2017-07-25

Subject: Vacinas consideradas a melhor forma de acabar com estirpes multirresistentes

Vacinas consideradas a melhor forma de acabar com estirpes multirresistentes

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@ Nature/Steve Gschmeissner/Science Photo Library

A batalha contra os microrganismos resistentes aos antibióticos negligenciou uma arma crucial, dizem os cientistas: o uso das vacinas para acabar com a propagação da resistência.

À medida que as infeções resistentes aos medicamentos se espalham pelo globo, as organizações de saúde pública focaram-se no desenvolvimento de novos tratamentos antimicrobianos e na redução da utilização excessiva dos que já existem para prevenir o surgimento de estirpes resistentes.

Mas não se tem dado atenção suficiente às vacinas como estratégia de defesa, dizem os microbiólogos e os responsáveis pelo desenvolvimento de vacinas, de institutos académicos e farmacêuticas de todo o mundo. O assunto foi discutido num encontro em Wavre, a sede na Bélgica da farmacêutica GSK, em conjunto com financiadores e autoridades reguladoras.

“As vacinas podem ser parte da estratégia geral de combate à resistência antimicrobiana (RAM)”, diz Rino Rappuoli, cientista-chefe na divisão de vacinas da GSK, que organizou o encontro.

Alguns financiadores da saúde global já estão convencidos: Anita Zaidi, diretora de programa na Fundação Bill & Melinda Gates de Seattle, Washington, disse no encontro que a instituição acabou de decidir tornar as vacinas a sua principal estratégia RAM e está em busca de orientações sobre prioridades.

As farmacêuticas investiram enormes somas de dinheiro na caça de novos antibióticos, até agora com resultados desapontantes, salienta Helen Steel, vice-presidente da pesquisa sobre doenças infecciosas da GSK. Steel referiu no encontro que analisou 200 programas de várias companhias, todos com o objetivo de encontrar novos medicamentos, e nem um produziu um novo antibiótico.

Ainda que a busca por novos antibióticos continue, vários estudos salientaram que as vacinas também têm benefícios contra a RAM. As reduzir os casos das doenças, abrandam o surgimento de microrganismos multirresistentes pois estes têm menos oportunidades para se multiplicar e evoluir.

Os investigadores citam, por exemplo, a introdução de vacinas contra as estirpes prevalentes de bactérias Streptococcus pneumoniae na década de 2000, que estudos nos Estados Unidos mostraram menos casos de pneumonia e, simultaneamente, baixou o número de infeções resistentes a antibibióticos da linha da frente, como a penicilina. O mesmo benefício foi visto na África do Sul, quando o país introduziu a vacina contra a pneumonia em 2009, diz James Wassil, vice-presidente para as vacinas na farmacêutica Pfizer.

Mesmo vacinas contra doenças virais, como a gripe, podem ajudar a evitar a utilização excessiva de antibióticas. Muitos antibióticos são prescritos para o tratamento de infeções bacterianas oportunistas que surgem nas pessoas enfraquecidas pela gripe e uma vacina contra a gripe podem reduzir as hipóteses dessas infeções surgirem. Nicolas Van de Velde, diretor de economia da saúde global na GSK, mencionou um teste não publicado sobre vacinas contra a gripe na Europa, em que crianças vacinadas que apanharam gripe usaram metade dos antibióticos contra outras infeções.

 

Para além de defenderem uma distribuição mais alargada das vacinas existentes contra a gripe e a pneumonia, os cientistas estão ansiosos por desenvolver novas vacinas contra outras infeções. As vacinas têm uma vantagem sobre os antimicrobianos pois raramente geram resistências, diz David Livermore, microbiólogo na Universidade de East Anglia em Norwich, Reino Unido. Isso resulta de os antibióticos serem administrados após uma infeção se ter instalado, quando já existe uma densa população de microrganismos a partir da qual evoluem novas estirpes resistentes. As vacinas, pelo contrário, previnem as infeções em primeiro lugar.

Ainda assim, dizem os investigadores, são precisas mais evidências da ação das vacinas contra as RAM para persuadir as autoridades a distribui-las de forma mais generalizada com esse objetivo. No encontro da GSK as farmacêuticas comprometeram-se a unir-se e publicar todos os seus dados sobre o tema e gerar novos dados monitorizando a circulação de estirpes resistentes de bactérias.

Uma forma de começar pode ser verificar se as vacinas existentes têm benefícios inesperados contra as infeções resistentes. Um estudo publicado na revista The Lancet em Julho relatava que uma campanha de vacinação em massa na Nova Zelândia em meados da década de 2000, após um surto de meningite B também pareceu criar proteção contra a gonorreia, uma infeção sexualmente transmissível que se tem tornado cada vez mais resistente aos antibióticos. Isto pode ter acontecido devido ao grau de parentesco próximo entre as bactérias causadoras da meningite e gonorreia.

O desenvolvimento de vacinas é dispendioso mas a demonstração de que são eficazes no combate à resistência antimicrobiana, para além da proteção contra infeções, espera-se que encoraje os governos e organizações de saúde a fornecer mais incentivos às farmacêuticas para fornecerem melhores produtos, por exemplo, garantindo-lhes mercado, diz David Salisbury, antigo secretário-geral do grupo de aconselhamento sobre vacinas da Organização Mundial de Saúde. “

 

 

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