2017-04-25

Subject: Mineração ameaça local chinês de fósseis dos primeiros animais

Mineração ameaça local chinês de fósseis dos primeiros animais

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Os paleontólogos estão a lutar para salvar um local na China que contém fósseis de alguns dos primeiros animais de que há registo. Este mês conseguiram uma paragem temporária da mineração de fosfato, que já destruiu algumas camadas de fósseis.

O local ameaçado fa parte da formação geológica Doushantuo na região Weng’an da província de Guizhou, sul da China. É rico em minerais que preservam tecidos moles e estruturas celulares e ficou famoso no final da década de 1990, depois dos cientistas começarem a descobrir fósseis muito bem preservados de esponjas e embriões de outros animais invulgares de há cerca de 600 milhões de anos.

Estas descobertas desafiaram a teoria de que virtualmente todas as principais linhagens animais emergiram durante a explosão câmbrica, há 540 milhões de anos. Os fósseis microscópicos que se assumiu serem embriões foram escavados de Doushantuo têm, recentemente, desencadeado debates sobre a origem da simetria bilateral nos animais.

“Podemos nunca mais encontrar um local comparável e podemos perder a hipótese de compreender o início da evolução animal", diz Dave Bottjer, paleontólogo na Universidade do Sul da Califórnia, Los Angeles, que estima que apenas 5% dos fósseis do local tenham sido recuperados. “Se nada for feito será uma grande perda."

Numa visita a Doushantuo este mês, o paleontólogo Zhu Maoyan, do Instituto Nanjing de Geologia e Paleontologia ficou desolado por encontrar um novo local de escavações, aberto em 2015, completamente despido de sedimentos fossilíferos devido à mineração do fosfato. O local que produziu os primeiros fósseis da zona já tinha sido destruído há anos e uma terceira zona de caça aos fósseis, que originou a maioria dos novos fósseis encontrados na formação nos últimos 15 anos, ficou enterrado por um deslizamento de terras desencadeado pela mineração em 2014: “É um desastre completo", diz Zhu.

Os mineiros de fosfato já operavam em Doushantuo antes dos paleontólogos lá chegarem e, de certa forma, permitiram as descobertas ao revirar as rochas frescas, diz Andrew Knoll, paleontólogo na Universidade de Harvard, Cambridge, Massachusetts, que trabalhou na zona na década de 1990. “Mas se a mineração acelerou ao ponto de os leitos Weng’an serem completamente devastados em breve, os benefícios da exposição fresca vão à vida."

O ritmo da mineração aumentou dramaticamente ao longo dos últimos dois anos, diz Zhu. Ao longo das últimas duas décadas, ele e outros têm tentado convencer o governo local de que os locais precisam de proteção mas Zhu compreende agora que esses esforços, frequentemente prejudicados por falta de comunicação e um elevado ritmo de rotação dos funcionários governamentais, não foram suficientes.

  Zhu virou-se, por isso, para ação mais forte. Organizou um workshop, que decorreu a 2 e 3 de abril em Weng’an, e convidou cientistas, incluindo Bottjer, a argumentarem a favor da preservação do local. A coligação teve uma vitória inicial: vários dias depois do workshop, funcionários locais do governo ordenaram o encerramento da mina, enquanto de pensa numa estratégia. Zhu considera que as medidas deverão incluir a busca por novos locais de mineração. Eventualmente ele espera que uma zona central de fósseis, com 1,2 quilómetros quadrados, seja encerrada à mineração e considerada parque geológico nacional.

Uma solução que teve sucesso noutros locais foi ter os mineiros e os cientistas a trabalhar em sequência, diz Knoll. “Não seria difícil empregar um geólogo para minerar os principais leitos de fósseis, que não são muito espessos, e armazenar amostras, possivelmente toneladas delas, para pesquisa futura."

Mas a confusão pode ter criado outro problema, diz Shuhai Xiao, geobiólogo na Virginia Tech, em Blacksburg, que trabalhou em Doushantuo na década de 1990. Os apelos de Zhu podem ter chamado a atenção dos média chineses e, por isso, do mercado negro. “Até agora, o local não estava no radar nos vendedores de fósseis", diz ele, “mas isso pode mudar se houver procura para espécimes deste local.”

 

 

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