2017-08-24

Subject: Bactérias podem livrar o Pacífico sul de mosquitos

Bactérias podem livrar o Pacífico sul de mosquitos

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@ Nature/Christophe Lepetit/Hemis/Alamy

As ilhas do Pacífico sul há muito que atraem marinheiros e turistas que procuram o paraíso na Terra mas os biólogos estão agora a tentar tornar a região ainda mais apelativa: um laboratório biomédico no Tahiti conseguiu praticamente erradicar os mosquitos de uma pequena ilha próxima e os cientistas preparam-se para eliminar a praga de uma ilha maior, permanentemente habitada.

O objetivo eventual é cortar a propagação de doenças transmitidas por mosquitos como o dengue, o chicungunia ou o Zika, que afligem o Pacífico. Os investigadores também esperam que reduzir a carga de mosquitos ajude as populações locais de aves. Noutras ilhas, como o Havai, a malária aviária propagada por mosquitos pode devastar as populações de aves.

O problema dos mosquitos pode ser resolvido nas ilhas da Sociedade, uma parte da Polinésia francesa que inclui o Tahiti, Moorea, Bora Bora, Huahine e Raiatea, no espaço de 10 anos, diz Hervé Bossin, entomólogo no laboratório de mosquitos do Instituto Louis Malardé em Paea, Tahiti, e líder do projeto.

Ele e a sua equipa tencionam faze-lo usando uma técnica que infeta mosquitos com uma estirpe específica da bactéria Wolbachia. Cerca de 65% dos insetos em todo o mundo transportam Wolbachia, mas as estirpes variam muito. Se mosquitos com estirpes diferentes acasalam, os ovos resultantes desenvolvem-se mal e não chegam a chocar logo, se houver um número suficiente destes acasalamentos, a população dessa zona acaba por morrer.

Mas primeiro, os cientistas devem separar os machos das fêmeas. Num pequeno laboratório na costa leste do Tahiti, o técnico Michel Cheong Sang coloca água entre duas lâminas de vidro colocadas em ângulo, lavando várias dúzias de larvas de mosquitos Aedes polynesiensis entre elas. As fêmeas são maiores e ficam presas a meio caminho, enquanto os machos deslizam um pouco mais. Este método low-tech separa corretamente mais de 99% das larvas, diz Bossin.

Todas as larvas são infetadas com uma estirpe particular de Wolbachia, retirada de uma espécie aparentada de mosquito Aedes reversi não presente naturalmente na Polinésia francesa. Apenas os machos serão libertados em zonas alvo para acasalarem com fêmeas selvagens. Os investigadores estão a trabalhar num total de cinco locais, a maioria em propriedades turísticas luxuosas.

Neste momento, o método Wolbachia é o standard de ouro para libertar as ilhas de mosquitos, diz Zhiyong Xi, entomólogo médico na Universidade Estadual do Michigan em East Lansing. O seu grupo usou a técnica para praticamente eliminar os mosquitos Aedes albopictus de duas pequenas ilhas habitadas em Guangzhou, China. “Prevejo que a tecnologia seja usada em larga escala no prazo de cinco anos e vamos ver grandes áreas tropicais livres de mosquitos em menos de 10 anos", diz Xi. Os investigadores fizeram testes semelhantes no Brasil e nos Estados Unidos, onde 3 estados viram as populações de A. albopictus selvagens reduzidas em 70% ao longo de 3 anos.

A abordagem Wolbachia baseia-se numa bactéria que ocorre naturalmente e tem recebido menos oposição do que métodos experimentais que usam mosquitos geneticamente modificados. Ainda assim, Bossin e outros investigadores estão a seguir o progresso das técnicas baseadas no genoma, pois podem eventualmente tornar-se mais rápidas e económicas de usar que o método bacteriano.

  Bossin e a sua equipa começaram o seu primeiro estudo em larga escala em 2015 numa pequena ilha do atol de Tetiaroa. O atol, em tempos propriedade do ator Marlon Brando, fica a 20 minutos de voo do Tahiti. Os esforços de monitorização revelam uma fêmea por armadilha por semana, quando no ano passado se encontrava uma por armadilha por dia.

O estudo piloto de Tetiaroa tinha financiamento dos governos francês e da Polinésia francesa e apoio logístico de uma pequena estância turística no atol. Os hoteis onde Bossin está a fazer os seus testes este ano também estão a financiar o seu trabalho.

Os investigadores estão a acelerar os preparativos para erradicar os mosquitos de ilhas permanentemente habitadas, tencionam anunciar brevemente a localização exata e esperam libertar os machos infetados com Wolbachia no espaço de dois anos. Já existe financiamento para expandir o laboratório para lidarem com a produção de larvas e, se tiverem sucesso, a ilha pode tornar-se a primeira do Pacífico sul a ficar livre de mosquitos.

Bossin pensa que a técnica da incompatibilidade pode ser escalada para erradicar os insetos picadores das ilhas do Pacífico, talvez mesmo de continentes: “O único limite é a dimensão da instalação de produção."

Giovanni Benelli, entomólogo na Universidade de Pisa, Itália, é menos entusiasta em relação à erradicação continental e não gostaria de ver todos os mosquitos desaparecer: “O papel ecológico dos mosquitos continua a ser importante, animais aquáticos comem larvas de mosquito e os adultos ajudam a regular as populações de aves e mamíferos transmitindo doenças entre eles."

Bossin não se importa que haja mosquitos, desde que seja longe das pessoas.

 

 

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