2017-04-30

Subject: Alterações climáticas aumentam florescimentos de algas

Alterações climáticas aumentam florescimentos de algas

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@ Nature/NASA

Os investigadores há muito que sugerem que as alterações climáticas podem significar mais danos causados por florescimentos de algas que podem estrangular os ecossistemas marinhos e devastar as economias costeiras. Agora, um estudo revela como a subida das temperaturas oceânicas já conduiram a uma intensificação dos florescimentos em redor da América do Norte, a primeira vez que esta ligação foi estabelecida à escala oceânica.

Os perigosos florescimentos de algas podem ocorrer quando as alterações nas condições das águas conduzem a um gigantesco crescimento no efetivo de um dada espécie de algas. Os florescimentos pode produir toxinas, tornar-se tão grandes que matem a vida marinha e até mudar a cor da água.

A investigação estabeleceu que um fator que ajuda os florescimentos a espalhar-se é o aumento súbito de nutrientes como o nitrogénio e o fósforo, frequentes nos fertilizantes agrícolas, e associou as temperaturas em ascensão a eventos individuais mas a influência mais genérica das alterações climáticas está menos bem quantificada.

Christopher Gobler, que estuda os ecossistemas costeiros na Universidade Stony Brook em Southampton, Nova Iorque, analisou a relação entre os florescimentos no Atlântico norte e Pacífico norte e as alterações de temperatura na região para investigar se os eventos estavam associados ao aquecimento oceânico.

Pesquisas anteriores já tinham estudado a influência das alterações climáticas sobre os florescimentos de algas em ecossistemas costeiros individuais, diz Gobler, mas esta foi a primeira vez que se avaliou tendências ao nível de bacias oceânicas inteiras.

Os investigadores analisaram duas espécies de algas, a Alexandrium fundyense e a Dinophysis acuminata. Estas espécies produzem toxinas que provocam doenças, por vezes fatais, nas pessoas que comem bivalves contaminados com elas. Usaram dados de temperaturas da superfície do mar para modelar as tendências nas taxas de crescimento das espécies de algas e os períodos em que os florescimentos ocorreram desde o início da década de 1980 ao século XXI.

Em dúzias de locais, o seu modelo sugere que podem ocorrer florescimentos onde nunca tinham acontecido. Os investigadores encontraram maiores taxas de crescimento potencial e estações de florescimento mais longas para ambas as espécies em muitas partes da costa atlântica até ao Alaska. Em alguns locais, descobriram que a estação de florescimento é cerca de um mês mais longa do que era em 1982.

A equipa usou o seu modelo para prever, em retrospetiva, que florescimentos perigosos podiam ter ocorrido nesse período de tempo e encontraram uma boa concordância com os eventos reais: “O que é diferente acerca deste estudo é que não se limitam a dizer 'mais quente é mau' e tentam fazer uma análise quantitativa rigorosa", diz Anna Michalak, que estuda alterações climáticas e qualidade da água no Instituto Carnegie de Ciência em Stanford, Califórnia.

  Gobler salienta que o oceano não aquece de forma uniforme, com algumas regiões a aquecer mais rapidamente do que a média e outras a arrefecer. Isto significa que os florescimentos surgirão em novas regiões e podem reduzir-se em locais onde ocorrem atualmente. Fatores para além da temperatura são claramente importantes, diz ele.

Michalak salienta que para eventos como secas e inundações importantes, os investigadores podem estimar o aumento da probabilidade de acontecerem em resultado das alterações climáticas mas há menos pesquisas sobre a relação entre a qualidade da água e as alterações climáticas: "Não temos ciência sobre a parte da qualidade da água”, diz ela, acrescentando que este artigo é um passo nessa direção.

A equipa de Michalak estudou um florescimento gigantesco em 2011 no lago Erie, um dos maiores de sempre nos Grandes Lagos. Eles associaram o evento a uma combinação de condições climatéricas e grandes descargas de nutrientes de origem agrícola no lago.

Essa interação de diferentes fatores é uma das razões porque nem todos estão preparados para dizer que as alterações climáticas conduirão necessariamente a mais florescimentos perigosos.

Mark Wells, que estuda florescimentos de algas perigosos na Universidade do Maine em Orono, salienta que a subida das temperaturas por si só nem sempre causará mais florescimentos. Em 2010 no golfo do Maine, diz ele, havia temperaturas da água muito elevadas e esperavam-se muitos florescimentos mas, na realidade, as temperaturas da água eram tão elevadas que as camadas de água do mar ficaram estratificadas, impedindo a mistura e transferência de nutrientes, e houve muito menos florescimentos do que se esperava.

 

 

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