2017-04-12

Subject: Luz verde para tentativa desesperada de salvar o boto mais ameaçado

Luz verde para tentativa desesperada de salvar o boto mais ameaçado

Dificuldades em visualizar este e-mail? Consulte-o online!

@ Nature/Flip Nicklin/Minden Pictures/Getty Images

Um ambicioso esforço para salvar um pequeno boto chamado vaquita recebeu finalmente luz verde para avançar.

A vaquita Phocoena sinus vive apenas no golfo da Califórnia, onde restam apenas 30 exemplares. A 3 de Abril, o governo mexicano anunciou que contribuíria com US$3 milhões para o plano VaquitaCPR (conservação, proteção e recuperação) para as salvar. Outro US$1 milhão foi doado no mesmo dia pela Associação de Zoos e Aquários em Silver Spring, Maryland.

O projeto, que irá usar golfinhos especialmente treinados pela Marinha norte-americana para conduzir o máximo de vaquitas possível a cercados protegidos no seu habitat natural, também recebeu luz verde para iniciar da parte do governo mexicano.

Os fundos podem chegar demasiado tarde para que os trabalhos comecem no próximo momento adequado, em Maio. Depois disso, o golfo torna-se demasiado agreste mas os conservacionistas esperam começar assim que as condições melhorem em Outubro.

A população de vaquitas praticamente desapareceu ao longo das últimas duas décadas. O primeiro censo específico, de 1997, revelou 567 indivíduos no golfo mas em 2015 esse número estava reduido a apenas 59. A mais recente estimativa, de 2016, sugere que restem aproximadamente 30 vaquitas.

O alarmante declínio é largamente devido ao facto de os botos se afogarem nas redes de pesca colocadas para captuar o grande totoaba Totoaba macdonaldi. Por isso, em 2015, o governo mexicano proibiu o uso das redes de emalhar durante dois anos a troco de compensações aos pescadores.

Mas como a bexiga natatória do totoaba atinge dezenas de milhares de dólares no mercado negro chinês, a pesca continuou ao mesmo ritmo: “O preço é semelhante ao da droga", diz Lorenzo Rojas-Bracho, biólogo marinho conservacionista no Instituto Nacional de Ecologia e Alterações Climáticas em Ensenada, México, e presidente do Comité Internacional para a Recuperação da Vaquita (CIRVA). “Enquanto houver essa quantidade de dinehiro em jogo, haverá mercado."

Os conservacionistas temem que a vaquita partilhe o destino do golfinho do rio Yangtze ou baiji Lipotes vexillifer, cuja provável extinção foi descoberta por uma expedição em 2006. “Não antecipamos que iríamos fazer esse censo e não íamos encontrar um único baiji, não ouvir um único assobio", diz Barbara Taylor, bióloga conservacionista no Centro Científico de Pesca do Sudoeste da Administração Nacional para a Atmosfera e Oceanos em La Jolla, Califórnia, e membro do CIRVA. “Estou decidida a não repetir essa experiência com a vaquita.”

O primeiro desafio será localizar algumas vaquitas em mais de 2 mil quilómetros quadrados do golfo onde se sabe que vivem. Dados acústicos anteriores que seguiram os cliques de SONAR dos animais vão dar uma ideia da sua localização mas as vaquitas deslocam-se sozinhas ou aos pares e são difíceis de detetar.

  Também tendem a nadar para longe de veículos motorizads, razão porque dois golfinhos da Marinha americana treinados para ecolocalizar os botos foram recrutados. “Os golfinhos da Marinha podem segui-los facilmente e permitir-nos saber onde estão, para que a equipa de captura ter a melhor oportunidade de estar no local certo à hora certa", diz Taylor.

Uma vez detetadas, as vaquitas têm que ser capturadas de forma segura e transportadas para o cercado de destino, a norte de San Felipe, na costa oeste do golfo.

Estão a ser testados vários tipos de cercados. Os primeiros terão até 10 metros de diâmetro e até 3 metros de profundidade e manterão as vaquitas longe das redes de emalhar, diz Rojas-Bracho. Se os planos tiverem sucesso, uma instalação mais permanente será construída, onde os cientistas esperam que as vaquitas se ajustem bem e cheguem a reproduzir-se.

Este tipo de operação arrojada já funcionou anteriormente: os últimos 27 condores da Califórnia Gymnogyps californianus foram levados para cativeiro na década de 1980 e o seu número cresceu o suficiente para alguns condores nascidos em cativeiro serem libertados na natureza.

A equipa da vaquita espera aprender com estas experiências mas há muitas incertezas: “Nunca ninguém tentou capturar vaquitas para as manter vivas”, diz Randall Wells, da Sociedade Zoológica de Chicago no Illinois e membro do consórcio VaquitaCPR. “Há muito aqui a ser feito pela primeira vez, é tudo de alto risco."

Também outros, fora do projeto, têm esperança. David Wildt, do Instituto Smithsonian de Biologia da Conservação em Washington DC, pensa que o resgate pode funcionar, "pode ser um enorme desafio mas não há nada a perder e muito a ganhar".

 

 

Saber mais:

Efectivo de boto ameaçado cai para apenas 250

Gripe suína coloca botos no limiar da extinção

Boto ameaçado pode estar em pior estado do que se pensava

Revelado terrível impacto das redes de pesca sobre aves marinhas

Boto-do-Índico no limiar da extinção

Biodiversidade: longe da vista, longe do coração

 

 

Facebook simbiotica.orgTwitter simbiotica.orgPinterest simbiotica.orgInstagram simbiotica.orgYouTube simbiotica.org

 

Arquivo  |  Partilhar Comentar |   Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  Subscrever | @ simbiotica.org, 2017


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com