2004-08-08

Subject: Aves parasitas são capazes de partilhar

News of the Wild

 

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Aves parasitas são capazes de partilhar

 

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Um tipo de ave parasita, cujas crias são criadas por aves hospedeiras não aparentadas, partilha alegremente o ninho com as crias do hospedeiro, relata a revista Science na sua edição deste mês.

A teoria tradicional prevê que as aves parasitas empurrem as crias do seu hospedeiro para fora do ninho, de forma a evitar a partilha de alimento, mas foi agora demonstrado que os chamados boieiros Molothrus ater na realidade crescem mais rapidamente se as crias do seu hospedeiro permanecerem no ninho.

A equipa responsável pela investigação considera que os progenitores emprestados trazem mais alimento para um ninho cheio, do qual a cria de boieiro pode retirar uma parte de leão. 

Os boieiros de cabeça castanha vivem nas pradarias da América do Norte, seguindo as manadas de gado ou de bisontes e alimentando-se dos artrópodes que estes atraem. Por este motivo, têm um estilo de vida nómada, o que torna problemática a criação dos jovens.

A construção do ninho e a criação dos juvenis obrigam a uma fixação durante algum tempo, algo que os boieiros não se podem dar ao luxo. Contornam este obstáculo tornando-se parasitas de criação, ou seja, recrutam diferentes espécies de aves que, sem se aperceberem, criam os seus jovens.

De forma muito simples, colocam os ovos no ninho de uma ave canora desprevenida e partem, algo que é relativamente comum entre as aves, incluindo os conhecidos cucos. 

Mas o boieiro despertou o interesse dos investigadores porque parece ter uma atitude benevolente para com os seus irmãos adoptivos. À partida faz sentido que a ave parasita expulse as crias do hospedeiro pois não são com ele aparentadas e consomem alimento valioso. Esta é, precisamente, a estratégia do cuco. 

 

Mas outras aves parasitas, como o boieiro, são mais simpáticas. Apesar de serem maiores que as crias do hospedeiro, geralmente evitam expulsá-las. Mas é claro que a bondade não tem nada a ver com isso: alguns cientistas acreditam que as aves parasitas que toleram as crias do hospedeiro apenas foram mais "lentas" a desenvolver a estratégia da agressividade.

A visão tradicional considerava que não existia vantagem adaptativa em partilhar o ninho, refere a co-autora do trabalho Rebecca Kilner, da Universidade de Cambridge. Ou seja, estas aves apenas ainda não tinham aprendido a expulsar os competidores. Mas Kilner e seus colegas descobriram que há uma razão egoísta para esta partilha. 

Os seus resultados mostram que os boieiros que partilham o ninho com duas crias do hospedeiro crescem mais depressa que os solitários. Os progenitores adoptivos andam numa verdadeira roda-viva, trazendo muito mais insectos para o ninho, do que quando apenas têm uma cria. Como o impostor é maior, recebem também muito mais alimento.

Este estudo está a colocar a questão crucial: se esta situação de partilha é melhor para as aves parasitas, porque não o fazem todas?

Kilner pensa que pode ter a ver com a relação entre o tamanho do parasita e o do hospedeiro. Se o parasita é grande, como os cucos, não pode dar-se ao luxo de partilhar. 

 

 

Saber mais:

Science magazine

 

 

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@ Born to be Wild, 2004


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