2004-09-15

Subject: Declínio de pinguins relacionado com o aquecimento global?

News of the Wild

 

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Declínio de pinguins relacionado com o aquecimento global?

 

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A Terra está cada vez mais quente, neste aspecto quase todos os cientistas concordam. Nos últimos anos, o fenómeno levou a que se tentasse compreender o efeito da elevação da temperatura sobre os pinguins e outras espécies de clima frio.

Les Underhill dirige a Unidade de Demografia de Aves da Universidade da Cidade do Cabo na África do Sul e suspeita que as alterações climáticas globais podem ser responsáveis pelo declínio das populações de pinguins nas ilhas sul africanas de Prince Edward, localizadas no oceano Índico a cerca de 1770 Km da costa.

A maioria das colónias de pinguins das ilhas estão em declínio, talvez, segundo Underhill, por um desvio para sul das correntes ricas em nutrientes, devido às alterações climáticas. Esta alteração da corrente obriga as aves a nadar para muito mais longe em busca de alimento.

Underhill e os seus colegas vão testar a sua hipótese colocando dispositivos electrónicos nos pinguins das ilhas, de forma a registar quando vão para o mar em busca de comida para as crias e quando retornam.

As ilhas Prince Edward estão localizadas perto da fronteira sul da corrente circumpolar antárctica (CCA), rica em nutrientes. Considerada a maior corrente oceânica do planeta, a CCA mistura as águas dos oceanos Índico, Pacífico e Atlântico, deslocando cerca de 140 milhões de metros cúbicos de água por segundo em volta da Antárctica. 

A orla sul da corrente tem uma fronteira nitidamente delimitada que separa as frias águas costeiras da plataforma continental Antárctica das águas a norte, vários graus Celsius mais quentes que elas. Esta situação torna a fronteira sul da CCA muito rica em nutrientes, explica Eileen Hofmann, oceanógrafa da Universidade Old Dominion na Califórnia.

No entanto, esta fronteira não é fixa, deslocando-se para norte ou para sul 10 a 20 Km, em parte devido aos ventos de oeste que sopram no oceano Antárctico. A questão, agora, é se todo o sistema se está a deslocar para outro estado, diz Hofmann, e por enquanto ainda não há provas disso. 

Underhill especula que a fronteira se está a deslocar para sul, com impacto negativo sobre os pinguins das ilhas Prince Edward, o que não é posto em causa por Hofmann, desde que seja realmente essa a zona de alimentação das aves. Já está documentado que muitas populações de baleias antárcticas se alimentam nessa zona, logo não é surpreendente que o mesmo se passe com os pinguins.

 

Wayne Trivelpiece dirige o centro de estudo de aves antárcticas do Southwest Fisheries Science Center e concorda que as alterações nos ciclos dos gelos antárcticos estão a influenciar as colónias de pinguins de Adélia.

As temperaturas médias de Inverno na península antárctica que estuda subiram perto de 5ºC nos últimos 50 anos. Como resultado, a calota de gelo que se formava regularmente, tem agora uma natureza cíclica. Em alguns Invernos há calota de gelo e depois, durante 3 ou 4 anos seguidos, não há, diz ele.

Pinguin de AdéliaA investigação de Trivelpiece mostra a correlação entre a calota de gelo e a disponibilidade de algas de que se alimenta o krill, pilar fundamental da dieta do pinguim de Adélia. No Inverno, as algas agregam-se em volta do gelo, que ao derreter as fornece ao krill durante a sua época de reprodução primaveril. Os pinguins, por sua vez, comem o krill.

Este ciclo reflecte-se na taxa de sobrevivência dos jovens pinguins de Adélia, que com menos krill morrem muito mais, o que levou a um declínio de perto de 50% da sua população. 

Trivelpiece alerta, no entanto,  para o facto destas descobertas serem específicas da península antárctica, pois em regiões mais a sul do continente as populações de pinguins estão mesmo a aumentar, com a subida de temperatura. Na zona antárctica do Índico, o gelo continua a formar-se todos os Invernos, mas derrete muito mais cedo com a temperatura mais elevada, permitindo aos pinguins acesso ao alimento muito mais cedo na época reprodutora. Assim, as aves têm um sucesso reprodutor maior e o seu efectivo na região tem subido. 

 

 

Saber mais:

Pulse of the Planet

University of Cape Town- Avian Demography Unit

Southwest Fisheries Science Center

 

 

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@ Born to be Wild, 2004


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