2017-04-26

Subject: Árvore filogenética revela história escondida da diversidade canina

Árvore filogenética revela história escondida da diversidade canina

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@ Nature/Matt Cardy/Getty

Uma nova árvore filogenética dos cães com mais de 160 raças revela a história escondida do melhor amigo do Homem e chega mesmo a mostrar como o estudo do genoma canino pode ajudar a investigação de doenças humanas.

Num estudo agora publicado na revista Cell Reports, os cientistas examinaram os genomas de 1346 cães para criar uma dos mapas mais diversos produzidos até esta data das relações entre raças. O mapa mostra os tipos de cães que foram cruzados para criar as raças modernas e revela que cães criados para funções semelhantes, como os cães de trabalho e de pastor, não partilham necessariamente as mesmas origens.

A análise até indicia a existência de um tipo antigo de cão que pode ter ido para as Américas com os humanos milhares de anos antes de Colombo chegar ao Novo Mundo.

Este novo trabalho foi uma surpresa para donos e criadores que estão familiarizados com a forma como as raças estão agrupadas. “Seria de pensar que todos os cães de trabalho fossem relacionados mas não é assim", diz Heidi Parker, bióloga nos Institutos Nacionais de Saúde (NIH) em Bethesda, Maryland, e uma das autoras do estudo.

Quando os geneticistas tentaram mapear as linhagens de cães pastores no passado, não o conseguiram com rigor. Parker e Elaine Ostrander, também bióloga nos NIH e autora do estudo, refere que isto aconteceu por estes cães resultaram de reprodução seletiva muitas vezes, em muitos locais. “Pensando bem, faz sentido”, diz Ostrander. “As qualidades necessárias a um cão pastor de bisontes são diferentes das necessárias para cabras, ovelhas, etc."

A maioria das raças no estudo surgiu de grupos de cães com origem europeia e asiática mas os cães domésticos foram para o Novo Mundo há milhares de anos, quando os humanos atravessaram a ponte de terra de Bering. Estes cães do Novo Mundo desapareceram posteriormente quando os cães europeus e asiáticos chegaram às Américas. Os investigadores procuraram o legado genético destes caninos antigos no DNA das raças modernas mas encontraram muito pouco, até agora.

A forma como duas raças sul-americanas, o cão do Peru e o xoloitzcuintli, ficaram juntos na árvore filogenética sugerindo a Ostrander e Parker que partilham genes que não se encontram noutras raças. Parker pensa que esses genes podem ter vindo de cães presentes nas Américas antes da chegada de Colombo.

“Penso que a nossa visão da formação das raças modernas de cães tem sido historicamente unidimensional”, diz Bob Wayne, biólogo evolutivo na Universidade da Califórnia, Los Angeles. “Não considerámos que o processo tem um profundo legado histórico."

  Isso estende-se ao que foi provavelmente o primeiro período de domesticação dos canídeos nos tempos dos caçadores-recoletores. Ostrander e Parker pensam que as raças de cães sofreram dois grandes períodos de diversificação: há milhares de anos, quando os cães eram selecionados pelas suas capacidades e há algumas centenas de anos, quando foram selecionados pelas suas características físicas. “Nunca serias capaz de encontrar algo assim em vacas ou gatos", diz Wayne, “não fizemos este tipo de seleção intensa e deliberada com mais nenhum organismo, a não ser os cães."

Apesar deste estudo poder ajudar os investigadores a compreender melhor a história dos cães domésticos, há muitas razões práticas para a criação desta base de dados: uma é o facto de puder ajudar a diagnosticar doenças em cães domésticos e outra é poder ajudar no estudo de doenças humanas.

Os cães e os humanos sofrem de problemas semelhantes, como a epilepsia, por exemplo. Em humanos podem existir centenas de genes que influencias essas doenças mas, como as raças de cães estão relativamente isoladas geneticamente, cada raça pode transportar apenas um ou dois dos genes envolvidos na epilepsia, explica Ostrander: “Ao estudar os cães podemos estudar cada gene individualmente, é muito mais eficiente."

 

 

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