2017-07-09

Subject: Gonorreia incurável em ascensão por todo o mundo

Gonorreia incurável em ascensão por todo o mundo

Dificuldades em visualizar este e-mail? Consulte-o online!

@ Nature/Science Photo Library

A gonorreia está a tornar-se tão incurável como era na década de 1920, antes serem descobertos os primeiros medicamentos para a tratar. Mais de 60% dos países analisados por todo o mundo relataram casos de resistência a antibióticos de último recurso, revelou uma comunicação da Organização Mundial de Saúde  (OMS) a 6 de julho. O comunicado incluiu informação sobre o desenvolvimento de um novo medicamento para a gonorreia.

Desde a década de 1930, várias classes de antibióticos foram usadas para matar a bactéria causadora da gonorreia, a Neisseria gonorrhoeae. A (má) utilização destes medicamentos, no entanto, conduziu ao surgimento de estirpes resistentes aos antibióticos: “A melhor altura para ter gonorreia foi na década de 1980 pois tínhamos muitos medicamentos para a tratar", diz Ramanan Laxminarayan, diretor do Centro de Dinâmica de Doenças, Economia e Política em Washington DC. Cada vez mais isso deixou de ser assim, acrescenta ele.

As agências de saúde dos Estados Unidos, Europa e Canadá assinalaram nos últimos anos a gonorreia multirresistente como uma ameaça crescente. Se não for tratada, a gonorreia pode aumentar o risco de uma mulher contrair uma infeção por HIV e sofrer de infertilidade ou ter uma gravidez ectópica, entre outros efeitos. Quando a OMS de associou à iniciativa Medicamentos para Doenças Negligenciadas (DNDi), uma organização não governamental de Genebra, Suíça, em maio de 2016, para confrontar a resistência antimicrobiana, a gonorreia estava no topo da lista.

De acordo com um artigo publicado na revista PLoS Medicine, há uma resistência robusta a três tipos vulgares de antibióticos receitados para a gonorreia. Dos países analisados, 97% dos casos relatados eram resistentes ao ciprofloxacin, o tratamento mais barato e mais disponível, 81% relataram casos resistentes à azitromicina e 66% às cefalosporinas.

Numa busca por novos tratamentos, a DNDi “procurou medicamentos que tinham ficado parados no processo por falta de viabilidade económica", diz Manica Balasegaram, chefe da parceria antimicrobiana. Os decisores estão a perceber que os antibióticos têm que ser usados esporadicamente, o que não interessa a um fabricante de medicamentos, diz ele.

O grupo já se tinha apercebido da lentidão com que a zoliflodacina, o primeiro medicamento de uma nova clase de antibióticos, estava a progredir através da sequência de aprovação. A Entasis Therapeutics, uma companhia de biotecnologia de Waltham, Massachusetts, que detém o medicamento, dependia de financiamento público dos Institutos Nacionais de Saúde americanos para realizar um teste de fase II do zoliflodacina em 2015.

  Apesar dos resultados do teste mostrarem que a maioria dos pacientes tratados com o medicamento ficavam curados da gonorreia, Balasegaram diz que a falta de investimento travou o progresso do medicamento.

Agora, a DNDi e a Entasis anunciaram o lançamnto do teste de fase III da zoliflodacina envolvendo cerca de 650 pacientes na África do Sul, Estados Unidos e Tailândia, entre outros países. A equipa espera começar em novembro de 2018 e, se o medicamento for aprovado pelos reguladores, a Entasis vai permitir que os fabricantes de genéricos vendam o medicamento na maioria dos países de baixos e médios recursos. A Entasis reterá a exclusividade do tratamento nos países com recursos elevados e a DNDi vai financiar estudos de saúde pública para descobrir os melhores meios de garantir que os medicamentos são são excessivamente usados.

No entanto, os estudos não satisfazem Laxminarayan. Ele gostaria que os grupos lançassem novos antibióticos juntamente com um teste que que garanta que as pessoas só seriam tratadas se tiverem gonorreia resistente às alternativas existentes. A DNDi diz que está a procurar uma ferramenta de diagnóstico simples como essa mas ainda não a encontrou. “Sim, precisamos de um novo medicamento", diz Laxminarayan, “mas sem um teste de diagnóstico rápido, este medicamento terá o mesmo destino que os outros.”

 

 

Saber mais:

Vírus modificados levam morte a bactérias resistentes a antibióticos

Resistência a antibiótico de último recurso alastrou mais do que se antecipava

Coligação global para lidar com doenças tropicais negligenciadas

A bactéria multirresistente que mais ameaça a nossa saúde

Aumentam os receios sobre o próximo passo da febre amarela

Vacina contra Dengue brilha em teste pioneiro

 

 

Facebook simbiotica.orgTwitter simbiotica.orgPinterest simbiotica.orgInstagram simbiotica.orgYouTube simbiotica.org

 

Arquivo  |  Partilhar Comentar |   Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  Subscrever | @ simbiotica.org, 2017


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com