2017-08-01

Subject: Austrália reduz proteções conservacionistas em parques marinhos

Austrália reduz proteções conservacionistas em parques marinhos

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@ Nature/Pete Atkinson/Getty

Quando a Austrália estabeleceu uma vasta rede de reservas marinhas em 2012, a situação foi apregoada como uma enorme vitória para a conservação mas os planos de gestão para estas áreas foram suspensos apenas um ano depois.

Agora, os cientistas estão zangados com o governo australiano por ter apresentado uma proposta para reduzir significativamente a dimensão das áreas protegidas nas reservas, abrindo vastas áreas à pesca comercial e recreativa: “A Austrália tem sido um dos países líderes na conservação marinha", refere Callum Roberts, biólogo que estuda as reservas marinhas na Universidade de York, Reino Unido. “O governo está a apresentá-lo como um progresso mas este plano é um gigantesco passo atrás para a conservação."

Roberts diz que desmantelar as áreas protegidas vai fazer com que as espécies sejam menos capazes de lidar com crescentes ameaças como alterações climáticas ou poluição por plástico. “A Austrália vai tornar os seus oceanos consideravelmente menos resilientes do que seriam se esta proteção não tivesse sido retirada."

Quase com 2,4 milhões de quilómetros quadrados, o correspondente a 36% dos oceanos australianos, foram designados parques marinhos em 2012. Perto de um terço da área nas reservas receberam o nível de proteção mais elevado, que proíbe atividades como a pesca, mineração e perfurações de gás e petróleo. Apesar de os cientistas terem encontrado algumas falhas na rede de reservas, por exemplo, muitas das áreas fortemente protegidas eram águas profundas, enquanto os ecossistemas mais vulneráveis são geralmente perto da costa, esta foi considerada um plano ambicioso para a proteção da biodiversidade.

Pouco mais de um ano depois de o sistema ter sido estabelecido, o recém-eleito primeiro-ministro australiano conservador, Tony Abbott, suspendeu os planos de gestão dos parques e ordenou uma análise independente. Os cientistas acusaram o governo de ceder à pressão das indústrias de pesca e mineração.

A análise independente, conhecida em Setembro de 2016, recomendava que as zonas protegidas de alguns parques fossem aumentadas mas reduzia-as noutros: “A análise independente já tinha reduzido as proteções globais de 2012 mas os novos planos esventraram-nas", diz Jessica Meeuwig, perita marinha na Universidade da Austrália Ocidental em Perth.

As propostas mais recentes, conhecidas em Julho, mantêm os limites dos parques mas vão reduzir para 20% a área total protegida da pesca, quando a análise já as reduzia para 33%. No maior parque marinho no Mar de Coral ao largo da costa nordeste australiana, a proposta reduz as áreas totalmente protegidas de 41% para 24% da área do parque, o que permitirá vários tipos de pesca comercial na maior parte do parque, incluindo os palangreiros de atum.

  Uma avaliação independente feita em 2010 das atividades pesqueiras em parques marinhos ao longo da costa leste australiana tinha concluído que esta prática colocava um “risco inaceitável" para aves marinhas, baleias, tubarões e tartarugas.

Num comunicado emitido a 21 de Julho, o ministro australiano do ambiente, Josh Frydenberg, dizia que a proposta representa uma “abordagem científica muito mais equilibrada do que as anteriores para os parques marinhos". "Estes planos protegem o que precisa de ser protegido sem causar impactos negativos nas comunidades e economia nacionais", concluía ele.

Mas Meeuwig considera que o governo está a ignorar as recomendações da análise que encomendou e que a investigação contradiz a alegação do governo de que os planos se baseiam em ciência. “Dizem que áreas parcialmente protegidas podem alcançar resultados de conservação e sabemos muito bem que isso não é verdade."

Um estudo, por exemplo, publicado em 2014, mostrava que áreas completamente protegidas (muitas vezes chamadas zonas de não recolha) eram essenciais para a adequada conservação dos ecossistemas marinhos. O painel de peritos científicos reunido para a análise encomendada pelo governo também reconhecia “o corpo significativo de literatura científica que demonstra a eficácia das ... zonas de não recolha ... para se alcançarem os resultados de conservação".

Já Sally Barnes, diretora da Agência dos Parques Nacionais, que concebeu a proposta de plano de gestão agora conhecida, continua a manter que eles alcançam o equilíbrio certo entre conservação e utilização. Os planos estão em discussão pública até Setembro.

 

 

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