2017-08-17

Subject: El Niño gigantesco fez disparar as emissões de gases de efeito de estufa

El Niño gigantesco fez disparar as emissões de gases de efeito de estufa

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@ Nature/Barcroft Media/Getty

O gigantesco padrão climático El Niño de 2014–16 levou a que as florestas tropicais libertassem 3 mil milhões de toneladas de carbono, de acordo com uma nova análise. Esse valor é equivalente a quase 20% das emissões produzidas no mesmo período pela queima de combustíveis fósseis e fabrico de cimento.

Medições feitas pelo satélite da NASA Observatório do Carbono em Órbita  - 2 (OCO-2), que mede os níveis de dióxido de carbono na atmosfera, sugerem que o El Niño aumentou as emissões de 3 formas: uma combinação de altas temperaturas e seca aumentou o número e a severidade dos fogos florestais no sudeste asiático, enquanto a seca bloqueou o crescimento vegetal no Amazonas, reduzindo a quantidade de carbono absorvido. Em África, uma combinação de temperaturas mais elevadas e precipitação praticamente normal aumentou a taxa a que as florestas exalaram CO2.

O aumento global das emissões das florestas tropicais foi cerca de 3 vezes a média anual de produção de carbono devida à desflorestação e às alterações de uso da terra a nível global entre 2006 e 2015.

A análise, apresentada no encontro da Sociedade Ecológica da América em Portland, Oregon, é mais elogio ao OCO-2: desde 2014 que o satélite tem vindo a dar aos cientistas a melhor visão da forma como as atividades humanas e os sistemas naturais afetam o fluxo das emissões de CO2.

O trabalho sobre o El Niño “é uma descoberta muito profunda”, diz Berrien Moore, cientista atmosférico na Universidade de Oklahoma em Norman e coautor de um futuro artigo sobre os resultados.

Os cientistas usam satélites para estudar as plantas vivas há décadas mas até recentemente estas sondas apenas conseguiam fornecer medições indiretas da forma como a vegetação influencia o nível de carbono na atmosfera, monitorizando fatores como a biomassa vegetal e a verdura. O OCO-2, um de uma nova classe de satélites que seguem o CO2 a partir do espaço, veio mudar isto e o El Niño de 2014–16 foi um dos seus primeiros grandes testes.

“No passado tínhamos que modelar a forma como essas alterações na vegetação afetam o dióxido de carbono”, diz David Schimel, ecologista no Laboratório de Propulsão a Jato da NASA em Pasadena, Califórnia, que apresentou os resultados. “Agora temos a possibilidade de ver em que acertámos e onde errámos.” Combinando dados do OCO-2 e de satélites que medem o metano e o monóxido de carbono, Schimel tem uma visão detalhada da forma como as florestas de todo o mundo respondem aos choques climáticos do El Niño.

Todos os três mecanismos de aumento das emissões que a equipa aponta tinham sido previamente identificados como formas dos eventos climáticos extremos afetarem as plantas, diz Abigail Swann, cientista climática e bióloga na Universidade de Washington em Seattle. “O que é mais interessante é terem acontecido todos", diz ela. “Sugere que a resposta ao El Niño será uma combinação ainda mais complicada de fatores no futuro."

O evento de 2014–16 é também o primeiro grande El Niño para o qual os efeitos são visíveis em mapas anuais de coberto de árvores baseados em imagens das sondas Landsat americanas e dos satélites Sentinel da Agência Espacial Europeia.

 

Os cálculos preliminares do produtor dos mapas, o geógrafo Matthew Hansen da Universidade do Maryland em College Park, mostram que o número de árvores perdido em todo o mundo aumentou em 50% de 2015 a 2016. As florestas tropicais da América do Sul, Ásia e África foram as mais fortemente atingidas.

Mas algumas incertezas permanecem sobre os efeitos do El Niño nas florestas. Hansen encontra evidências de que a área de floresta queimada aumentou substancialmente na África Central e no Brasil, onde a perda anual de coberto de árvores praticamente duplicou mas o OCO-2 não as encontra. Hansen salienta que a visão do CO2 do satélite é menos apurada que a dos Landsat e Sentinel, o que pode levá-lo a falhar alguns fogos. Os líderes do OCO-2 concordam que o satélite não dá a última palavra sobre as emissões pois amostra pedaços de terreno com 10 km de largo que se somam para apenas 6% da superfície do planeta, a partir da qual os investigadores extrapolam números globais. Ainda assim, o OCO-2 fornece as melhores medições de carbono atuais.

No entanto, ajuda pode estar a caminho. Uma frota de instrumentos que será enviada para a Estação Espacial Internacional em 2018 pode vir a dar aos cientistas uma melhor visão das respostas das plantas aos eventos climáticos extremos futuros. O programa de Investigação da Dinâmica dos Ecossistemas Globais da NASA (GEDI) vai medir a biomassa florestal e a Experiência Espacial de Radiometria Termal na Estação Espacial (ECOSTRESS) vai medir o uso da água pelas plantas. A Suite Japonesa de Imagem Hiperespetral (HISUI) irá ajudar a monitorizar a composição molecular das plantas e a diversidade específica.

Para além de tudo isto, ainda poderemos ter o OCO-3, construído com peças sobressalentes do OCO-2. A administração Trump propôs o seu cancelamento mas não é garantido que a proposta seja aprovada pelo congresso.

Se todas estas missões avançarem, diz Annmarie Eldering, cientista do projeto OCO-2 e cientista do projeto OCO-3 no Laboratório de Propulsão a Jato, “teremos uma imagem muito completa do comportamento das plantas”.

 

 

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