2017-05-14

Subject: Primeiro teste na vida real para vacina contra ébola em surto emergente

Primeiro teste na vida real para vacina contra ébola em surto emergente

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@ Nature/Jane Hahn/Washington Post

Um surto de ébola emergiu na República Democrática do Congo (RDC), revelou a Organização Mundial de Saúde (OMS) a 12 de maio. As autoridades congolesas relataram nove casos supeitos de infeção por ébola nas últimas três semanas, a OMS confirmou um e os testes estão em curso para os outros. Por isso, os prestadores de cuidados de saúde estão a considerar aplicar uma vacina experimental contra o ébola no surto, pela primeira vez desde que a OMS deu a sua aprovação preliminar em abril.

Os Médicos sem Fronteiras (MSF) estão a debater uma potencial campanha de vacinação com o governo congolês, o que exigiria uma aprovação por parte da OMS, que ainda não decidiu se vai apelar ao uso da vacina experimental ou outras em desenvolvimento, refere o porta-voz da OMS Tarik Jašarević. Ainda assim, diz ele, “estamos a levar este surto a sério porque esta doença é sempre séria”. O último surto do vírus, na África ocidental de 2014 a 2016, matou 11325 pessoas e mais de uma dúzia de surtos conhecidos na RDC foram menos severos.

Existem neste momento 12 candidatas a vacinas do ébola em desenvolvimento. Nenhuma está aprovada para comercialização, em parte porque as candidatas não estavam prontas para testes quando a crise anterior estava em pleno. Mas a 27 de abril, o grupo de aconselhamento da OMS sobre imunizações recomendou que uma vacina experimental chamada rVSV-SEBOV fosse aplicada prontamente caso surgisse um surto de ébola.

Desenvolvida pela Agência de Saúde Pública do Canadá e licenciada pelas farmacêuticas New Link Genetics e Merck, a rVSV-SEBOV revelou promessas num estudo publicado na revista Lancet em dezembro passado. O teste incluiu 11841 pessoas na Guiné em 2015, já perto do fim do surto de ébola na zona. Nenhuma das 5837 pessoas que receberam a vacina apanharam a doença nos dez dias após a vacinação mas houve 23 casos entre os milhares de outras pessoas  incluídas no teste.

A aplicação da rVSV-SEBOV pode vir a ser necessária na RDC pois a vacina baseia-se na estirpe de ébola do Zaire que é responsável pelo surto atual, diz Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos. Se as autoridades de saúde pública decidirem avançar há disponibilidade da rVSV-SEB: a GAVI, a Aliança das Vacinas, assinou um acordo com a Merck em 2016 para a compra de 300 mil doses da vacina para uso em surtos futuros.

Historicamente, no entanto, os surtos na RDC nunca se aproximaram da severidade da epidemia mais recente na África ocidental. O último surto de ébola na RDC foi na província de Bas-Uele, onde decorre o presente episódio, e matou 49 pessoas ao longo de 3 meses.

  Esta diferença de gravidade nos surtos deve-se, em parte, às infrastruturas e geografia da RDC: enquanto as pessoas, e os vírus que transportam, viajam fluidamente entre a Guiné, Serra Leoa e Libéria, as más estradas impedem esses movimentos em muitas partes da RDC. Isso significa que os surtos matam pessoas na zona mas acabam por desaparecer sem se espalhar muito do ponto de vista geográfico.

A RDC também beneficia do maior conhecimento sobre o ébola dos seus médicos e investigadores, que o acumularam ao longo dos anos. Jean-Jacques Muyembe-Tamfum, diretor do Instituto Nacional de Investigação Biomédica de Kinshasa, é bem conhecido entre os peritos no ébola por ter conseguido controlar o primeiro surto da RDC em 1976, bem como muitos outros depois disso. Ele trabalha para engajar as comunidades afetadas por um surto imediatamente, criando confiança nas equipas médicas e ajudando-as a compreender a importância de não tocar uns nos outros para evitar a propagação do vírus.

“Muyembe-Tamfum provavelmente já lá está", diz David Heymann, epidemiologista de doenças infecciosas na Faculdade de Higiene e Medicina Tropical de Londres. Ele recorda a forma como Muyembe-Tamfum ajudou a conter surtos anteriores dizendo aos chefes das aldeias que o ébola era um espírito maligno que passava de pessoa para pessoa quando se tocava nos infetaos: “Muyembe fala com as pessoas de uma forma que possam compreender rapidamente", diz ele, “faz o que considera ser eficaz e é eficaz."

 

 

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