2017-07-23

Subject: Genomas antigos aquecem debate sobre domesticação do cão

Genomas antigos aquecem debate sobre domesticação do cão

Dificuldades em visualizar este e-mail? Consulte-o online!

@ Nature/Vincent Munier/naturepl.com

Investigadores que buscam a origem dos cães modernos revelaram que os canídeos foram domesticados uma única vez, algures entre há 20 e 40 mil anos. Os resultados, publicados na revista Nature Communications, contrariam o controverso estudo de 2016 que sugeria que os cães teriam sido domesticados duas vezes. A última análise também dá peso a pesquisas anteriores que deslocam o momento da domesticação tão para trás como há 40 mil anos.

Todos têm a sua própria ideia sobre onde e quando os cães surgiram, diz Krishna Veeramah, paleogeneticista na Universidade Stony Brook, Nova Iorque, e um dos autores deste último estudo. “Os arqueólogos sugerem uma e os geneticistas outra, as pessoas estão sempre a obter respostas muito diferentes."

Encontrar o momento e a localização precisos para a domesticação do cão há muito que tem sido um desafio devido às evidências aparentemente contraditórias e incompletas. Uma mandíbula com 14700 anos de idade é o fóssil mais antigo de um cão domesticado Canis lupus familiaris mas vestígios do tipo cão podem ter até 35 mil anos. Dados genéticos mostram que os ancestrais de todos os cães modernos se dividiram em duas populações: uma que deu origem às raças do leste asiático e outra que se tornou nos modernos cães europeus, sul e centro-asiáticos e africanos. No entanto, os investigadores continuam a não conseguir identificar o momento em que esta separação ocorreu, nem conseguem concordar se os cães foram domesticados uma ou duas vezes.

A mais recente pesquisa esclarece esclarece um pouco mais o momento da domesticação e a questão da origem única ou dual. Veeramah e os seus colegas estudaram genomas de fósseis de cães neolíticos encontrados em diferentes locais da Alemanha, um do início desse período (há 7 mil anos) e um de há 4700 anos. Também analisaram dados de um espécime de cão com 5 mil anos encontrado na Irlanda. A equipa comparou as sequências genómicas com dados genéticos de 5649 canídeos, incluindo cães modernos e lobos.

Os investigadores estimam que cães e lobos divergiram geneticamente entre há 36900 e 41500 anos e a divergência entre os cães ocidentais e orientais terá sido há 17500 a 23900 anos. Dado que a domesticação tem que ter ocorrido entre estes dois eventos, a equipa data-a algures há 20 a 40 mil anos.

Estas datas desafiam a necessidade da origem dual sugerida no estudo de 2016 publicado na revista Science. Esse trabalho comparava as sequências genéticas de 59 cães antigos, bem como de um canídeo neolítico da Irlanda, e colocava a divergência entre cães ocidentais e orientais entre há 6400 a 14 mil anos. A equipa sugeria que dado que a divergência teria ocorrido milhares de anos depois do primeiro surgimento dos cães na Europa e no oriente, deviam ter existido dois momentos de domesticação que teriam acontecido por volta do mesmo momento.

 

“Realmente não sabemos onde os cães foram domesticados e tanto quanto podemos perceber isso aconteceu apenas uma vez”, diz Pontus Skoglund, geneticista na Faculdade de Medicina de Harvard em Boston, Massachusetts, que tem trabalhado para localizar a domesticação dos cães mas não esteve envolvido em nenhum dos estudos.

Os autores do mais recente estudo reconhecem que o seu estudo não encerrará o debate sobre quando e onde o melhor amigo do Homem terá surgido: “Mais DNA de genomas antigos de cão vai, em última análise, resolver o problema", diz Veeramah.

“Se conseguirmos arranjar outras amostras antigas de todo o mundo isso vai dar-nos uma imagem mais completa da história da população e das origens dos cães", diz Adam Boyko, geneticista na Universidade Cornell em Ithaca, Nova Iorque. Mas precisamos de diversas amostras, não só geograficamente mas temporalmente, diz Boyko, que está a compilar uma base de dados genéticos sobre o cão moderno a partir de canídeos de todo o mundo.

Veeramah, cuja pesquisa se foca principalmente em humanos antigos, considera que aprender mais sobre as origens dos cães modernos pode informar o seu trabalho sobre as pessoas: “Cães e humanos têm uma importante história conjunta."

 

 

Saber mais:

Árvore filogenética revela história escondida da diversidade canina

Genomas antigos sugerem dupla origem para os cães modernos

Genoma de lobo antigo recua ainda mais o surgimento do cão

Scan a cérebros de cães revela respostas vocais

Genomas pré-históricos revelam origem europeia dos cães

Genomas pré-históricos revelam origem europeia dos cães

 

 

Facebook simbiotica.orgTwitter simbiotica.orgPinterest simbiotica.orgInstagram simbiotica.orgYouTube simbiotica.org

 

Arquivo  |  Partilhar Comentar |   Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  Subscrever | @ simbiotica.org, 2017


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com