2017-04-19

Subject: Fígados num chip podem ajudar segurança alimentar

Fígados num chip podem ajudar segurança alimentar

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@ Nature/Emulate

A Administração Americana para a Alimentação e Medicamentos (FDA) começou a testar se os fígados num chip, modelos miniatura de órgãos humanos modificados para imitar funções biológicas, podem modelar de forma fiável as reações humanas a alimentos e doenças por eles causadas.

As experiências vão ajudar a agência a determinar se as companhias podem substituir dados de animais por dados de chips quando se candidatarem a aprovação de novos compostos, como aditivos alimentares, que se possam revelar tóxicos. É a primeira vez que uma agência reguladora, seja onde for no mundo, procura órgãos em chips como possível alternativa a testes em animais.

Suzanne Fitzpatrick, conselheira sénior para toxicologia na divisão de segurança alimentar da FDA, anunciou a decisão a 11 de Abril no blog da agência. Apesar dos chips terem sido concebidos para testar medicamentos, a divisão de Fitzpatrick quer usá-los para ver de que forma cada órgão processa produtos como suplementos alimentares e cosméticos.

Também vão ser capazes de testar de que forma agentes infecciosos presentes nos alimentos afetam órgãos específicos. Os cientistas de segurança alimentar da FDA vão primeiro avaliar o chip de fígado humano, antes de passarem a modelos de rins, pulmões e intestino.

Os chips são fabricados pela companhia de biotecnologia Emulate de Boston, Massachusetts. Os órgãos miniatura contêm vários tipos de células de fígado humanas cultivadas sobre uma estrutura e bombeiam continuamente um fluido semelhante a sangue através do sistema para transportar nutrientes e remover resíduos. A executiva-chefe da Emulate, Geraldine Hamilton, diz que também é possível acrescentar componentes do sistema imunitário ao chip para testar de que forma afetarão o metabolismo do fígado.

“Estou muito entusiasmada por ver que as pessoas estão a dispostas a testar esta nova tecnologia", diz Lawrence Vernetti, toxicólogo na Universidade de Pittsburgh, Pennsylvania, que está a desenvolver um tipo diferente de fígado num chip. Alguns aspetos do metabolismo animal são acentuadamente diferentes do humano: o chocolate, é tóxico para os cães. Apesar dos animais serem geralmente bons modelos para prever questões de toxicidade em humanos, diz ele, não são a toda a prova. Se o objetivo a longo prazo é reduzir o número de animais usado em testes, “temos que criar um sistema onde os reguladores científicos confiem nas respostas que daí surjam".

  Vernetti diz-se surpreso com a rapidez com que os reguladores iniciaram os testes com estes dispositivos mas considera a decisão atempada devido à crescente pressão pública para minimizar o uso de animais em investigação. Em 2013, por exemplo, a União Europeia proibiu a venda de cosméticos testados em animais: “Não podemos simplesmente deixar de testar este tipo de compostos, temos que ter uma alternativa", explica Vernetti. “Estes dispositivos humano num chip podem ser uma boa resposta."

O anúncio é uma vitória para os ativistas dos direitos dos animais: “Os animais não precisam de sofrer testes que os envenenam para melhorar a saúde dos humanos e estamos muito entusiasmados por a FDA ter tomado esta decisão", diz Kathy Guillermo, vice-presidente da organização Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais (PETA) em Norfolk, Virginia.

Ainda assim, levará algum tempo até que os órgãos num chip substituam completamente os testes em animais. Hamilton salienta que mesmo que o chip de fígado humano processe uma toxina sem incidentes, ainda podem surgir efeitos não previstos noutros órgãos, como o coração. Apesar de os investigadores estarem a trabalhar em formas de associar até dez chips, eliminar totalmente a investigação com animais "não está nas nossas perspetivas neste momento, há muito a fazer daqui até lá".

 

 

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