2017-07-10

Subject: Vacinas personalizadas contra o cancro dão vislumbre de sucesso

Vacinas personalizadas contra o cancro dão vislumbre de sucesso

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@ Nature/BSIP/UIG via Getty Images

As vacinas criadas para se adequarem às mutações cancerígenas específicas de uma pessoa em particular parecem ter afastado tumores num punhado de pacientes, revelam dois pequenos testes clínicos.

As vacinas são descritas em artigos publicados na revista Nature e são os primeiros a relatar que a abordagem, que está a ganhar apoio na academia e na indústria, pode combater o cancro em humanos. Eles também fornecem pistas sobre formas de aumentar o poder das vacinas combinando-as com tratamentos que têm como alvo o sistema imunitário, as chamadas imunoterapias.

“É potencialmente uma mudança completa", diz Cornelis Melief, imunologista do cancro no Centro Médico da Universidade de Leiden, Holanda, e autor de um comentário que acompanha os artigos. “Os dois artigos indicam fortemente que os pacientes tiveram benefícios clínicos."

Em princípio, as vacinas são semelhantes às usadas contra doenças infecciosas: componentes únicos de um invasor, células cancerosas neste caso, são misturados com agentes que estimulam respostas imunitárias. A mistura é injetada no paciente, na esperança de desencadear um ataque imunitário suficientemente forte para vencer o invasor.

Mas para vacinas contra o cancro personalizadas, os componentes são adequados a cada paciente e administradas depois do cancro já ter aparecido, em vez de ter como objetivo prevenir a sua ocorrência.

Nos estudos, os investigadores começaram a sequenciar os genes que codificam proteínas no tumor de cada paciente. Selecionaram proteínas mutantes que tinham maior probabilidade de gerar uma resposta imunitária e usaram-nas como base das suas vacinas.

Um grupo, liderado por Catherine Wu, do Instituto Dana-Farber do Cancro em Boston, Massachusetts, tratou seis pessoas com melanoma, um tipo de cancro de pele. Para cada pessoa, formularam uma vacina contendo até 20 fragmentos proteicos correspondentes a mutações nos seus tumores. Os participantes, que removeram cirurgicamente os seus tumores, tinham sido considerados em alto risco de ressurgimento do cancro mas só nesse caso é que receberiam mais tratamento. O ressurgimento geralmente ocorre em cerca de metade dos pacientes com melanoma, diz Wu.

Dois anos depois, quatro desses pacientes não tinham tido ressurgimentos e apesar dos tumores terem crescido nos restantes dois pacientes, ambos sofreram remissão completa quando subsequentemente tratados com com um medicamento que impede o sistema imunitário de bloquear a proteína PD-1.

O segundo grupo, liderado por Ugur Sahin, médico que estuda imunologia de tumores e genómica do cancro na Universidade Mainz, Alemanha, tratou 13 pacientes com melanoma com vacinas contendo RNA codificando até 10 proteínas mutadas de cada paciente. Os oito pacientes que não apresentavam tumores visíveis no momento da vacinação continuavam da mesma forma mais de um ano depois.

Os tumores dos restantes cinco pacientes tinham-se já propagado quando receberam a vacina mas encolheram em dois deles, ainda que posteriormente tenha havido um ressurgimento. Um terço sofreu remissão total depois de tratados com um inibidor da PD-1.

 

As vacinas personalizadas contra o cancro já tinham demonstrado provocar respostas imunitárias em humanos mas os novos testes são os primeiros a avaliar se estas respostas imunitárias podem combater os tumores com sucesso. Os números são pequenos e não houve grupo de controlo mas os resultados são encorajadores, diz Robert Schreiber, imunologista do cancro na Universidade de Washington em St Louis, Missouri. Já decorrem testes maiores, salienta ele, e os investigadores estão particularmente interessados em combinar as vacinas com inibidores de PD-1: “Estou convencido que as vacinas personalizadas são o caminho a seguir."

Os desafios são muitos, no entanto. Ambas as equipas levaram três meses a formular e manufaturar as suas vacinas, demasiado para atrasar o tratamento de muitos cancros, mas também dizem ser possível acelerar o processo. Wu estima poder encurtar o tempo para seis semanas.

Também não é claro que tipos de cancro irão responder a esta abordagem. As vacinas contra o cancro podem funcionar melhor se tiverem como alvo várias mutações, para reduzir as hipóteses de um tumor se tornar resistente ao perder um dado tipo de mutação. Os genomas do melanoma tendem a ter muitas mutações, dando aos investigadores um leque de opções para as vacinas mas alguns cancros terão menos vias de ataque: “Temos que pensar como poderemos lançar um ataque com muitas valências", diz Wu.

Com uma onda de testes clínicos na calha, os investigadores irão gradualmente perceber que cancros se adequam a esta abordagem e qual a melhor forma de combinar as vacinas com outros tratamentos, diz Sahin. “Estamos a entrar na próxima fase de imunoterapia racional do cancro", diz ele.

 

 

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