2004-08-14

Subject: Corais podem ter ajuda contra aquecimento global 

News of the Wild

 

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Corais podem ter ajuda contra aquecimento global 

 

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Os corais podem ser capazes de se adaptar ao aumento da temperatura do oceano mais facilmente do que os peritos pensavam. A descoberta permite uma cautelosa esperança de que os recifes mundiais escapem à devastação causada pelo aquecimento global.

Os investigadores descobriram que o coral, composto por minúsculos animais em simbiose com algas fotossintéticas, pode aliar-se outro tipo de algas, mais tolerantes às variações de temperatura da água do mar.

Os peritos estavam alarmados com a possibilidade de o aquecimento global dizimar os recifes através do branqueamento, um processo em que as coloridas algas simbióticas são destruídas, deixando o coral de cor branca e terminando com a sua morte, que pode ocorrer em apenas algumas semanas. Mas agora parece que algumas dessas algas podem sobreviver a temperaturas mais elevadas, colonizar recifes branqueados e restaurá-los à vida.

Os corais têm uma espantosa habilidade para se adaptar a novas condições pois são bastante flexíveis nas suas associações, explica Andrew Baker da Wildlife Conservation Society, um dos investigadores responsáveis pela descoberta. Isto vem mostrar que as predições mais dramáticas sobre o fim dos corais são simplistas. 

A equipa de Baker recolheu amostras de coral do género Pocillopora de todo o mundo, entre 1995 e 2001. Tal como relatam agora na revista Nature, os recifes sujeitos anteriormente a branqueamento eram os que tinham maior probabilidade de corais em simbiose com algas tolerantes à subida de temperatura, ao contrário dos que tinham permanecido inalterados.

Após um grave branqueamento no golfo Pérsico em 1998, por exemplo, quando as temperaturas da água atingiram os 38ºC, 62% das colónias continham a alga do género Symbiodinium. No Mar Vermelho, com temperaturas mais baixas e não sujeito a branqueamento, apenas 1,5% dos corais apresentavam a mesma alga.

No Panamá, os corais em simbiose com Symbiodinium resistiram às elevadas temperaturas que tinham causado um branqueamento generalizado em 1997. Como resultado desse facto, a proporção de corais com essa alga subiu de 43% em 1995 para 63% em 2001.

Parecem ser boas notícias para os corais, refere Rob Rowan, que estudou o branqueamento na ilha de Guam. Num estudo paralelo também agora publicado na revista Nature, ele mostra que as espécies de Symbiodinium suportam realmente temperaturas mais elevadas que as suas parentes mais próximas. 

Rowan retirou amostras de algas conhecidas por Symbiodinium C e Symbiodinium D dos recifes de Guam. Quando transferidas para ambiente com temperaturas entre os 28,5ºC - 32ºC, a alga Symbiodinium C apresentava uma redução da taxa fotossintética, enquanto a Symbiodinium D sobrevivia inalterada.

 

Se a Symbiodinium tolerante ao calor puder entrar em simbiose com uma vasta gama de espécies de coral, os recifes mundiais podem ser capazes de se adaptar mais rapidamente à subida da temperatura da água, sugere Rowan. Em vez de evoluírem eles próprios de forma a sobreviverem em águas mais quentes, os corais poderiam simplesmente mudar de parceiro simbiótico.

Existem provas de que tal é possível, acrescenta ele. Muitos corais vivem em plataformas de água rasa, onde a temperatura da água atinge valores bem mais elevados que nas águas mais profundas que as rodeiam. Rowan suspeita que muitos destes corais já alojam algas resistentes ao calor.

A descoberta pode significar que os corais têm mais tempo do que os pessimistas temiam, diz Baker. Alguns peritos já tinham predito que os corais mundiais teriam desaparecido em apenas 20 ou 30 anos.

Não há, no entanto, motivo para descontrair, acrescenta Baker. Os corais continuam ameaçados por muitos factores, como a poluição das águas e danos causados pelos arrastões, mas estes são mais fáceis de reverter que as alterações climáticas, especialmente se pensarmos que estes animais não estão já condenados pelo aquecimento global.

Pudemos ter mais tempo do que estávamos a pensar para pôr as nossas políticas conservacionistas em marcha, conclui ele, mas agora pudemos concentrar-nos em factores que pudemos controlar. 

 

 

Saber mais:

Wildlife Conservation Society

Estudo revela aumento da acidez dos oceanos

Recifes australianos têm os dias contados

 

 

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@ Born to be Wild, 2004


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