2004-09-08

Subject: Animais modificados continuam a tendência

News of the Wild

 

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Em destaque:

Animais modificados continuam a tendência

 

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A utilização de animais geneticamente modificados nos laboratórios europeus continua a crescer, revelam estatísticas oficiais agora publicadas. Em 2003, estes animais foram usados em 764000 "experiências", só no Reino Unido, representando mais de um quarto do total realizado.

No seu conjunto, as experiências em animais também subiram mas apenas em 2,2% para 2,79 milhões, o que representa ainda uma importante redução em relação ao que se verificava nos anos 70 do século passado.

Os animais geneticamente modificados estão a tornar-se cada vez mais importantes para a ciência, à medida que os investigadores tentam compreender o funcionamento dos genes humanos. Estudando predominantemente ratos, que imitam muitas das doenças humanas, os cientistas esperam o seu funcionamento a nível genético.

O projecto do genoma humano descobriu que existem cerca de 30000 genes que coordenam directamente o funcionamento do nosso corpo, mas a função exacta de cada um deles ainda permanece um mistério. Acrescentando ou removendo alguns desses genes em roedores, os cientistas acreditam que podem fazer luz sobre as falhas moleculares que originam as doenças no Homem.

Temos que colocar este tema em perspectiva: uma gato mata perto de 40 ratos por ano, 4000 pessoas recebem válvulas artificiais no coração, 180000 pessoas recebem insulina e 30 milhões de pessoas tomam medicamentos para a asma todos os anos, refere o professor Chris Higgins, director do Medical Research Council's Clinical Sciences Centre. Nenhum destes tratamentos teria sido desenvolvido sem experiências em animais.

Higgins menciona também a regulamentação extremamente apertada que gere as experiências, que obriga o número de animais e o seu sofrimento a ser reduzido ao mínimo. Também preferia que os animais não fossem utilizados mas, infelizmente, se se tratar da saúde dos meus filhos ou a de um rato, escolho a dos meus filhos, acrescenta ele.

No entanto, esta posição é questionada por grupos de defesa dos direitos dos animais, que se mostram preocupados com a retoma significativa das experiências em animais, após ter descido para menos de metade do que acontecia nos anos 70 do século passado.

A British Union for the Abolition of Vivisection (BUAV) pediu ao governo inglês que investigue meios alternativos de realizar os testes. David Thomas, o conselheiro legal da BUAV, considera que o debate é cada vez mais acalorado sobre a verdadeira necessidade de muitas destas experiências. 

Andrew Tyler, director da Animal Aid, refere que existe uma enorme quantidade de evidências que demonstram que não se pode confiar em modelos animais em testes de segurança e de investigação em doenças e medicamentos humanos. Isto significa que, à parte do sofrimento dos animais, os pacientes humanos actuais e futuros estão a ser traídos pela utilização continuada de animais nas experiências e testes.

 

Quase todas (85%) das experiências realizadas em laboratórios ingleses são feitas em roedores, geralmente ratos e ratazanas. Peixes (6%) e aves (4%) são responsáveis por grande parte das restantes, cães, gatos, cavalos e primatas em conjunto são usados em menos de 1% dos procedimentos totais.

No entanto, o número de primatas usado em experiências subiu para  4799 em 2003, de 822 em 2002, uma situação especialmente criticada pela Royal Society for the Protection of Animals. 

Mais de 3/4 do total de experiências com animais dizem respeito a investigação e desenvolvimento de novas drogas, sendo os respectivos testes de segurança responsáveis pela maioria das restantes.

No que diz respeito aos animais geneticamente modificados, os registos agora publicados também incluem as situações de reprodução controlada que dão origem aos animais usados nas experiências, e não apenas aos testes feitos sobre eles. 

Mas a forma como estas estatísticas anuais foram compiladas é alvo de crítica de muitos sectores, não apenas dos defensores dos animais. Os números dão pouco informação sobre o nível de sofrimento experimentado pelos animais, referindo apenas que mais de 1/3 deles necessitou de alguma forma de anestesia.

As estatísticas também não incluem o número de animais "descartados", animais criados pelos seus tecidos ou órgãos e depois mortos, bem como animais rejeitados porque as suas modificações genéticas não funcionaram de acordo com o que se esperava. 

Em Maio, o governo inglês anunciou a criação do Centro Nacional para a substituição, refinamento e redução da utilização de animais na investigação. Os chamados 3 "R" (em inglês replacement - substituição, refinement - refinamento e reduction - redução) deverão passar a a base das regras de um laboratório de investigação.

As estatísticas são úteis mas são apenas parte da imagem total, explica Vicky Robinson, membro do novo Centro Nacional. Não nos dão, por exemplo, uma medida de quanta da investigação animal foi substituída por técnicas in vitro, modelos de computador, voluntários humanos, e por aí fora. Também não sabemos quanto sofreram os animais, nem o que foi feito para lhes reduzir esse sofrimento.

 

 

Saber mais:

Carência de primatas impede o progresso da ciência?

Redução dos testes em animais parece ser uma realidade

Cientistas questionam o interesse das experiências em animais

British Union for the Abolition of Vivisection

Animal Aid

 

 

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@ Born to be Wild, 2004


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