2017-04-23

Subject: Coligação global para lidar com doenças tropicais negligenciadas

Coligação global para lidar com doenças tropicais negligenciadas

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@ Nature/Maggie Steber/The Washington Post/Getty

Como médica na Tanzânia, Upendo Mwingira tem muito pouco a oferecer aos pacientes com elefantíase, uma doença incurável caracterizada por membros inchados e enrugados. “Quando entram na clínica cheiram mal porque têm as feridas a purgar e, como médica, o melhor que posso fazer é aceitar a sua situação", diz Mwingira, que dirige a negligenciada divisão de doenças tropicais do Ministério da Saúde tanzaniano em Dar es Salaam.

Mas os pacientes com esta doença têm-se tornado uma visão cada vez mais rara na sua clínica. Um esforço global para controlar a doença que resulta na elefantíase, a filaríase linfática,  levou a uma queda acentuada do número de casos não só na Tanzânia mas também em mais 18 países.

Outros sete países, incluindo o Camboja e o Sri Lanka, já eliminaram a doença no ano passado e a prevalência de outras doenças tropicais negligenciadas que afetam os mais pobres do mundo também têm vindo a cair mas os prestadores de cuidados de saúde não descansam sobre os louros. Ao mesmo tempo que celebram estas vitórias, encontram-se este semana em Genebra para aumentar os seus esforços para combater estas doenças.

Vão fazer planos para tratar as centenas de milhões de pessoas que ainda precisam e para arranjar formas de alcançar as comunidades distantes de serviços de saúde. Vários grupos também irão anunciar financiamento extra para o combate às doenças esquecidas: a Fundação Bill & Melinda Gates de Seattle, Washington, vai doar mais US$335 milhões para esta causa e o Departamento de Desenvolvimento Internacional do Reino Unido (DFID) vai contribuir com US$450 milhões.

As doenças tropicais negligenciadas afetam perto de mil milhões de pessoas em todo o mundo e matam cerca de 534 mil todos os anos, segundo o Centro americano de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC). No entanto, as companhias farmacêuticas e as agências científicas dos países ricos tendem a ignorá-las porque afetam de forma quase exclusiva os mais pobres do mundo.

A Fundação Gates tem dado a sua atenção à luta contra estas doenças desde 1999, quando percebeu que um investimento relativamente pequeno podia melhorar dramaticamente a vida de milhões de pessoas, refere o cofundador Bill Gates. Ele estima que um pacote de tratamento ou prevenção de várias doenças esquecidas custa cerca de 50 cêntimos por pessoa.

Gates considera que os sucessos mais recentes são o resultado das parcerias globais entre governos, companhias e organizações não governamentais, que se formaram na última década. Vários grupos, incluindo a Fundação Gates, a Agência de Desenvolvimento Internacional americana (USAID) e a DFID, assinaram um acordo global em 2012, a Declaração de Londres sobre Doenças Tropicais Negligenciadas, para eliminar ou reduzir a prevalência de 10 doenças esquecidas até 2020.

Cinco das doenças alvo, como a filaríase linfática e a lepra, podem ser prevenidas com medicamentos, enquanto o tratamento é a única opção para as outras cinco, onde se incluem a potencialmente mortal calazar(leishmaniose visceral) e a cegueira do rio.

As farmacêuticas têm estado a doar medicamentos para estas doenças há mais de uma década mas a falta de sistemas de distribuição fiáveis impede frequentemente as pessoas de os receber.

Desde 2006, a USAID tem tentado resolver esse problema, financiando organizações não governamentais que garantem que os funcionários comunitários em localizações remotas têm as ferramentas necessárias para tratar os doentes. Em resultado disso, mais de 1,6 mil milhões de tratamentos, com um valor de US$11,1 mil milhões, chegaram a 31 países.

  Mais de 300 milhões de pessoas que precisaram de tratamentos preventivos para pelo menos uma doença esquecida há cinco anos, agora já não precisam deles pois a transmissão dessas doenças abrandou dramaticamente, graças à distribuição em massa de medicamentos, de acordo com a Organização Mundial de Saúde. Os casos de doenças tratáveis também estão em queda: desde 2005, a calazar diminuiu 82% na Índia, Nepal e Bangladesh, e a doença do sono caiu 89% em África desde 2000.

Para eliminar completamente as dez doenças da Declaração de Londres, milhões de pessoas em todo o mundo continuam a precisar de tratamentos e curas. Os cientistas podem ajudar a acelerar o progresso tendo em consideração os desafios específicos dos locais onde as doenças negligenciadas surgem, diz David Molyneux, parasitólogo na Faculdade de Medicina Tropical de Liverpool, Reino Unido. Por exemplo, estratégias para treinar e pagar os prestadores de cuidados de saúde para detetar os primeiros sinais de infeção pode salvar mais vidas do que sequenciar o genoma dos parasitas que as causam.

Testes simples de deteção de várias doenças negligenciadas também podem ser vantajosos para muitos por todo o mundo, refere Tom Frieden, antigo diretor do CDC.

Todo este trabalho exige dinheiro, o que pode ser um problema se o congresso americano aprovar o pedido do presidente Donald Trump para reduzir o orçamento do departamento de estado e da USAID em 37%: “Qualquer quebra no financiamento nesta área vai levar a mais mortes e sofrimento", diz Gates.

No entanto, as parcerias formadas ao longo dos últimos cinco anos fornecem uma rede de segurança e o facto de as Nações Unidas terem escolhido o combate à pobreza como o seu primeiro Objetivo do Desenvolvimento Sustentável, uma lista de metas para o período 2016–30 criadas pelos líderes mundiais para melhorar o mundo, dá aos investigadores como Molyneux esperança: "Se não fizermos nada acerca destas doenças, as pessoas pobres vão continuar restritas à pobreza."

 

 

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