2017-07-31

Subject: Teste no Uganda mostra que vale a pena pagar às pessoas para preservar árvores

Teste no Uganda mostra que vale a pena pagar às pessoas para preservar árvores

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@ Nature/Macduff Everton/NGC

Um projeto de dois anos que pagou um total de US$20 mil a 180 pessoas em 60 aldeias ugandesas para que não cortassem árvores nas suas terras valeu bem o que custou, dizem os investigadores. Ao retardar as emissões de dióxido de carbono, os benefícios do projeto para a sociedade correpondem ao dobro dos seus custos.

O estudo, publicado na revista Science, é um exemplo “incrivelmente raro" duma avaliação rigorosa dos esforços para pagar às pessoas para preservar as florestas, diz Shahid Naeem, ecologista na Universidade de Colúmbia em Nova Iorque.

As descobertas não podem necessariamente ser extrapoladas para se concluir que dar mais dinheiro para prevenir o corte de árvores será sempre uma atividade que valha a pena economicamente, diz Naeem. As condições particulares do Uganda podem não ser relevantes noutros locais mas prova que, pelo menos num caso, a estratégia funciona.

Ao longo das últimas duas décadas, alguns países autorizaram biliões de euros de pagamentos em dinheiro para preservar árvores. Em 2008, as Nações Unidas lançaram o programa REDD+ (Reduzir Emissões da Desflorestação e da Degradação da floresta), que permite aos países deduzir as suas emissões pagando às pessoas de outros países para parar a desflorestação.

Mas é difícil dizer se os pagamentos valem a pena, geralmente porque os projetos não são bem avaliados: Naeem foi co-autor de uma análise de 118 projetos que fizeram pagamentos para proteger ecossistemas e descobriu que era impossível julgar a eficácia de 60% deles.

Os projetos podem cair em armadilhas como não verificar se os ecossistemas foram realmente protegidos ou não pagar o suficiente para incentivar as pessoas a preservar as árvores. “Tem havido muitos projetos que esperam que as pessoas façam muito pelo preço de uma Coca Cola”, diz Ina Porras, investigadora de conservação com base nos mercados no Instituto Internacional do Ambiente e do Desenvolvimento em Londres.

Pelo contrário, diz Porras, o estudo ugandês deu pagamentos significativos aos aldeões: cerca de €30 por ano e por hectare de floresta que preservaram, o equivalente, em média, ao montante que teriam ganho cortando as árvores para madeira. O estudo decorreu entre 2011 e 2013 e os aldeões recebiam dinheiro no final de cada ano se tivessem cumprido ao seu contrato.

  No estudo, que foi pago pelo governo do Uganda com fundos das Nações Unidas, uma equipa liderada por Seema Jayachandran, da Universidade Northwestern em Evanston, Illinois, escolheu aleatoriamente aldeias nos distritos ugandeses de Hoima e Kibaale que receberiam pagamentos e usou imagens de satélite para seguir se as árvores eram ou não cortadas. “Podíamos ver todas as árvores", diz ela. “É muito útil quando o padrão de abate de árvores é algumas aqui e outras ali.”A floresta caiu em 4,2% nas 60 aldeias que receberam pagamentos para a preservar, comparado com 9,1% nas 61 aldeias que não receberam.

Com essa base, a equipa de Jayachandran estima que os custos económicos do projeto foram cerca de $0,46 por tonelada de emissões de dióxido de carbono evitada. Isso torna-o mais do que merecedor do dinheiro, dizem: usando estimativas da Agência de Proteção Ambiental (EPA) para determinar os danos causados pelas emissões de dióxido de carbono, um número também conhecido pelo custo social do carbono, eles dizem que os benefícios de retardar as emissões de uma tonelada de dióxido de carbono em dois anos chega a $1,11, mais do dobro dos custos do projeto.

Mesmo que os aldeões tivessem cortado imediatamente as árvores pelas quais tinham recebido dinheiro logo que o projeto terminou, os pagamentos ainda teriam valido a pena, diz Jayachandran, um sinal muito promissor para outros projetos: “Espero que o nosso estudo torne as pessoas mais otimistas sobre o que pode funcionar e e como pode ser medido", diz ela.

 

 

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