2017-08-08

Subject: Chimpanzés são os primeiros animais não humanos a revelar sinais de Alzheimer

Chimpanzés são os primeiros animais não humanos a revelar sinais de Alzheimer

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@ Nature/Fiona Rogers/Minden Pictures/FLPA

Chimpanzés envelhecidos desenvolvem as características cerebrais semelhantes, ainda que não idênticas, às observadas em humanos com as primeiras etapas de Alzheimer, relatam os investigadores na última edição da revista Neurobiology of Aging.

Estas descobertas sobre os nossos parentes mais próximos podem ajudar os investigadores a compreender a razão porque as pessoas desenvolvem demências, bem como sugerir que quem cuida de chimpanzés envelhecidos em cativeiro os observe com mais atenção em busca de alterações comportamentais.

Apesar das capacidades cognitivas da maioria dos animais entrar em declínio ao longo da vida, apenas os humanos parecem desenvolver Alzheimer, que pode provocar sintomas de demência severos. Os cérebros de pessoas com Alzheimer mostram sinais severos da doença: placas da proteína amiloide-β, emaranhados da proteína tau e perda de neurónios.

Pensava-se que os humanos eram os únicos primatas com cérebros que continham placas e emaranhados simultaneamente, apesar de um estudo ter encontrado ambos os marcadores no cérebro de um único chimpanzé.

Usando uma coleção de cérebros de chimpanzé compilada ao longo de várias décadas, uma equipa liderada por Mary Ann Raghanti, antropóloga biológica na Universidade Estadual Kent no Ohio, analisou os cérebros de 20 chimpanzés envelhecidos que morreram com idades entre os 37 e os 62 anos.

A equipa examinou as regiões do cérebro que ficam danificadas em pessoas com Alzheimer, como o hipocampo onde se formam as memórias, e descobriu que quatro dos cérebros preservados continham placas e emaranhados. Todos os 20 espécimes continham pré-emaranhados e os vasos sanguíneos de vários dos cérebros continham amiloide-ß. Dado que esta proteína se encontra normalmente fora dos vasos sanguíneos no cérebro humano, isso sugere que as placas podem formar-se de forma diferente nos chimpanzés.

“É um artigo mesmo interessante", diz Elizabeth Head, neurocientista na Universidade do Kentucky em Lexington. Mesmo que os chimpanzés nunca desenvolvam os sintomas do Alzheimer, saber que eles desenvolvem espontaneamente os sinais biológicos da doença pode fornecer-nos informação útil sobre as suas primeiras etapas e, potencialmente, como a prevenir, diz ela.

Lary Walker, neuropatologista experimental na Universidade Emory em Atlanta, Georgia, também está impressionado com o estudo. A força do artigo, diz ele, é que o grande número de animais envolvidos fornece uma boa amostra das diferentes formas como os cérebros dos chimpanzés envelhecem.

Os investigadores não foram capazes de associar as alterações biológicas nos cérebros dos chimpanzés a alterações no seu comportamento com idade avançada. Os animais viveram em jardins zoológicos, laboratórios de investigação e santuários e tinham, portanto, sido expostos a diferentes estímulos e sofrido diferentes testes cognitivos.

Apesar da demência severa nunca ter sido observada em chimpanzés, a presença de placas e emaranhados sugere que isso pode acontecer, diz o coautor do estudo William Hopkins, psicólogo na Universidade Estadual da Georgia em Atlanta.

  Com estas descobertas, diz ele, aqueles que lidam com os chimpanzés devem monitorizar ativamente a saúde dos animais em envelhecimento.

Em 2015, os Estados Unidos terminaram efetivamente as investigações biomédicas com chimpanzés, incluindo imagens de ressonância magnética, mas Hopkins diz que essas imagens podem ser úteis para a população envelhecida de animais reformados de instalações de pesquisa.

As sequências das proteínas amiloide-ß e tau são idênticas em humanos e chimpanzés mas é possível que haja um fator protetor contra a demência nos cérebros de chimpanzé. Uma possibilidade é estas proteínas terem uma estrutura tridimensional diferente.

Outra evidência pode ser o comportamento da proteína APOE, que controla a forma como a amiloide-ß se agrega em placas. Os humanos têm várias versões do gene da APOE, uma das quais (APOE4) torna a pessoa mais suscetível a desenvolver Alzheimer. É possível que a evolução tenha selecionado a versão má da APOE em humanos por os proteger de alguma outra coisa, como um parasita, diz Caleb Finch, que estuda o envelhecimento na Universidade do Sul da Califórnia em Los Angeles.

Raghanti diz que os investigadores estão agora a contar os neurónios nos cérebros dos chimpanzés que estudaram para determinar se há perda de células com a idade e a estudar o grau de inflamação. Tanto a perda de neurónios como a inflamação parecem contribuir para o Alzheimer em humanos: "Se conseguíssemos identificar coisas que são parecidas e diferentes em chimpanzés e humanos, podemos começar a deslindar porque razão os humanos são tão unicamente suscetíveis a esta doença."

 

 

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