2017-08-12

Subject: Primeiro salmão geneticamente modificado à venda no Canadá

Primeiro salmão geneticamente modificado à venda no Canadá

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@ Nature/Paul Darrow/NYT/Redux/eyevine

Salmão geneticamente modificado chegou finalmente à mesa: a AquaBounty Technologies de Maynard, Massachusetts, que desenvolveu o peixe, anunciou ter vendido cerca de 4,5 toneladas do seu produto mais polémico a consumidores canadianos.

A venda marca a primeira vez que um animal geneticamente modificado foi vendido como alimento em mercado aberto. A AquaBounty levou mais de 25 anos a chegar a este ponto.

O peixe, uma variedade de salmão atlântico Salmo salar, foi modificado para crescer mais rapidamente que o salmão selvagem, o que permite que chegue ao mercado em metade do tempo, cerca de 18 meses. A AquaBounty vendeu a sua primeira encomenda comercial ao preço de mercado ($11,70 por quilograma), diz Ron Stotish, chefe executivo da companhia, ainda que não tenha revelado o nome do comprador.

A AquaBounty criou os peixes em tanques numa fábrica que detém no Panamá e tenciona aumentar a produção expandindo-se para a ilha canadiana Príncipe Eduardo, onde as autoridades locais deram luz verde para a construção. Ao mesmo tempo a companhia também adquiriu uma aquacultura em Albany, Indiana, e aguarda autorização dos reguladores americanos para começar a produção no local.

A venda do peixe segue-se a uma longa batalha com os reguladores e vencer a relutância dos consumidores. “Alguém tem que ser o primeiro e estou muito feliz que tenham sido eles e não eu", diz James West, geneticista na Universidade Vanderbilt em Nashville, Tennessee, que cofundou a AgGenetics, uma companhia start-up de Nashville que modifica gado bovino para as indústrias leiteira e de carne. “Se eles tivessem falhado podiam ter morto a indústria do gado geneticamente modificado para uma geração."

O doloroso percurso da AquaBounty desde a descoberta científica ao mercado aterrorizou muitos outros que trabalharam na biotecnologia animal e quase levou a companhia à falência em várias ocasiões.

Os cientistas demonstraram pela primeira vez o rápido crescimento do peixe em 1989: introduziram um gene e hormona de crescimento obtida do salmão Chinook Oncorhynchus tshawytscha, juntamente com elementos reguladores de uma terceira espécie, peixe-carneiro americano Zoarces americanus. As modificações genéticas permitem ao salmão produzir continuamente, mas em níveis baixos, a hormona de crescimento.

A AquaBounty surgiu em redor desta tecnologia no início dos anos 1990 e abordou os reguladores americanos logo a seguir. Depois passou quase 25 anos num limbo, até que a Administração para a Alimentação e Medicamentos (FDA) aprovou o salmão para consumo em novembro de 2015, seguida das autoridades canadianas seis meses depois. Nenhum dos países exigiu que o salmão seja etiquetado como geneticamente modificado.

  Mas ao contrário do Canadá, as batalhas políticas nos Estados Unidos atrasaram a entrada do salmão no marcado. A lei do orçamento para 2017 inclui uma provisão que indica à FDA que proíba a venda de salmão transgénico até que seja criado um programa que informe os consumidores que estão a comprar um produto geneticamente modificado. A senadora Lisa Murkowski (republicana representante do Alasca), que inseriu a provisão, apelidou o salmão da AquaBounty de "falso".

Ativistas tanto do Canadá, como dos Estados Unidos, exigiram que os reguladores reconsiderem as suas decisões e alguns recorreram aos tribunais com essa intensão. O Center for Food Safety, um grupo ambientalista de Washington DC, processou a FDA no ano passado numa tentativa de revogar a decisão sobre o salmão. O grupo considera que a agência não tem autoridade legal para supervisionar animais geneticamente modificados e que tomou a decisão sem ter em conta os riscos ambientais.

O anúncio que os peixes da AquaBounty estão a chegar às mesas canadianas vai certamente trazer forte oposição, diz Stotish. Ele considera o peixe geneticamente modificado bom para a economia, atrativo por poder ser criado perto das zonas metropolitanas em vez de ter de ser trazido de avião, criando empregos nas aquaculturas americanas e canadianas.

Dado que os salmões da AquaBounty são criados em tanques, acrescenta ele, não encontram muitos dos agentes patogénicos e parasitas que dificultam as aquaculturas em jaulas marinhas. “Penso que o mercado está a olhar para isto como uma fonte mais previsível e sustentável de salmão. Esta primeira venda é muito positiva e prometedora para nós.”

 

 

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