2017-06-27

Subject: Dentes contam história da rápida dispersão dos hipopótamos em África

Dentes contam história da rápida dispersão dos hipopótamos em África

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@ Nature/Getty Images

Rápido, gigantesco e mortífero, o hipopótamo é o rei dos rios africanos. Agora, fósseis sugerem que os hipopótamos chegaram ao poder rapidamente e que alterações na vegetação ajudam a conduzir a sua ascensão.

Uma análise de dentes escavados de um local etíope sugere que os hipopótamos passaram de atores secundários a estrelas principais nos rios em menos de 1,5 milhões de anos. Pesquisas anteriores tinham estabelecido que os hipopótamos explodiram em abundância e diversidade algures na sua história mas quando e durante quanto tempo ocorreu esse evento era desconhecido.

O último estudo conclui que o evento começou há cerca de 8 milhões de anos, à medida que novos tipos de ervas se espalhavam por África. Este momento apoia a teoria de que a ascensão do hipopótamo está associada, pelo menos em parte, à propagação destas ervas. Atualmente, o hipopótamo Hippopotamus amphibius permanece na água durante o dia, emergindo à noita para terra em busca de vegetação, especialmente ervas.

“Graças a este local, podemos documentar de que forma este surto repentino de hipopótamos ocorreu no registo fóssil", diz o coautor Jean-Renaud Boisserie, paleontólogo no Centro Nacional de Investigação Científica de França em Poitiers e no Centro Francês de Estudos Etíopes em Addis Ababa. “Para mim é claro que a expansão do hipopótamo está realmente relacionada com esta alteração de vegetação." A alteração, provavelmente associada a alterações no clima, estimulou o desenvolvimento de plantas que toleram clima quente e seco.

Os fósseis foram escavados ao longo da última década por uma equipa japonesa e etíope trabalhando em Chorora, Etiópia. Os fósseis era basicamente dentes mas estes eram suficientemente distintos para permitir reconhecer novas espécies, explica Boisserie. A estrela do espetáculo é o Chororatherium roobii, uma nova espécie batizada a partir do termo local para hipopótamo. O animal viveu há cerca de 8 milhões de anos e deveria passar a maior parte do seu tempo na água. Pesava cerca de metade dos 1400 kg do hipopótamo.

Os dentes do Chororatherium roobii têm semelhanças com os do Kenyapotamus, um outro hipopótamo mais antigo e mais primitivo. Ainda assim, também apresentam características modernas, como o padrão de cristas nos molares inferiores. O esmalte mais espesso dos dentes do C. roobii deve ter sido adequado para que se alimentasse de ervas, apesar de os investigadores não terem a certeza de qual era a dieta do animal. Estas características marcam o C. roobii como o primeiro hipopótamo moderno, diz Boisserie, e uma espécie de transição entre os animais arcaicos antes de si e os hipopótamos maiores que começaram a surgir meio milhão de anos depois.

 

A riqueza em fósseis de Chorora ajudou Boisserie e a sua equipa a cartografar a subida até à proeminência dos hipopótamos. Os vestígios dos hipopótamos representam apenas 6% dos fósseis num estrato de há 8,5 milhões de anos mas os animais representam mais de 30% dos espécimes identificados com 7,6 milhões de anos ou mais jovens, o que é comparável a locais fossilíferos com a mesma idade no Quénia e no Chad.

A análise ajuda os investigadores a aproximar-se do momento em que os hipopótamos começaram a dominar os cursos de água africanos, diz o antroólogo biológico Colin Groves, da Universidade Nacional da Austrália em Camberra. A ideia de que as ervas desempenharam um papel “parece uma boa hipótese", acrescenta ele, “algo tinha que ter provocado a o seu florescimento tão rápido."

Mas as descobertas obtidas a partir dos dentes podem ser revertidas se os investigadores descobrirem outros vestígios, refere Eleanor Weston, paleontóloga de mamíferos independente no Reino Unido. Um maxilar ou um crânio “podem alterar completamente a história", diz ela. Boisserie concorda que isso é possível mas considera que os dentes do C. roobii têm exatamente o aspeto que seria de esperar num animal que conduzisse às atuais espécies de hipopótamo.

O Chororatherium roobii pode ter diferido dos seus primos atuais num aspeto importante: o atual hipopótamo é famoso por matar humanos e até crocodilos mas o Chororatherium roobii pode ter sido menos perigoso, considera Boisserie, pois era mais pequeno pois não há forma de sabermos se teria um temperamento menos irrascível.

 

 

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