2017-04-08

Subject: Fezes jovens fazem peixes viver mais tempo

Fezes jovens fazem peixes viver mais tempo

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@ Nature/Frank Vinken for Max Planck Society

Pode não ser a forma mais apetitosa de prolongar a vida mas os investigadores mostraram pela primeira vez que peixes mais velhos vivem mais tempo se consumirem microrganismos presentes nas fezes de peixes mais novos. As descobertas foram publicadas no servidor bioRxiv.org por Dario Valenzano, geneticista no Insituto Max Planck de Biologia do Envelhecimento em Colónia, Alemanha.

As chamadas experiências com sangue novo, que juntam os sistemas circulatórios de dois ratos (um novo e outro velho), descobriram que fatores que circulam no sangue dos jovens roedores podem melhorar a saúde e a longevidade dos animais mais velhos mas este novo estudo examinou os efeitos do transplante de microrganismos intestinais sobre a longevidade.

“O artigo é espantoso, muito bem feito", diz Heinrich Jasper, biólogo do desenvolvimento e geneticista no Instituto de Investigação do Envelhecimento em Novato, Califórnia, que antecipa que os cientistas testarão se o mesmo poderá acontecer com outros animais.

A vida é fugaz para um killifish, um dos vertebrados com vida mais curta do planeta: os peixes atingem a maturidade sexual com 3 semanas de idade e morrem ao fim de alguns meses. O killifish turquesa Nothobranchius furzeri que Valenzano estudou em laboratório habita lagos temporários que se formam durante a estação das chuvas em Moçambique e no Zimbabwe.

Estudos anteriores indiciaram a existência de uma ligação entre o microbioma e o envelhecimento num leque de animais: à medida que envelhecem humanos e ratos tendem a perder diversidade nos seus microbiomas, desenvolvendo uma comunidade de microrganismos intestinais mais uniforme em que espécies patogénicas antes raras atingem a dominância nos indivíduos mais velhos.

O mesmo padrão é verdadeiro para os killifish, cujo microbioma intestinal na juventude é quase tão diverso como o humano e dos ratos, diz Valenzano: “Podemos mesmo perceber se um peixe é jovem ou velho com base nos microrganismos do seu intesttino."

Para testar se as alterações no microbioma têm um papel no envelhecimento, a equipa de Valenzano transplantou os microrganismos intestinais de killifish com 6 semanas de idade para peixes de 'meia-idade' com 9,5 semanas de idade. Primeiro trataram os peixes de meia-idade com antibióticos para eliminar a sua flora intestinal e depois colocaram-nos num aquário estéril com o conteúdo intestinal de peixes jovens durante 12 horas. Os killifish geralmente não comem fezes, salienta Valenzano, mas ao tentar perceber se seriam elas seriam alimento acabariam por ingerir os microrganismos.

Os microrganismos transplantados colonizaram com sucesso os intestinos dos peixes mais velhos e, com 16 semanas de idade, os microbiomas intestinais desses peixes ainda se assemelhavam aos dos peixes com 6 semanas de idade.

O transplante do microbioma jovem também teve efeitos dramáticos na longevidade dos peixes mais velhos: a sua esperança média de vida foi 41% maior do que a de peixes expostos a microrganismos de peixes de meia-idade e 37% maior do que peixes que não receberam tratamento. Note-se que os antibióticos, por si só, também tinham prolongado a esperança de vida, ainda que em menor grau.

  Com 16 semanas de idade, idade avançada pelos standards de vida dos killifish, os peixes que receberam microrganismos intestinais de peixes jovens 'corriam' pelos seus tanques mais frequentemente do que outros peixes idosos, mantendo os níveis de atividade de peixes com 6 semanas de idade. Pelo contrário, os micorganismos de peixes mais velhos não tiveram qualquer influência na esperança de vida de peixes jovens, relata Valenzano.

Exatamente de que forma os microrganismos influenciam a esperança de vida é pouco clara, diz Valenzano. Uma possibilidade é que o sistema imunitário se desgaste com a idade, permitindo que microrganismos  patogénicos ultrapassem bactérias mais benéficas. Um transplante de microbioma pode, nesse caso, reiniciar o microbioma de um peixe de meia-idade. Os componentes de um microbioma mais jovem também poderá promover a longevidade ao influenciar o funcionamento do próprio sistema imunitário, explica Valenzano.

“O desafio de todas estas experiências será dissecar o mecanismo", diz Jasper. “Deduzo que seja muito complexo." O seu laboratório está a testar trocas de microbiomas entre moscas-da-fruta com diferentes idades para testar o impacto sobre a sua esperança de vida.

Robert Beiko, bioinormático que estuda as comunidades microbianas na Universidade Dalhousie em Halifax, Canadá, espera obter financiamento para ver se as trocas de microbiomas influenciam o envelhecimento em ratos. Ele questiona-se se o próprio microbioma  de um indivíduo, amostrado e preservado em jovem, pode prolongar a sua esperança de vida quando reintroduzido posteriomente.

Em humanos, os transplantes fecais podem ajudar a tratar infeções recorrentes mas Valenzano considera que é demasiado cedo para considerar este tipo de procedimento para prolongar a vida, "são apenas as primeiras evidências de que isto pode ter um potencial efeito positivo".

 

 

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