2017-05-21

Subject: Tumores com centenas de anos oferecem raras pistas sobre cancro

Tumores com centenas de anos oferecem raras pistas sobre cancro

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@ Nature/Eye of Science/Science Photo Library

Enterrados nos arquivos na cave do Hospital Pediátrico Great Ormond de Londres estão os registos dos pacientes que o investigador do cancro  Sam Behjati espera transportem o trabalho passado do hospital para o futuro. ele e os seus colegas publicaram agora o resultado: as sequências de DNA do genoma de 3 amostras de tumores infantis recolhidas nas suas instalações há quase um século.

Estas células históricas ajudam a lidar com um problema moderno: o reduzido número de amostras de cancros raros disponíveis para os investigadores sequenciarem. Behjati conhece muito bem este problema pois, no Instituto Wellcome Trust Sanger em Hinxton, Reino Unido, ele segue os problemas genómicos que podem conduzir aos raros tumores infantis. Como alguém que também trata pacientes, ele tem-se sentido frustrado pela escassez de evidências que apoiem a sua prática.

"Os regimes de tratamento para crianças com cancros raros são basicamente inventados, explica Behjati. “Se temos três ou quatro pacientes num país, como é que alguma vez consegues fazer um teste clínico razoável?"

Para expandir o leque de amostras que podia sequenciar, ele decidiu em 2014 aproveitar os avanços da sequenciação genética que permitiram sequenciar DNA de amostras patológicas com décadas de idade. O arquivo do hospital com 165 anos de amostras e registos de pacientes forneceu a oportunidade para se ver até onde se conseguiria chegar.

O trabalho salienta o tesouro de material que está disponível neste tipo de arquivos, diz Danielle Carrick, diretora de programa no Instituto Nacional do Cancro de Rockville, Maryland. Analisar estes arquivos pode expandir as opções de estudo de doenças raras e populações étnicas pouco estudadas, tornando possíveis estudos com grandes populações.

Os investigadores analisaram DNA de espécimes muito mais antigos: fragmentos de sequências genéticas foram usados para estudar populações humanas antigas com milhares de anos mas o DNA tende a degradar-se com o tempo e os investigadores do cancro precisam de sequências de alta qualidade para identificar as muitas mutações individuais que podem contribuir para o crescimento de um tumor.

O hospital Great Ormond foi fundado em 1852 à custa de donativos recolhidos principalmente pelo conhecido autor Charles Dickens. Behjati e o patologista Neil Sebire, do Instituto de Saúde Infantil do Hospital Great Ormond no University College de Londres, dirigiram a sua equipa a procurar nos arquivos amostras da década de 1920 pois a terminologia usada na época para classificar os tumores era mais facilmente comparável com os diagnósticos modernos.

A equipa analisou o registo dos pacientes, um muito usado tomo com o nome, número e diagnósticos dos pacientes, tudo escrito à mão numa caligrafia compacto e precisa. As amostras chegavam numa pequena caixa de cartão com dúzias de blocos cúbicos de parafina do tamanho de uma unha, com o número do paciente escrito à mão numa das faces. Em cada bloca de cera estava uma amostra conservada numa solução de formaldeído que a preservava e tornava rígida.

Sebire e os seus colegas recolhiam os blocos que precisavam, cortavam e coloriam os tecidos, seguindo técnicas que têm mais de um século de idade. O que mudou dramaticamente, no entanto, é o tratamento do cancro. As crianças com cancro que vinham para o Great Ormond na década de 1920 tinham poucas opções para além da cirurgia, a quimioterapia estava a décadas de distâncias. Na ausência de métodos de imagem modernos, as crianças diagnosticadas frequentemente já tinham a doença num estado avançado, cm tumores suficientemente grandes para sem palpados pelos médicos.

  Behjati espera que estes tumores possam agora ajudá-lo a ele e a outros a desenvolver melhores opções para futuros pacientes. A equipa recolheu três amostras: uma de um cancro muscular conhecido por rabdomiosarcoma, uma de um cancro dos vasos sanguíneos conhecido por hemangioma celular capilar e uma de um linfoma. Depois de confirmarem os diagnósticos originais usando as lâminas coradas, a equipa extraiu DNA da restante amostra e sequenciou 366 genes em cada uma. Descobriram mutações associadas ao cancro em todas as três amostras.

Ele tenciona continuar a procurar na coleção do hospital Great Ormond e seguidamente, talvez, nos arquivos de outros hospitais em busca de relíquias dos tumores infantis. À medida que a sua coleção cresce, irá procurar aspetos comuns e potenciais alvos para medicamentos.

Os cancros infantis podem ser particularmente bons para esta abordagem, salienta Sebire. Os genomas dos cancros adultos estão frequentemente danificados por centenas de mutações, enquanto os genomas dos tumores infantis tendem a conter menos mutações. Isto torna mais fácil para os investigadores localizar essas mutações mais importantes e eliminar o ruído de fundo do DNA degradado.

Mas com estas amostras com séculos de idade a ganharem utilidade moderna, as técnicas patológicas usadas para as criar estão a desaparecer, acrescenta ele. Não deverá ser daqui a muito tempo, prevê Sebire, que os laboratórios de patologia deixem completamente de usar microscópios a favor de instrumentos de sequenciação rápida do DNA e das proteínas e que identificam metabolitos. “O processo não mudou muito em mais de 100 anos", recorda ele, “mas quando me reformar é provável que nada disto seja necessário."

 

 

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