2017-09-02

Subject: Células reprogramadas aliviam sintomas de Parkinson em teste

Células reprogramadas aliviam sintomas de Parkinson em teste

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@ Nature/B. Bick, . Poindexter, UT Med. School/SPL

Investigadores japoneses relataram resultados prometedores de uma terapia experimental para a doença de Parkinson que envolve a implantação no cérebro de neurónios criados a partir de células estaminais reprogramadas. Um teste realizado em macacos com uma versão desta doença revelou que o tratamento melhorou os seus sintomas e pareceu seguro, relatam eles na revista Nature.

A descoberta chave do estudo, que as células implantadas sobreviveram no cérebro pelo menos dois anos sem causar qualquer efeito perigoso no corpo, dá um grande apoio às esperanças dos investigadores de testar tratamentos com células estaminais para o Parkinson em humanos.

Jun Takahashi, perito em células estaminais na Universidade de Kyoto, Japão e líder do estudo, referiu que a sua equipa tenciona começar a transplantar neurónios criados a partir de células estaminais pluripotentes induzidas (iPS) para doentes com Parkinson em testes clínicos muito em breve.

A investigação também deve dar informação útil para outros grupos em todo o mundo que estão a testar abordagens para tratar o Parkinson usando células estaminais.

Por que razão as células estaminais são um tratamento promissor para a doença de Parkinson?

O Parkinson é uma doença neurodegenerativa provocada pela morte dos neurónios dopaminérgicos, que produzem o neurotransmissor dopamina, em certas zonas do cérebro. Como estas células estão envolvidas no movimento, pessoas com esta doença sofrem de tremores característicos e enrijecimento dos músculos. Os tratamentos atuais são dirigidos aos sintomas e não à sua causa subjacente.

Os investigadores têm seguido a noção de que as células estaminais pluripotentes, que têm a capacidade de se transformar em qualquer tipo de célula do corpo, podem substituir os neurónios produtores de dopamina mortos nos doentes de Parkinson, potencialmente parar ou mesmo reverter a progressão da doença. Células estaminais embrionárias, obtidas de embriões humanos, têm esta capacidade mas têm sido sujeitas a sucessivos debates éticos. As Células estaminais pluripotentes induzidas (iPS), obtidas induzindo células adultas a regressar a um estado semelhante ao embrionário, têm a mesma versatilidade sem as preocupações éticas.

Quais foram as descobertas deste último estudo?

A equipa de Takahashi transformou células iPS derivadas tanto de pessoas saudáveis, como de doentes de Parkinson, em neurónios produtores de dopamina. Transplantaram essas células para macacos Rhesus com uma forma da doença, induzida por uma toxina que mata neurónios.

Os neurónios transplantados sobreviveram pelo menos dois anos e formaram ligações com os neurónios dos macacos, potencialmente explicando a razão porque os animais tratados começaram a mover-se mais nas suas jaulas.

E porque razão esta investigação é tão importante?

A equipa de Takahashi não encontrou sinais de desenvolvimento de tumores a partir das células transplantadas, uma preocupação central em tratamentos que envolvem células pluripotentes, ou que desencadeassem uma resposta imunitária que não pudesse ser controlada com medicamentos imunossupressores. “Está a lidar com um conjunto de questões críticas que precisam de ser investigadas antes de pudermos, com confiança, usar estas células em humanos", diz Anders Bjorklund, neurocientista na Universidade Lund, Suécia.

Quando começam os testes clínicos e como vão funcionar?

“Espero puder começar um teste clínico até ao final do ano", diz Takahashi. Um teste desse tipo será o primeiro teste com células iPS para Parkinson. Em 2014 uma mulher japonesa com 70 anos tornou-se a primeira pessoa a receber células derivadas de iPS para tratar degeneração macular.

Em teoria, as células iPS podem ser adequadas a cada paciente individualmente, o que eliminaria a necessidade de imunossupressores, mas são caras e demoradas de produzir, salienta Takahashi. Por isso a sua equipa tenciona estabelecer linhagens de células iPS de pessoas saudáveis e usar biomarcadores de células imunitárias para as adequar aos doentes de Parkinson, na esperança que minimizar a resposta imunitária e, portanto, a necessidade de medicamentos.

 

Num estudo descrito num artigo acompanhante na revista Nature Communications, a equipa de Takahashi implantou em macacos neurónios derivados de células iPS de rhesus diferentes. Descobriram que o transplante entre macacos com marcadores de glóbulos brancos semelhantes desencadeava uma reação imunitária mais suave.

Que outros tipos de abordagem com células estaminais estão a ser testadas para o Parkinson?

No início deste ano, investigadores chineses iniciaram um teste para o Parkinson que usava uma abordagem diferente: dar aos pacientes células precursoras neurais criadas a partir de células estaminais embrionárias, que tinham como intenção desenvolver-se em neurónios produtores de dopamina adultos.

Um ano antes, num teste diferente, pacientes australianos tinham recebido células semelhantes mas alguns investigadores tinham expressado preocupação com a possibilidade de as células imaturas transplantadas poderem desenvolver mutações cancerígenas.

Entretanto, investigadores parte de um consórcio de terapias de células estaminais para o Parkinson chamado GForce-PD e de que a equipa de Takahashi faz parte, devem trazer outras abordagens à clínica. Equipas americanas, suecas e britânicas estão a planear testes de transplante de neurónios produtores de dopamina criados a partir de células estaminais embrionárias para humanos. Linhagens de células estaminais embrionárias previamente estabelecidas têm o benefício de estarem bem estudadas e puderem ser desenvolvidas em grande quantidade, assim todos os participantes do teste podem receber um tratamento standard, salienta Bjorklund, também membro do consórcio.

Jeanne Loring, perita em células estaminais no Instituto Scripps de Investigação em La Jolla, Califórnia, prefere transplantar neurónios derivados de células iPS do próprio paciente. Apesar de dispendiosa, esta abordagem evita os perigosos imunossupressores e dado que as células iPS são criadas de novo para cada paciente, sofrem poucas divisões e minimizam o risco de desenvolverem mutações cancerígenas.

Lorenz Studer, perito em células estaminais no Centro de Cancro Memorial Sloan Kettering em Nova Iorque, que está a trabalhar num teste que irá usar neurónios criados a partir de células estaminais embrionárias, diz que ainda existem questões a trabalhar, como o número de células necessárias em cada transplante, mas considera este estudo mais recente como “um sinal de que estamos prontos para seguir em frente".

 

 

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