2017-06-28

Subject: Pistolas de pressão de ar usadas em prospeção em alto mar matam zooplâncton

Pistolas de pressão de ar usadas em prospeção em alto mar matam zooplâncton

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@ Nature/Christian Åslund/Greenpeace

As poderosas ondas sonoras criadas durante a prospeção de petróleo e gás podem matar o zooplâncton da base da cadeia alimentar marinha, revela um estudo agora conhecido. Esses efeitos letais chegam muito mais longe do que os ecologistas antes assumiam, pelo que os investigadores temem que esses danos ao zooplâncton se reflitam nos predadores de topo e em espécies comercialmente importantes, que dele dependem.

As sondagens sísmicas disparam ar comprimido para para produzir impulsos sonoros que sondam o fundo do mar, milhares de metros abaixo, em busca de recursos naturais.  Com 220 a 250 decibéis, os impulsos produzidos por estas pistolas de pressão de ar são mais ruidosas que um foguete Saturn V durante o lançamento.

Há décadas que os cientistas sabem que baleias e outros mamíferos marinhos que usam o som para comunicar alteram o seu comportamento em resposta a este tipo de ruído e há cada vez mais evidências de que as sondagens sísmicas também afetam peixes e invertebrados marinhos.

Agora, os investigadores descobriram que o ruído das pistolas de pressão de ar consegue matar zooplâncton a uma distância até 1,2 km, mais de duas ordem de grandeza acima do que antes se pensava. Os seus resultados foram publicados na revista Nature Ecology and Evolution: “Ficámos estupefactos”, refere o autor principal Jayson Semmens, biólogo marinho na Universidade da Tasmânia em Hobart, Austrália.

Semmens e a sua equipa conduziram o seu estudo ao largo da costa sudeste da Tasmânia em 2015. Usaram sonar e redes para avaliar as populações de zooplâncton, incluindo larvas de krill e copépodes, antes e depois de disparar uma série de disparos de pressão de ar. A equipa descobriu que a abundância de zooplâncton caiu 64% no espaço de uma hora após os disparos. A proporção de zooplâncton morto aumentou 200 a 300% numa distância até 1,2 km, a distância máxima amostrada. Isto sugere que o impacto dos disparos pode estender-se bem para além dessa distância, diz Semmens.

“Os cadáveres nas redes de arrasto não mentem”, diz Doug Nowacek, ecologista marinho no Laboratório Marinho da Universidade Duke em Beaufort, Carolina do Norte, que não esteve envolvido no estudo. Ele sugere que a próxima questão para os investigadores é perceber o que isto significa para os ecossistemas marinhos: “Se começarmos a causar impactos negativos à população de zooplâncton, isso pode causar um efeito cascata sério por toda a cadeia alimentar."

Os resultados chegam no momento em que o presidente americano Donald Trump está a propor abrir vastas extensões da costa atlântica dos Estados Unidos às sondagens sísmicas. O Departamento americano de Gestão da Energia Oceânica está a analisar pedidos de autorização de seis companhias para a realização de sondagens sísmicas, que já foram negados pela administração de Barack Obama.

 

Como parte desse processo, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) também deve analisar os pedidos de autorização pois as suas propostas atividades podem afetar mamíferos marinhos. Os pedidos à NOAA estão abertos a comentários públicos até 6 de julho.

Apesar de não ser claro se as companhias serão capazes de iniciar as sondagens sísmicas, iniciar o processo de autorização é parte de um esforço maior, exposto numa ordem executiva emitida por Trump em Abril, para expandir o desenvolvimento de energia em mar alto americano.

@ Nature/Wim Van Egmond/SPLO estudo não definiu exatamente de que forma os disparos de pistola de pressão de ar matam o zooplâncton, diz Semmens, mas o ruído que produzem provavelmente danifica os recetores altamente sensíveis que os animais usam para navegar. Os disparos podem não os matar diretamente mas podem desorientá-los e dificultar-lhes a sobrevivência.

Semmens está a planear um estudo de seguimento com uma pistola de pressão de ar semelhante à usada em atividades industriais para determinar até onde os efeitos do ruído realmente chegam. Ele e a sua equipa também pretendem analisar o que esses disparos fazem, fisicamente, ao zooplâncton pois, apesar da maior parte das pesquisas sobre o impacto das pistolas de pressão de ar ser feita em mamíferos marinhos, talvez sejam os invertebrados que estão em maior risco.  

 

 

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