2017-06-15

Subject: Emerge uma nova perspetiva do sistema imunitário fetal

Emerge uma nova perspetiva do sistema imunitário fetal

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@ Nature/Dopamine/SPL

Um feto humano no segundo trimestre de gravidez está extremamente atarefado: está a desenvolver a pele e os ossos, bem como a capacidade de ouvir e engolir e faz progressos nos primeiros movimentos peristálticos. Mas agora, um estudo publicado na revista Nature revela que os fetos também estão a adquirir um sistema imunitário funcional, um sistema capaz de reconhecer proteínas estranhas mas menos dado a partir ao ataque que o dos adultos.

Os resultados vêm somar-se a um crescente corpo de literatura que mostra que o sistema imunitário fetal é mais ativo do que antes se pensava: “Nos manuais o conceito do feto não reativo continua a prevalecer", refere o imunologista Jakob Michaelsson, do Instituto Karolinska de Estocolmo. Mas o sistema imunitário fetal é único, diz ele, “não é apenas imaturo, é especial".

Um feto em desenvolvimento está constantemente exposto a proteínas e células estranhas, que são transferidas através da placenta pela mãe. Nos humanos, esta exposição é mais extensa que em muitos outros mamíferos, explica o imunologista Mike McCune, da Universidade da Califórnia, San Francisco. Em resultado, os ratos de laboratório são um fraco modelo para o estudo do desenvolvimento do sistema imunitário fetal no Homem.

Mas compreender a fundo esse desenvolvimento pode revelar as razões para alguns abortos espontâneos, bem como explicar complicações como a pré-eclampsia, que está associada a respostas imunitárias anormais à gravidez e provoca até 40% dos nascimentos prematuros. Os cirurgiões de transplante de órgãos estão há muito interessados na forma como o feto em desenvolvimento e a sua mãe se toleram um ao outro sem desencadearem um ataque imunitário, a esperança é descobrir formas de suprimir a resposta imunitária a órgãos transplantados.

Para Jerry Chan, obstetra e ginecologista no Hospital Pediátrico e Feminino KK em Singapura, a compreensão do sistema imunitário fetal foi importante para o seu objetivo de desenvolver tratamentos com células estaminais e terapias genéticas para perturbações genéticas do desenvolvimento. Chan quis saber se haveria um estádio do desenvolvimento em que esses tratamentos pudessem ser dados sem risco de as próprias terapias serem alvo de ataques do sistema imunitário.

Para o fazer, Chan fez uma parceria com o imunologista Florent Ginhoux, da da Agência para a Ciência, Tecnologia e Investigação de Singapura, para estudar células dendríticas, células imunitárias que destroem o material estranho e apresenta os fragmentos às células T. Algumas dessas células T são depois ativadas para destruir o material estranho.

A equipa descobriu que os fetos humanos têm células dendríticas funcionais às 13 semanas de gestação mas, apesar de se comportarem da mesma forma que as suas versões adultas, a sua resposta a proteínas humanas estranhas é diferente: em vez de marcarem o material estranho para destruição, as células dendríticas fetais têm maior probabilidade de ativar células T reguladoras, que suprimem a resposta imunitária.

  Isto pode refletir a necessidade de evitar uma resposta imunitária catastrófica contra as células maternas: “É algo que não se quer nesta fase do feto em desenvolvimento", diz Ginhoux. “É muito perigoso pois estamos num ponto crítico do desenvolvimento."

Estudos anteriores tinham revelado células imunitárias especializadas, incluindo células T e células natural killer, em fetos com apenas 9 semanas, recorda Ginhoux. as a questão das células dendríticas é particularmente importante pois estas células orquestram a resposta imunitária, diz Michaelsson. Sem elas, o corpo não consegue identificar os materiais específicos para destruição.

Os resultados salientam o facto de que o sistema imunitário fecal não é meramente imaturo e uma versão menos ativa do adulto, mas tem uma função distinta, diz o imunologista de transplantação William Burlingham, da Universidade do Wisconsin, Madison.

O laboratório de Burlingham tem estado a estudar as respostas imunitárias fetais como meio de ajudar os recetores de transplantes a tolerar os seus novos órgãos sem imunossupressores mas problemas políticos nos Estados Unidos sobre a utilização de tecido fetal em investigação tem dificultado o estudo da imunidade no recém-nascido, que se comporta mais como o do adulto.

O estudo da Nature salienta como esta alteração pode ter um custo em muitas áreas de investigação, diz McCune. “É importante para nós compreender a função do sistema imunitário fetal humano para podermos tratar os fetos com problemas", diz ele, "A análise das células do adulto e do recém-nascido, como agora sabemos, é irrelevante porque o sistema imunitário fetal é diferente."

 

 

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