2017-04-20

Subject: Sangue humano jovem torna ratos mais espertos

Sangue humano jovem torna ratos mais espertos

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@ Nature/Simon Schluter/Fairfax Media via Getty Images

Uma proteína descoberta no plasma de sangue humano jovem pode melhorar as funções cerebrais de ratos velhos. A descoberta, publicada na revista Nature, corresponde à primeira vez que uma proteína humana mostrou ter este efeito e é também a mais recente evidência de as infusões de "sangue novo" podem reverter os sintomas do envelhecimento, incluindo perda de memória, perda de função muscular, óssea e metabólica.

Há décadas que os investigadores têm vindo a estudar os efeitos do sangue novo no envelhecimento em ratos, através de uma técnica conhecida por parabiose, em que um rato velho é cosido a um novo, de forma a partilharem um sistema circulatório.

Até agora, as propriedades rejuvenescedoras do sangue novo apenas tinham sido demonstradas em transferências de rato para rato. Ainda assim, o trabalho inspirou teste clínicos, ainda a decorrer, por parte de pelo menos duas companhias, em que idosos são infundidos com sangue de dadores adultos jovens e depois testados para melhorias físicas.

Um dos testes clínicos é patrocinado pela companhia onde o neurocientista Tony Wyss-Coray, da Universidade de Stanford, Califórnia, é presidente do conselho científico. Como parte do seu trabalho, ele e o seu colega neurocientista Joseph Castellano, começaram a testar plasma recolhido do cordão umbilical de recém-nascidos. O seu objetivo é descobrir como sangue muito novo pode afetar os sintomas de envelhecimento.

A infusão deste plasma humano nas veias de ratos idosos, descobriram eles, melhorou a capacidade dos animais para navegar labirintos e aprender a evitar áreas das suas gaiolas onde lhes são aplicados choques elétricos dolorosos.

Quando os investigadores dissecaram os cérebros dos animais, descobriram que as células do hipocampo (a região cerebral associada à aprendizagem e memória) expressavam genes que permitiam aos neurónios estabelecer mais ligações, o que não acontecia em ratos tratados com sangue de dadores humanos mais velhos.

Os investigadores compararam seguidamente uma placa de 66 proteínas encontradas no plasma do cordão umbilical com proteínas do plasma de pessoas idosas e com proteínas identificadas nas experiências de parabiose com ratos. Descobriram várias potenciais candidatas e injetaram-nas, uma de cada vez, nas veias de ratos velhos. Depois realizaram as experiências de memória com os animais.

Apenas uma dessas proteínas, a TIMP2, melhorou o desempenho dos animais, ainda que isso não resultasse em regeneração de células cerebrais, perdidas com o normal envelhecimento. As injeções de plasma humano do cordão umbilical sem TIMP2 não tiveram qualquer efeito na memória.

Os investigadores ainda não sabem de que forma a TIMP2, conhecida por estar envolvida na manutenção da estrutura de tecidos e células, exerce o seu efeito na memória pois apesar de ser expressa nos cérebros de ratos jovens, nunca foi associada à aprendizagem ou à memória. Wyss-Coray suspeita que a proteína funciona como um regulador principal de genes envolvidos no crescimento de células e vasos sanguíneos e que aumentar os seus níveis afetará muitas vias metabólicas simultaneamente.

  “Acho que é um artigo maravilhoso", diz Michal Schwartz, neuroimunologista  no Instituto Weizmann de Ciência de Rehovot, Israel. Ela está intrigada com o facto de os cientistas terem conseguido desencadear um efeito nos ratos, sem injetar plasma nos seus cérebros. Schwartz suspeita que a TIMP2 pode estar a alterar o sistema imunitário, ou o metabolismo, de formas que afetam o cérebro indiretamente.

Lee Rubin, investigador de células estaminais na Universidade de Harvard, Cambridge, Massachusetts, concorda. Em 2014, Rubin, que pertence ao mesmo conselho científico da companhia que Wyss-Coray, descobriu que o sangue de ratos jovens continha níveis elevados da proteína GDF11 e que injetá-la no corpo estimulava o crescimento de vasos sanguíneos no cérebro. Desde então, ele descobriu que a GDF11 nunca entra no cérebro e suspeita que a TIMP2 pode estar na mesma situação.

Determinar de que forma a TIMP2 influencia o cérebro é próxima prioridade, dizem Wyss-Coray e Castellano. Especialmente, Wyss-Coray quer saber se a proteína afeta especificamente o envelhecimento ou a saúde geral das células.

“É uma experiência caixa preta pois não sabem o que se passa", diz Philip Landfield, neurocientista na Universidade do Kentucky em Lexington. O aspeto mais prometedor, considera ele, é o potencial de transferência para uma terapia.

Infusões de plasma novo, recolhido de milhares de dadores, pode ser um potencial tratamento para doenças relacionadas com a idade, incluindo o Alzheimer. Pacientes idosos poderão um dia receber um cocktail de proteínas, como a GDF-11 e a TIMP2, ou medicamentos que imitem os seus efeitos. Mas o desenvolvimento desses medicamentos levará muito mais anos do que tratar os pacientes com um sérum, explica Wyss-Coray: “Este novo estudo é muito entusiasmante porque reforça a noção de que existem fatores únicos benéficos no sangue novo."

 

 

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