2017-05-12

Subject: Mapas celulares revelam dados sobre como o sistema imunitário combate o cancro

Mapas celulares revelam dados sobre como o sistema imunitário combate o cancro

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@ Nature/Steve Gschmeissner/SPL

Mapas detalhados das células imunitárias que rodeiam tumores podem sugerir novos alvos terapêuticos, indicam marcadores biológicos que podem ser usados para selecionar que pacientes têm maior probabilidade de responder a uma dada terapia e dão pistas para o melhor momento para iniciar a administração do tratamento, de acordo com dois estudos agora conhecidos.

Os artigos, publicados na revista Cell, refletem o crescente reconhecimento por parte dos investigadores do cancro de que a resposta de um tumor a um tratamento é frequentemente conduzida pelas células na sua vizinhança, particularmente as células imunitárias que se amontoam na sua fronteira e invadem o seu núcleo.

A composição dessa população pode determinar o sucesso dos tratamentos de imunoterapia, que estimulam o sistema imunitário a lutar contra o cancro. Avanços na capacidade para caracterizar estas células com um detalhe sem precedentes estão a alimentar um esforço para as catalogar e aprender mais sobre a forma como ditam a progressão da doença.

“Estes artigos são realmente importantes”, diz Nick Haining, imunologista e oncologista no Instituto Dana–Farber do Cancro em Boston, Massachusetts. “Eles colocaram uma lança em África dizendo: está aqui a tecnologia que torna tudo possível e há muito mais a aprender do que se pensaria."

Uma das equipas, liderada pelo biólogo de sistemas Bernd Bodenmiller, da Universidade de Zurique, Suíça, mapeou a resposta imunitária a uma forma de cancro do rim conhecida por carcinoma renal de células claras. O estudo focou-se em dois tipos de células imunitárias, as células T e os macrófagos. Ambas são capazes de desencadear ou suprimir o ataque imunitário a um tumor, dependendo do estado em que se encontram e das proteínas que expressam.

Bodenmiller examinou amostras de 73 pessoas com cancro no rim, bem como cinco amostras de tecido saudável. Analisou 3,5 milhões de células relativamente à expressão de 29 proteínas usadas para caracterizar macrófagos e 23 para caracterizar as células T.

Os resultados mostraram que as populações dessas células T e desses macrófagos são mais variadas do que antes se pensava. A equipa também descobriu que pacientes com uma combinação particular de células T e macrófagos tendem a ter cancros de progresso rápido.

Os dados mostram que a prática corrente de procurar apenas uma ou duas proteínas para inferir o estado de uma célula T ou de um macrófago falha informação importante, diz Kai Wucherpfennig, imunologista no Instituto Dana–Farber. “É muito improvável que um único marcador seja suficiente", diz ele.

Outro estudo, liderado pela oncologista Miriam Merad, da Faculdade Icahn de Medicina em Mount Sinai, Nova Iorque, criou um atlas das células imunitárias associadas aos estágios iniciais do cancro do pulmão.

  A equipa comparou tecido pulmonar normal e tecido sanguíneo como tumor e descobriu que os tumores jovens começam logo a alterar as células imunitárias em seu redor.

Isso é um sinal de que as terapias contra o cancro que têm como alvo o sistema imunitário não precisam de ser reservadas para os estádios avançaos da doença, diz Merad: “SUgere que podemos agir logo, não temos que esperar que o tumor se propague."

Ambos os estudos são demasiado pequenos para alterar os tratamentos por si só, em última análise a sua importância está na tendência que podem desencadear, diz Haining. Ele compara-os aos primeiros artigos a relatar as sequências genómicas de tumores, um esforço que criou colaborações internacionais em larga escala.

Wucherpfennig salienta que o Dana–Farber, que já sequencia o genoma dos tumores dos seus pacientes, tenciona começar a traçar o perfil das células imunitárias dos seus tumores também. As análises, que devem começar nos próximos meses, será muito mais simples que os atlas detalhados atuais mas vão refletir o crescente respeito pela forma como a resposta imunitária de uma pessoa a um tumor afeta o seu prognóstico e deverá influenciar o tratamento que irá receber, di ele.

Haining espera que essa atitude se multiplique nos próximos anos: “Precisamos de centenas de pacientes com dúzias de tipos de tumores analisados ao nível de milhares de células imunitárias por amostra. É disso que precisamos para compreender a biologia de forma o simples contar cabeças deste ou daquele tipo de células imunitárias não fazia."

 

 

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