2004-09-20

Subject: batalha pela visa selvagem do Congo

News of the Wild

 

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Em destaque:

batalha pela visa selvagem do Congo

 

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Apesar da periclitante paz que agora reina na República Democrática do Congo, os seus 5 parques nacionais classificados como património mundial e os seus ecossistemas e vida selvagem únicos permanecem ameaçados. 

Durante uma conferência internacional da UNESCO em Paris, dadores ofereceram €40 milhões para proteger a herança natural da República Democrática do Congo mas para os conservacionistas no terreno os parques continuam um verdadeiro campo de batalha.

No parque Virunga, os vigilantes que tentam proteger a fauna selvagem têm sido vítimas de ataques de centenas de homens armados que operam no vasto espaço do parque. 

Matam os animais, atacam os aldeãos que vivem no parque e ameaçam mesmo os vigilantes do parque, refere Deogratias Mbula, director do parque Virunga. Desde 1996, dos cerca de 700 vigilantes do parque, 105 foram assassinados, diz ele.

Criado em 1930, o parque Virunga estende-se por 8000 Km2 ao longo da fronteira da República Democrática do Congo com o Ruanda e o Uganda. Na época, era o único parque em toda África onde a caça era proibida e o turismo favorecido, mas desde 1994 que os turistas foram substituídos por refugiados e milícias armadas.

Um milhão de ruandeses procurou refúgio no parque, bem como centenas de guerreiros tradicionais congoleses conhecidos por Mai-Mai e milícias ruandesas Hutu, responsáveis pelo genocídio no Ruanda. Os vigilantes do parque referem que os homens armados agem, agora, sob a autoridade de um guerreiro congolês conhecido pela alcunha Jackson.

Os conservacionistas congoleses referem que dos mais de 70000 elefantes que existiam no país antes da guerra restam 14000. Soldados armados dizimaram todas as espécies com valor económico, explica o conservacionista Paulin Tshikaya. 

Como resultado, a maioria das manadas de elefantes ou foi morta ou fugiu para os países vizinhos. Apenas velhos elefantes solitários permaneceram e esses são alvos fáceis para os caçadores furtivos. Mbula culpa as milícias e os soldados congoleses pela caça furtiva no parque.

Os hipopótamos também se tornaram raros. O especialista em vida selvagem Jean-Pierre d'Huart refere que a população destes animais desceu para apenas 1300, dos 20000 de antes da guerra.

Desde 2000, a fundação das Nações Unidas para a conservação forneceu €3 milhões para financiar programas de protecção das vida selvagem do Congo. Como resultado desse esforço, 1200 guardas armados foram contratados para controlar a caça furtiva nos cinco parques nacionais, mas também eles se tornaram alvos.

O mais recente ataque no parque Virunga ocorreu a 7 de Setembro em Kabaraza, uma aldeia no centro do parque, a cerca de 83 Km da capital Goma. Nesse ataque, um guarda foi morto e outro gravemente ferido. 

 

O guarda Seruhungo Mele conta como cerca de 400 homens bem armados invadiram a aldeia durante a madrugada. Pilharam o nosso rádio HF e as nossas armas, bem como bens pessoais das casas dos aldeãos. Desapareceram por agora, mas podem voltar a qualquer momento, diz ele.

Os 5 parques ameaçados estão localizados ou perto das porosas fronteiras congolesas ou das antigas linhas da frente dos combates que dividiram o país durante os anos de guerra e destruição maciça. 

O parque Garamba, localizado perto da fronteira com o Sudão, sofre efeito semelhante devido aos rebeldes do Exército Popular de Libertação do Sudão, que caça furtivamente elefantes com granadas e lança-foguetes. Trata-se de uma verdadeira guerra, já mataram quase todos os elefantes, refere Kes Kilman-Smith, antigo coordenador da UNESCO, que passou 20 anos em Garamba. O Instituto de Conservação da Natureza do Congo emprega apenas 150 guardas para proteger este parque com 5000 Km2

Até ao momento, os gorilas de montanha são a única espécie endémica a sobreviver à guerra, graças à cooperação trans-fronteiriça entre os guardas do Ruanda, Uganda e da República Democrática do Congo.

Annette Lanjouw, primatóloga do programa internacional de conservação do gorila, considera que se houvesse paz na região os últimos 720 gorilas de montanha que restam no mundo poderiam gerar perto de €20 milhões por ano, em rendimentos do turismo nos 3 países.

Espera-se que o dinheiro angariado na conferência de sexta-feira passada, doado por organizações como a UNESCO, a Fundação das Nações Unidas e por países como os Estados Unidos, Bélgica e Itália, possa ajudar a conservação no Congo.

Mas apesar destes esforços financeiros, acredita-se que apenas um compromisso mais imediato das autoridades locais e a resolução dos conflitos locais (que já ceifou mais de 3 milhões de vidas humanas, segundo organizações humanitárias) pode realmente dar uma garantia para a protecção de mais este património da humanidade. 

 

 

Saber mais:

Unesco

Great Apes Survival Project

 

 

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@ Born to be Wild, 2004


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