2017-08-21

Subject: Insónia associada a nascimentos prematuros

Insónia associada a nascimentos prematuros

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@ Nature/Andrew Lichtenstein/Corbis/Getty

Apesar dos avanços em medicina maternal, os nascimentos prematuros permanecem um problema vexante para os obstetras de todo o mundo mas uma análise dos registos médicos de quase 3 milhões de mulheres grávidas californianas sugere que uma intervenção surpreendentemente simples, melhor sono, pode ajudar nesta questão.

Os investigadores descobriram que mulheres que tinham sido diagnosticadas ou insónia ou apneia do sono tinham duas vezes mais probabilidade de terem nascimentos prematuros em mais de seis semanas.

“Parece óbvio mas estranhamente este estudo nunca tinha sido feito”, diz Laura Jelliffe-Pawlowski, epidemiologista na Universidade da Califórnia, San Francisco (UCSF), e uma das autoras do estudo, publicado na revista Obstetrics and Gynecology. “Perceber esta relação é importante porque estamos carentes de formas de intervenção que façam a diferença."

Os peritos em saúde pública dizem que um melhor tratamento das grávidas com graves problemas de sono pode salvar a vida aos seus bebés com abordagens sem medicamentos.

Todos os anos 15 milhões de bebés nascem prematuramente em todo o mundo, ou seja, mais de 3 semanas antes das típicas 40 semanas. Estas crianças têm menos tempo para se desenvolverem no útero e 1,1 milhões delas morrerão de complicações associadas ao nascimento. Muitas outras ficam com deficiências auditivas e de aprendizagem, paralisia cerebral e outros problemas de saúde.

O novo estudo é parte da Iniciativa para os Nascimentos Prematuros da UCSF, um ambicioso esforço de US$100 milhões para estudar a prematuridade que se foca na Califórnia e no leste africano. Os investigadores que nela trabalham tencionam analisar enormes quantidades de dados históricos, garantindo que qualquer descoberta seja estatisticamente significativa. Esperam usar essas descobertas para identificar formas de intervenção médica e social que possam reduzir os nascimentos prematuros e testá-las em grávidas. O programa é financiado pela Fundação Bill e Melinda Gates e pelos filantropos Lynne e Marc Benioff.

Jennifer Felder, investigadora de pós-doutoramento em psicologia clínica na UCSF que liderou o estudo, explica que a incomodava a falta de estudos sobre o sono e a gravidez. Dado que as grávidas têm frequentemente dificuldade em dormir, ela suspeita que os médicos e os investigadores não pensaram examinar as consequências das perturbações do sono mais atentamente.

Felder e os seus colegas adquiriram os registos de mais de 3 milhões de nascimentos ocorridos na Califórnia entre 2007 e 2012, que foram limpos de informação identificativa mas associavam os registos de alta hospitalar das mulheres que tinham dado à luz. Cada registo continha o historial médico da mãe e as anotações feitas ao longo da gravidez e parto.

  Os médicos tinham diagnosticado cerca de 2300 mulheres com perturbações do sono durante a gravidez, as mais comuns a insónia e a apneia do sono, apesar de narcolepsia, excesso de sonolência e síndroma da perna inquieta também terem sido registados.

A insónia, descobriram os investigadores, aumentava o risco de nascimento prematuro em 30%, enquanto a apneia do sono aumentava o risco em 40%. As perturbações do sono também aumentavam o risco de nascimentos muito prematuros: 5,3% das grávidas com questões relacionadas com o sono tiveram os seus bebés com menos de 34 semanas, quando comparadas com 2,9% para grávidas sem esse diagnóstico.

Felder acha improvável que a falta de sono seja a causa direta dos nascimentos prematuros mas pode desencadear outros processos, como a inflamação, que eventualmente resultem resultem na prematuridade. Uma análise de 2010 de estudos associados a nascimentos prematuros associou-os à presença de proteínas inflamatórias C-reativas e interleucinas-6 no líquido amniótico. Para explorar esta ideia, a iniciativa da UCSF vai começar a analisar as proteínas imunitárias das grávidas usando sangue armazenado num repositório associado ao departamento de saúde pública californiano, dando especial atenção à prematuridade e à insónia.

Entretanto, as perturbações do sono nas grávidas podem alertar os médicos para o perigo potencial: “Aconselho todas as grávidas sobre a forma obter o melhor resultado da gestação", explica Louis Muglia, diretor do Centro de Prevenção da Prematuridade do Hospital Pediátrico de Cincinnati, Ohio. “Agora posso começar a perguntar se todas estão a dormir bem."

 

 

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