2004-08-26

Subject: Quénia tenta erradicar doença do sono

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Quénia tenta erradicar doença do sono 

 

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O Quénia vai começar um novo esforço para erradicar as moscas tsé-tsé, causadoras da perigosa doença do sono, através da controversa técnica do insecto estéril (Sterile Insect Technique - SIT.

Dois anos de negociações terminaram recentemente com o Trypanosomiasis Research Institute do Quénia a ganhar o contrato da importação de equipamento de irradiação da Agência Internacional de Energia Atómica.

A SIT envolve a irradiação de moscas macho para as tornar estéreis, num processo tanto dispendioso como potencialmente perigoso, que o director do Trypanosomiasis Research Institute Joseph Ndongu considera com potencial para ser altamente benéfico para o país. Vale a pena correr este risco, especialmente se considerarmos que esta doença tem causado uma enorme perda de vidas e de produtividade, explica ele.

A SIT já funcionou em Zanzibar com moscas tsé-tsé, bem como na irradicação do verme rosca na Líbia, importado através de ovelhas no início dos anos 90 do século passado. O Quénia está ansioso por iniciar o procedimento pois a doença é devastadora tanto para as pessoas como para o gado.

As moscas, endémicas de 36 países africanos, transportam parasitas unicelulares do género Trypanosoma, que invadem a corrente sanguínea do mamífero picado pelo insecto. No Homem causa anemia debilitante (daí a designação da doença, pois os infectados ficam num estado letárgico) e estima-se que mais de 500000 africanos estejam infectados.

campas de mortos pela doença do sonoA doença do sono é considerada um assassino silencioso pois as suas vitimas são principalmente de populações rurais onde a assistência médica é escassa e a causa de morte não é conhecida. Entretanto, 10 milhões de quilómetros quadrados das melhores terras de agricultura e pastagem da África sub-sahariana estão infestados com as moscas. 

 

Dado que as únicas células em divisão contínua no corpo da mosca adulta macho são as células-mãe dos espermatozóides, a mosca irradiada não é afectada mas a destruição dos cromossomas das células-mãe torna-os incapazes de se reproduzir. 

As moscas fêmea apenas acasala uma vez na sua vida, pelo que após acasalar com um macho estéril a sua capacidade de reprodução estará perdida e a população de moscas pode potencialmente decair drasticamente.

No entanto, existem sérias dúvidas acerca da eficácia da técnica e se esta justificará o tempo e a despesa que implica. Um desses receios tem a ver com o risco de manter fontes de radioactividade em países onde o dinheiro necessário à manutenção segura do equipamento não é abundante.

Para além desse facto, no caso do Quénia, existem problemas de garantia de fornecimento de sangue não contaminado para alimentar as moscas antes da sua libertação. Como resultado desse problema, poucas moscas tsé-tsé estão a sobreviver para causar algum impacto digno de nota quando libertadas. 

Não é uma tarefa fácil, admite o chefe do insectário do Trypanosomiasis Research Institute, George Terenketti. Não se pode começar hoje o trabalho e esperar resultados amanhã, o processo é longo. Todos estes receios foram já tomados em linha de conta e o Trypanosomiasis Research Institute nunca teria ganho o concurso para este contracto se não tivesse provado que é capaz de os ultrapassar, conclui ele. 

 

 

Saber mais:

Gene science targets sleeping sickness

Scientists move against killer disease

 

 

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@ Born to be Wild, 2004


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