2004-08-23

Subject: Animais apontam caminho para o desporto 

News of the Wild

 

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Animais apontam caminho para o desporto 

 

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Cientistas americanos modificaram geneticamente dois tipos de ratos de forma a aumentar-lhes a resistência atlética, levantando a questão de os atletas humanos puderem tentar estratégias semelhantes.

Os corredores da maratona têm, de longe, uma resistência muito superior à do indivíduo médio. Uma das razões para isso é o facto dos seus músculos terem uma capacidade maior de gerar energia aerobicamente, o que lhes permite produzir energia durante longos períodos de tempo. Pelo contrário, quando a actividade é a anaeróbia, apenas ocorrem curtas explosões de energia, como os "sprints".

Agora, duas equipas de cientistas descobriram moléculas que podem explicar parte deste poder muscular duradouro. Ronald Evans, do Salk Institute for Biological Studies em San Diego, modificou ratos para que utilizassem gordura e não açucares, e Randall Johnson, da Universidade da Califórnia, criou ratos que tinham menor capacidade de utilizar o metabolismo anaeróbio.

Evans e a sua equipa modificaram o genoma do rato para que a produção da proteína PPARdelta, que regula a fonte de energia muscular de açucares para gordura, fosse permanente. Dado que a gordura tem que, obrigatoriamente, ser metabolizada aerobicamente, esta proteína limita a actividade anaeróbia do músculo.

Tal como corredores da maratona, os ratos modificados ultrapassam todos os concorrentes num tapete rolante para roedores, descobriu Evans, atingindo distâncias até duas vezes maiores antes de ficarem exaustos, quando comparados com um grupo de controlo. Os animais, baptizados "ratos da maratona", tinham muito maior percentagem de fibras musculares aeróbias do que os animais controlo.

A descoberta é muito emocionante, pois está de acordo com o que já se sabe sobre os atletas de resistência, explica o fisiólogo do movimento Frank Booth, da Universidade do Missouri. Perto de 80% dos músculos dos corredores da maratona são aeróbios, enquanto nos não atletas essa percentagem ronda os 30-40%. Este facto é devido em parte à genética e em parte ao treino.

Johnson e os seus colegas obtiveram os ratos da maratona por um caminho um pouco diferente. Modificaram ratos de forma a falttar um gene designado HIF-1alpha, que se pensa comandar a passagem dos músculos de aeróbios a anaeróbios quando o oxigénio escasseia. Estes ratos também podiam correr e nadar como campeões.  

 

A equipa de Johnson descobriu que os ratos estavam a produzir menos ácido láctico, um subproduto do metabolismo anaeróbio responsável pela sensação de fadiga, e estavam a ver-se livres dele mais rapidamente. Novamente, isto tem paralelo com os corredores de fundo, que metabolizam o ácido láctico mais depressa.

Mas neste caso, os feitos atléticos dos animais tiveram um preço elevado: após 4 dias de intenso exercício, a sua actuação decaiu e os músculos mostravam sinais de danos. Isto pode ser o resultado da acumulação de resíduos do metabolismo aeróbio, como os radicais livres, terem atingido níveis tóxicos, especula Johnson.

Com os Jogos Olímpicos em plena força, os estudos levantam a perspectiva de os atletas e seus treinadores começarem a procurar drogas ou "dopagem genética" para imitar os efeitos da engenharia genética e aumentar a sua resistência. 

Evans já demonstrou que moléculas que bloqueiam outro gene, designado PPARalpha, aumentam a capacidade muscular em ratos, impedindo-os de ganhar peso. Ele espera que esse tipo de químico, já em testes clínicos para verificar se são capazes de baixar o nível de gordura no sangue, possa ser usado na luta contra a obesidade, embora seja óbvio o interesse dos desportistas.

Johnson, no entanto, acredita que irá decorrer algum tempo até que descubra como manipular as vias metabólicas sem riscos. Não vou já a correr comprar sapatos de corrida, diz ele. 

 

 

Saber mais:

Top of the world

The medals and the damage done

 

 

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@ Born to be Wild, 2004


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