2004-09-12

Subject: Espécies em extinção arrastam outras para o abismo

News of the Wild

 

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Espécies em extinção arrastam outras para o abismo

 

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estes ácaros dependem dos colibris para os transportar de flor para florMais de 6000 espécies de borboletas e outros artrópodes, fungos e muitas outras formas de vida pouco apreciadas mas importantes, também desaparecerão quando as espécies que fazem parte da lista de organismos ameaçados se extinguirem, revelou um estudo agora publicado.

Estimamos que 6300 espécies estão "co-ameaçadas", juntamente com as suas espécies associadas e já listadas como em perigo, escreve a equipa internacional de investigadores no seu trabalho publicado na revista Science

A equipa, liderada por Lian Pin Koh e Navjot Sodhi da Universidade de Singapura, compilou uma lista de 12200 plantas e animais actualmente classificados como ameaçados e foram descobrir que insectos, ácaros, fungos e outros organismos estão estreitamente adaptados à vida em conjunto com essas espécies.

Os investigadores acreditam que estas espécies dependentes devem ser incluídas nas estimativas mais recentes da taxa de extinção actual. A "co-extinção" é um factor largamente descurado e pode ser um potencial perigo para a já preocupante crise global de extinções.

A equipa utilizou um modelo baseado em relações de co-evolução conhecidas, como figueiras e vespas dos figos que as polinizam, borboletas parasitas e as formigas suas hospedeiras, etc. Este estudo não só revelou as 6300 espécies ameaçadas de que não se tinha conhecimento, como também a extinção de pelo menos 200 plantas e animais, por "co-extinção".

Navjot Sodhi considera que o estudo de peles e esqueletos de animais já extintos iria revelar, com certeza, mais exemplos de co-extinções: um parasita exclusivo do dodó ter-se-ia extinto com o desaparecimento da ave, diz ele.

E enquanto é pouco provável que o tormento de ácaros, carraças e piolhos atraia a simpatia do público, animais bem mais carismáticos podem estar igualmente em risco. 

Sodhi já tinha publicado um outro estudo, sobre as borboletas tropicais de Singapura, que sugeria que o número de borboletas extintas estava a subir a par com o número de plantas extintas. O sudoeste asiático já perdeu 95% da sua vegetação original, só nos últimos 200 anos.

Os nossos estudos mostram que, de 908 plantas hospedeiras e 383 espécies de borboletas já se co-extinguiram em Singapura, refere Sodhi. 

Em alguns casos, a perda de uma única espécie pode causar um efeito dominó múltiplas extinções. Um exemplo desta situação é a formiga guerreira sul-americana Eciton burchelli, de que dependem nada menos de 100 espécies, incluindo besouros variados, ácaros e aves.

 

Para impedir este efeito dominó potencial, os investigadores recomendam a preservação de habitats inteiros e das sua complexas inter-relações. 

Outro exemplo citado no estudo é a borboleta inglesa Maculinea arion, vulgarmente conhecida por grande azul. Em 1979 a espécie extinguiu-se no Reino Unido, o que confundiu os cientistas, apesar de ser considerada rara.

Os habitats restantes da borboleta pareciam perfeitos aos conservacionistas e, no entanto, foi impossível salvá-la, explica Richard Fox da organização privada Butterfly Conservation. Não sabíamos das formigas nessa altura. 

Pouco depois do seu desaparecimento no Reino Unido, os cientistas revelaram que o seu ciclo de vida dependia de uma única espécie de formiga vermelha Myrmica sabuleti. Depois de atingir um dado tamanho, a lagarta da grande azul deixa a planta onde se alimentou e disfarça-se de larva de formiga vermelha.

A lagarta tem glândulas especiais que produzem substâncias químicas que atraem as formigas e as leva a transportar a lagarta para o formigueiro. Aí, torna-se carnívora e alimenta-se dos ovos e larvas dos seus hospedeiros. Eventualmente, torna-se pupa e emerge como borboleta.

Os cientistas notaram que a extinção da grande azul era quase igual à que tinha já ocorrido em locais onde ambos os insectos eram conhecidos e estabeleceram outra ligação: o declínio das formigas vermelhas e as ovelhas. 

A formiga necessita de calor, logo a vegetação tem que ser rasteira para que o sol aqueça o solo, explica Fox, logo, com o declínio da quantidade de ovelhas a pastar, o pasto tornou-se alto e tornou as condições más para as populações de formigas. Assim, não se pode recuperar a grande azul sem ter condições adequadas às formigas

A "co-extinção" pode não ser um factor mais importante no desaparecimento de espécies actualmente, mas é, com toda a certeza, um factor extremamente insidioso, conclui o estudo. 

 

 

Saber mais:

Can Codependent Species Survive Forest Breakup-

Farming Decline Threatens Ireland's Orchid Oasis

Protected Areas Don't Protect Many Endangered Species

 

 

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@ Born to be Wild, 2004


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