a espécie ainda em recuperação após décadas de vertiginosa caça furtiva.

Ambos os países submeteram pedidos para a realização de potencialmente lucrativas caçadas ao rinoceronte negro,  que serão avaliados no próximo mês durante o próximo encontro da Convention on International Trade in Endangered Species of Wild Fauna and Flora (CITES), entidade que regula o comércio global de animais selvagens.

As populações de rinocerontes negros foram dizimadas pela caça furtiva e atingiram, em meados dos anos 90 do século passado, os 2400 animais, comparados com os 65000 que existiam na natureza apenas duas décadas antes.

Os caçadores furtivos tipicamente removem os cornos, muito valiosos no médio oriente para o fabrico de cabos de adagas e punhais e no leste da Ásia para a medicina tradicional, deixando as enormes carcassas a apodrecer ao sol.

A espécie tem conseguido alguma recuperação graças às medidas anti-caça furtiva implementadas pela Namíbia e pela África do Sul, bem como desenvolvimento do lucrativo negócio das reservas de caça privadas, com criação dos seus próprios animais. Uma estimativa recente colocava o efectivo dos rinocerontes negros nos 3600 animais, na sua grande maioria localizados na Namíbia e na África do Sul.

A Namíbia pretende uma quota anual de cinco rinocerontes abatidos como troféus de caça, retirados da sua população estimada em 1134 animais, enquanto a África do Sul pretende caçar 10 dos seus 1200 rinocerontes negros por ano.

Dez machos por ano retirados de uma população total de aproximadamente 1200 animais não terá qualquer impacto na viabilidade da espécie, refere a África do Sul no seu pedido submetido ao secretariado da CITES. 

Os rinocerontes negros têm sido rigorosamente protegidos pela CITES desde 1977, mas o secretariado da CITES apoia agora estas propostas e os seus mais de 160 estados membros irão decidir concensualmente na sua reunião em Banguecoque, apesar de não existir uma garantia de que o embargo à caça seja levantado.

 

Os conservacionistas, por seu lado, consideram que não há motivo para complacência. Ainda é muito cedo para algo como isto, as populações de rinoceronte negro ainda estão a recuperar e o comércio de cornos de rinoceronte continua, refere Jason Bell-Leask director da delegação sul africana do International Fund for Animal Welfare.

A Namíbia argumenta que caça limitada e regulada ajudará a angariar importantes fundos para a conservação. Todos os rendimentos da caça serão reinvestidos em programas de conservação, é referido no pedido oficial à CITES.

A caça limitada ao muito mais numeroso rinoceronte branco é permitida na África do Sul e tem sido altamente lucrativa. Os caçadores pagam, em média, entre €20000 e €25000 para abater um rinoceronte branco.

O valor depende somente do comprimento do corno, ficando aproximadamente a €1000 por polegada, e o corno de um rinoceronte branco mede entre 20 a 25 polegadas, explica Mike Cameron, guia profissional de caça. O corno do rinoceronte negro é menor mas o animal também é mais raro, logo é óbvio que custará dezenas de milhar de euros para abater um.

Salientando os perigos que a espécie ainda corre, é sabido que a população de rinocerontes negros do Zimbabwe estima-se que esteja reduzida a metade nos últimos 4 anos, restando perto de 200 animais num país onde a impunidade cresce a cada dia que passa.

Mesmo muitos caçadores consideram que a proibição deveria manter-se, por enquanto: a CITES devia manter a proibição até que exista um efectivo substancial destes animais na natureza, que possa assegurar a sua sobrevivência, refere Cameron. Podemos matá-los em 5 minutos mas leva muito mais do que isso para os substituir. 

 

 

Saber mais:

CITES

Caça furtiva dizima fauna do Zimbabwe

Gang de caça furtiva ao rinoceronte detido

 

 

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@ Born to be Wild, 2004


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