2017-08-06

Subject: Farmacêuticas viram-se para células T no combate a doenças autoimunes

Farmacêuticas viram-se para células T no combate a doenças autoimunes

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@ Nature/CNRI/SPL

Os investigadores, académicos e industriais, estão a virar-se para as células que suprimem a resposta imunitária para controlar as doenças autoimunes e o entusiasmo está ao rubro.

Em Julho a farmacêutica Eli Lilly, de Indianapolis, Indiana, anunciou que vai financiar até US$400 milhões para apoiar o desenvolvimento de um medicamento, que entrou em testes clínicos em Março, que estimula estas células T reguladoras. Em Janeiro a Celgene of Summit, Nova Jérsia, anunciou planos para comprar uma companhia que estava a trabalhar numa terapia semelhante por US$300 milhões.

Outras companhias, desde pequenas biotecnológicas aos pesos pesados da indústria farmacêutica, estão também a investir numa abordagem que pode traduzir-se em tratamentos para uma variedade de doenças causadas por um ataque imunitário do corpo às suas próprias células, como diabetes tipo I, lúpus e artrite reumatoide.

“É um campo que, neste momento, está completamente doido", diz David Klatzmann, imunologista na Universidade Pierre e Marie Curie em Paris, que tem estudado as células T reguladoras e aconselha a farmacêutica parisiense ILTOO Pharma. “A competição é enorme e é muito excitante ver onde tudo irá dar."

As células T são geralmente consideradas os soldados mais importantes do sistema imunitário na guerra contra os invasores mas existem muitos tipos destas células, cada um armado com um conjunto diferente de capacidades. As células T reguladoras servem para, como o nome diz, controlar as respostas imunitárias e não para atacar os invasores, sendo cruciais para prevenir a autoimunidade.

Pessoas com doenças causadas por uma ataque autoimune têm frequentemente níveis reduzidos de atividade das células T reguladoras, o que levou os cientistas a suspeitar que estimular essas células poderia reduzir os ataques autoimunes do corpo.

Para estimular essas células, muitos cientistas (incluindo os da Lilly and Celgene) estão a virar-se para uma molécula conhecida por interleucina-2 (IL-2) que, quando presente em doses elevadas, estimula as células T efetoras que atacam os invasores. Em 1992, os reguladores americanos aprovaram o tratamento para algumas pessoas com cancro, para desencadear respostas imunitárias contra o tumor.

No entanto, doses baixas de IL-2, cerca de dez vezes inferiores às usadas no tratamento contra o cancro, estimulam, pelo contrário, as células T reguladoras e têm relativamente pouco efeito nas células T efetoras.

Estas observações foram feitas na década de 1990 mas alguns investigadores resistiram à ideia de usar a IL-2 para tratar pessoas com perturbações autoimunes, mesmo em doses baixas. As doses elevadas usadas no tratamento do cancro são notoriamente tóxicas e podem mesmo ser fatais: “Inicialmente, muitas pessoas tinham tanto medo de a usar", explica Di Yu, imunologista na Universidade Nacional da Austrália em Camberra. “Têm memórias muito amargas da IL-2.”

Gradualmente, no entanto, um punhado de pequenos testes clínicos começaram a ultrapassar esses receios e, em 2011, um par de estudos forneceram as primeiras evidências de que a abordagem pode mesmo funcionar.

Uma destas evidência foi a doença do enxerto contra hospedeiro, um problema que pode ocorrer quando medula óssea transplantada produz células imunitárias que atacam o novo hospedeiro, e outra foi uma perturbação autoimune causada pelo vírus da hepatite C. Os investigadores também lançaram outros estudos sobre a diabetes tipo I e o lúpus. As doses baixas parecem, até agora, ser muito mais seguras do que as usadas no tratamento contra o cancro.

 

Mesmo assim, continua a haver preocupações sobre o grau de especificidade do tratamento com IL-2 pois qualquer potencial de estimulação das respostas das células T efetoras num paciente que já está a sofrer um ataque autoimune pode tornar-se perigoso. “É um campo robusto mas muito desafiador", diz Jeffrey Bluestone, imunologista na Universidade da Califórnia, San Francisco, que aconselhou várias companhias sobre projetos com células T. “Ainda não é claro que seja possível obter uma resposta específica das células T reguladoras sem qualquer outro efeito.”

Em vez disso, muitas companhias estão interessadas em afinar a IL-2 para a tornar mais específica. O investimento de US$400 milhões da Lilly foi para a Nektar Therapeutics, uma companhia de biotecnologia de San Francisco, Califórnia, que produziu IL-2 quimicamente modificada, o que a torna menos capaz de se ligar às células T efetoras. A Delinia, a companhia que a Celgene comprou, estava a desenvolver uma forma mutada de IL-2 com um efeito semelhante.

Outros investigadores estáo a pesquisar possíveis terapias celulares, por exemplo a extração de células T reguladoras do sangue de um paciente, expandi-las e ativá-las em laboratório e reintroduzi-las no paciente. Outra abordagem, ainda nas primeiras fases de desenvolvimento, é modificar as células T reguladoras retiradas do corpo para as ajudar a reconhecer as moléculas que estão a provocar uma resposta autoimune e acabar com essa resposta.

Investigação de base também continua a descobrir mais sobre a biologia das células T reguladoras que pode ajudar o desenvolvimento de futuras terapias. Hongbo Chi, imunologista no Hospital Pediátrico St. Jude em Memphis, Tennessee, que tem estudado a forma como o metabolismo das células T reguladoras difere do das outras células T. Alexander Rudensky, imunologista no Centro Memorial para o Cancro Sloan Kettering em Nova Iorque, relatou este ano um novo subconjunto de células T reguladoras que pode ter funções mais específicas.

Apesar de Chi não estar a procurar diretamente novos medicamentos, ele já se apercebeu do entusiasmo da indústria: “É muito encorajador ver estas terapias chegar a testes clínicos, isso motiva-nos cada vez mais a compreender o mecanismo.”

 

 

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