2017-06-16

Subject: Morcegos são reservatório de mortíferos coronavírus

Morcegos são reservatório de mortíferos coronavírus

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@ Nature/Alex Hyde/NPL

Os morcegos são um importante reservatório animal de coronavírus em todo o mundo, revela um censo de milhares de animais realizado em África, Ásia e Américas. Os morcegos já tinham antes sido associados a coronavírus que surtos do síndroma respiratório severo agudo (SARS) e vírus respiratório do Médio Oriente (MERS) mas, até agora, os investigadores não tinham a certeza se se tratava de uma coincidência ou um sinal de uma tendência mais vasta.

As novas descobertas sugerem que os investigadores que estudam doenças infecciosas podem melhorar as suas predições de onde os coronavírus podem dar o salto de animais para humanos olhando para a distribuição geográfica das diferentes espécies de morcegos e o comportamento dos vírus que transportam.

“É tempo de parar de ficarmos apenas pela reação", diz Simon Anthony, virologista na Universidade de Colúmbia em Nova Iorque e autor principal do estudo agora publicado na revista Virus Evolution. “Temos que ter uma abordagem diferente e mais proativa ao compreender a diversidade de vírus antes deles emergirem." O estudo foi financiado pela Agência americana para o Desenvolvimento Internacional, através de um programa que tem como objetivo prevenir pandemias de vírus que passem de animais para o Homem.

Os coronavírus chegaram às primeiras páginas em 2002, quando o SARS surgiu na China e se propagou a 27 países, matando 774 pessoas. Em 2012 o coronavírus que provoca o MERS emergiu na Arábia Saudita e 640 pessoas morreram. Estudos anteriores já tinham sugerido que os morcegos tinham passado o vírus aos camelos, que depois o passaram aos humanos.

Para mapear a distribuição dos coronavírus, Anthony e os seus colegas capturaram e libertaram cerca de 12300 morcegos, 3400 roedores e musaranhos e 3500 macacos. O seu trabalho levou-os a 20 países em África, Ásia, Américas Central e do Sul que tinham sido anteriormente identificados como pontos quentes onde as doenças poderiam saltar de animais selvagens para humanos.

Ao lusco-fusco, equipas de biólogos recolheram morcegos que voavam contra redes finas penduradas entre as árvores. Recolheram amostras da saliva, urina e fezes dos animais e enviaram-nas para laboratórios para testes genéticos.

Perto de 10% dos morcegos transportavam coronavírus, quando comparados com 0,2% dos outros animais amostrados, e a equipa descobriu que a diversidade de vírus era mais elevada em locais onde viviam várias espécies de morcegos, como no Amazonas.

Ainda assim, a diversidade de morcegos por si só não é um indicador de risco pois apenas uma fração dos coronavírus infetam humanos. Um indício de que um agente patogénico pode saltar para humanos é o seu histórico de saltos entre espécies afastadas filogeneticamente. Anthony e os seus colegas observaram que os coronavírus de África se tinham espalhado por espécies de morcegos não relacionadas quatro vezes mais frequentemente do que vírus no México, Brasil, Bolívia e Peru. Isto pode dever-se a diferenças dos coronavírus presentes em cada região ou à forma como espécies díspares de morcegos interagem nas diferentes florestas.

  “É muito interessante que os vírus na América Latina não saltem tanto”, diz Vincent Munster, virologista no Laboratório das Montanhas Rochosas dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos em Hamilton, Montana. “Vale a pena estudar mais."

Anthony considera que o próximo passo é saber mais sobre vírus que saltam entre espécies hospedeiras e sobre os que não o fazem. Por exemplo, num estudo publicado na mBio, a sua equipa mostrou que um vírus, fortemente aparentado com o MERS e encontrado num morcego no Uganda, não se consegue ligar aos recetores das células humanas em laboratório. Por essa razão, o vírus não é a ameaça para a saúde humana.

Mas alguns cientistas que estudam doenças infecciosas defendem uma abordagem mais pragmática. Michael Osterholm, diretor do Centro de Investigação de Doenças Infecciosas e Políticas da Universidade do Minnesota em Minneapolis, considera que investigadores e políticos devem dirigir os seus recursos limitados no bloqueio de novos surtos de agentes conhecidos por serem mortais para o Homem, em vez de tentar prever que vírus será o próximo a saltar para humanos.

Osterholm considera,  por exemplo, que é provável que surja em breve um surto de MERS no leste de África pois o comércio de camelos liga a região à Arábia Saudita. Devido a este risco, ele considera o desenvolvimento de uma vacina para o MERS é uma prioridade de investigação. E apesar de existir uma vacina para o ébola próxima da clínica, apenas é eficaz contra a estirpe do Zaire.

“Não estamos muito melhor preparados para o ébola hoje do que estávamos durante a crise na África ocidental", diz Osterholm. “Se não nos estamos a preparar para surtos que sabemos irão acontecer num futuro próximo, de que serve sabermos sobre eventos de salto entre espécies?"

Anthony defende que ambas as estratégias são vitais: “Se alguma vez quisermos estar à frente da curva precisamos de saber mais sobre o processo de emergência.”

 

 

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