2017-07-12

Subject: Plantas transformam lagartas em canibais

Plantas transformam lagartas em canibais

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@ Nature/Visuals Unlimited/NPL

Não é invulgar as pragas de insetos banquetearem-se umas com as outras, para além do seu hospedeiro vegetal, mas nunca tinha sido demonstrado que os tomateiros se podem juntar para diretamente levar as lagartas ao canibalismo.

“Este é um novo mecanismo ecológico de resistência induzida que efetivamente altera o comportamento dos insetos", explica Richard Karban, que estuda as interações entre herbívoros e as suas plantas hospedeiras na Universidade da Califórnia, Davis, e não esteve envolvido no estudo.

As pragas de herbívoros viram-se umas contra as outras com frequência, especialmente quando o alimento acaba ou se torna de qualidade inferior. Algumas plantas são conhecidas por afetar o comportamento das suas pragas tornando-as mais predadoras para outras espécies mas, até agora, não era claro se as plantas podiam causar diretamente o canibalismo em lagartas.

O biólogo integrativo John Orrock e os seus colegas na Universidade do Wisconsin, Madison, desencadeou uma reação defensiva me tomateiros Solanum lycopersicum expondo-os a diversas quantidades de metil jasmonato (MeJA). Este é um composto químico que as plantas libertam para o ar envolvente para se alertarem umas às outras do perigo de pragas. Quando alertadas pelo MeJA, os tomateiros respondem produzindo toxinas que as tornam menos nutritivas para os insetos.

Seguidamente, os investigadores permitiram que as lagartas de uma praga vulgar, a lagarta do cartucho Spodoptera exigua, atacassem a cultura. Oito dias depois, observaram que as plantas que tinham recebido maior quantidade de MeJA tinham perdido menos biomassa quando comparadas com plantas de controlo ou com as que tinham recebido uma indução inferior. Isto mostrou que a reação era, de alguma forma, eficaz na proteção das plantas.

Seguidamente, a equipa quis testar se a resposta das plantas estava a desencadear comportamento canibal nas lagartas. Assim, induziram os tomateiros com MeJA e ofereceram folhas de plantas induzidas e de plantas controlo não induzidas a lagartas individualmente em compartimentos que também continham um conjunto de lagartas mortas.

  Dois dias depois, a equipa observou que as lagartas alimentadas com folhas de plantas tratadas se tinham voltado para as lagartas mortas e tinham devorado maior número delas do que as alimentadas com plantas controlo. Os resultados foram publicados na revista Nature Ecology & Evolution.

As lagartas eventualmente acabam sempre por se comer umas às outras mas a diferença no tempo é crítica, diz Orrock, “se as plantas podem induzir as pragas a comerem-se umas às outras mais cedo, maior quantidade de folhas permanecerá intocada”. No entanto, ele também alerta que o custo para a planta de ativar as suas defesas é muito alto: “É muito possível que as plantas atinjam um equilíbrio e decidam se o ataque é suficientemente grave para ativar as defesas."

Anurag Agrawal, que estuda interações entre plantas e animais na Universidade de Cornell em Ithaca, Nova Iorque, considera que o estudo sugere que os agricultores podem promover o canibalismo como estratégia de controlo de pragas. “Ainda assim, em algumas condições de campo, os canibais podem ser mais aptos que os não canibais, logo é preciso estar atento a isso", acrescenta ele. “Não queremos encorajar o surgimento de super-pragas."

 

 

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