2017-05-13

Subject: Humanos com cérebros pequenos existiam há menos tempo do que pensava

Humanos com cérebros pequenos existiam há menos tempo do que pensava

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@ Nature/John Hawks/Wits Univ.

Uma das primeiras espécies de humanos, com uma curiosa mistura de características modernas e arcaicas, viveu na África do Sul há apenas algumas centenas de milhares de anos, descobriram os investigadores. Baptizada Homo naledi, a espécie tinha um cérebro pequeno, do tamanho de um punho, semelhante ao de outras espécies de hominídeos que viveram milhões de anos antes mas também pode ter convivido com os ancestrais do Homo sapiens e, defendem os seus descobridores, pode mesmo ter fabricado ferramentas.

O H. naledi foi descoberto no sistema de grutas Rising Star na África do Sul em 2013, onde uma equipa liderada pelo paleoantropólogo Lee Berger, da Universidade de Witwatersrand em Joanesburgo, encontrou um enorme tesouro de ossos e dentes de humanos antigos. Agora, Berger e os seus colegas dizem ter datado esses vestígios de há 335 a 236 mil anos, e ter descoberto mais esqueletos desta espécie. As suas descobertas estão detalhadas em três artigos publicados na eLife.

A data é “espantosamente recente para uma espécie que revela características tão primitivas como as encontradas em fósseis com cerca de 2 milhões de anos", diz Chris Stringer, antropólogo do Museu de História Natural de Londres. O cérebro do H. naledi está muito perto da dimensão do dos primeiros membros do género Homo  e dos astrolopitecíneos, sendo apenas ligeiramente maior do de um chimpanzé. O seus dedos curvados e articulações dos ombros, tronco e ancas também parecem antigas, diz Stringer. “No entanto, os pulsos, mãos, pernas e pés são mais parecidos com os dos Neanderthal e humanos modernos, tal como os dentes relativamente pequenos e simples, implantados em mandíbulas ligeiras."

Quando Berger primeiro anunciou o H. naledi, em setembro de 2015, ainda não tinha datado os seus vestígios mas agora a sua equipa atribui-lhes uma data usando seis métodos, incluindo a comparação da razão de isótopos radioativos de urânio e tório e uma técnica conhecida por espectroscopia de ressonância paramagnética eletrónica, que mede alterações ao longo do tempo dos estados de energia dos eletrões nos cristais de esmalte dos dentes. A abordagem parece ser “muito boa” e os diferentes métodos são consistentes, refere Jean-Jacques Bahain, especialista em datação de fósseis no Departamento de Pré-história do Muesu Nacional de História Natural de Paris.

Apesar da morfologia do H. naledi parecer antiga, o contexto em que os fósseis foram encontrados e o seu grau de fossilização mostra que são relativamente jovens, diz Fred Spoor, anatomista evolutivo no University College de Londres. Depois da descoberta de espécie 'hobbit' conhecida por Homo floresiensis na Indonésia (um hominídeo com características aparentemente antigas mas que pode ser tão jovem como 50 mil anos) é um choque menor que “algo pareça tão antigo e seja tão jovem", diz ele.

Apesar da juventude, em termos evolutivos, dos fósseis de H. naledi, as suas características morfológicas sugerem que ainda poderão estar perto da origem do género Homo, diz Stringer, uma data que se pensa ser tão antiga como 2,8 milhões de anos.

  De acordo com Berger, a descoberta também sugere que é provável que o H. naledi tenha partilhado características cognitivas com os humanos modernos, como o fabrico e utilização de ferramentas. As suas mãos de aspeto moderno eram capazes de maipular ferramentas, diz ele. Apesar de não terem sido encontradas ferramentas de pedra junto do H. naledi, Berger defende que ferramentas de idade semelhante do sul de África podem ter sido feitas por este hominídeos e não pelos primeiros Homo sapiens, como assumido pela maioria dos arqueólogos.

Stringer é mais cauteloso: “É certamente provável que haja trabalho do H. naledi por aí, mas até que os seus fósseis sejam encontrados associados a ferramentas, não sabemos. Não me parece que devamos reescrever o registo arqueológico do sul de África já."

Berger também sugeriu que a descoberta do sistema Rising Star representa o enterro deliberado (ou funeral) mais antigo que se conhece na história humana. A mais recente descoberta de uma segunda câmara no sistema de cavernas com mais vestígios de H. naledi torna isso mais provável, diz ele mas Stringer duvida. “Apesar de não haver outra explicação satisfatória proposta para a deposição dos vestígios, muitos peritos, incluindo eu, consideram que um comportamento tão complexo como o enterro dos mortos pouco provável para um ser com o cérebro do tamanho do de um gorila, particularmente quando temos que juntar a isso a utilização controlada do fogo", diz ele.

A descoberta mostra de certeza que há muito a descobrir em África, que permanece largamente inexplorada, diz Stringer. Há cerca de 300 mil anos tínhamos provavelmente pelo menos três tipos de humanos no continente, incluindo os primeiros Homo sapiens e o H. naledi, “quem sabe o que mais pode andar por aí?".

 

 

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