2017-04-05

Subject: Medicamentos promissores podem acelerar tumores em alguns pacientes

Medicamentos promissores podem acelerar tumores em alguns pacientes

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Os poderosos medicamentos que estimulam o sistema imunitário prometem dizimar o cancro em alguns pacientes com a doença em estado avançado mas dois estudos recentes sugerem que as terapias, conhecidas por inibidoras PD-1, podem sair pela culatra em alguns pacientes, acelerando a propagação do cancro e agora os cientistas querem saber porquê.

Os últimos estudos são demasiado pequenos para justificar uma alteração na forma como os médicos tratam os pacientes mas a pesquisa desencadeou apelos à realização de testes clínicos maiores que explorem a forma como medicamentos de imunoterapia destinados a atacar tumores acabem por os estimular.

"Com este números reduzidos ficamos sempre inseguros”, diz Elad Sharon, investigador do cancro no Instituto Nacional do Cancro em Bethesda, Maryland. O que é preciso, diz ele, são estudos maiores que disponibilizem imagens dos tumores para análise por cientistas não envolvidos. "Provavelmente devíamos ter análises com outros ramos da medicina que estudam o sistema imunitário."

Ao longo dos últimos cinco anos as imunoterapias revolucionaram o tratamento de alguns cancros teimosos. Apesar de alguns dos tratamentos terem revelado graves efeitos secundários, os efeitos indesejados dos inibidores PD-1 são relativamente suaves quando comparados com os de muitos outros medicamentos para o cancro.

Isso levou a que alguns médicos desses inibidores PD-1 a pacientes que já tinham tentado todos os outros tratamentos, mesmo sabendo que a imunoterapia não tinha ainda comprovado a sua eficiência na sua doença, diz a médica e investigadora do cancro Razelle Kurzrock, da Universidade da Califórnia, San Diego. “Mesmo que haja uma hipótese mínima de resposta, a resposta pode ser tão boa, por isso desenvolvemos uma atitude de 'vamos tentar e logo se vê'."

Mas um dia Kurzrock comparou notas com um colega e descobriu que cada um deles tinha um doente cujo tumor tinha desenvolvido invulgarmente rápido durante o tratamento com inibidores PD-1. Notaram que os pacientes partilhavam uma mutação genética rara, cópias extra dos genes MDM2 ou MDM4, aceleradores de tumores.

Kurzrock começou a recolher informação informal sobre doentes, e até ratos de laboratório, cujos tumores tinham avançado rapidamente depois do tratamento com imunoterapia, o que a deixou muito nervosa.

Entretanto, investigadores do Instituto Gustave Roussy de Villejuif, França, encontraram o mesmo problema. Charles Ferté, oncologista no instituto, esteve presente num encontro em que vários médicos relataram respostas bizarras aos tratamentos PD-1: “Alguns colegas diziam ter tratado doentes com cancro do pulmão e o tumor tinha completamente explodido em duas semanas", recorda ele.

Ferté decidiu lançar um estudo sistemático do crescimento dos tumores nos seus pacientes. Em Novembro último publicou os seus resultados: dos 131 pacientes que receberam terapias anti-PD-1, 9% desenvolveram o que os investigadores chamaram “doença hiperprogressiva", com crescimento acelerado dos tumores. O fenómeno pareceu ser mais comum em pessoas com mais de 65 anos.

  Em Março Kurzrock publicou os seus dados de 155 pessoas tratadas com inibidores PD-1 e outras imunoterapias. Seis das pessoas possuíam cópias extra dos genes MDM2 ou MDM4 e 10 tinham mutações no gene EGFR, também associado ao cancro. A equipa não observou correlação entre a idade e a doença hiperprogressiva mas observaram que os tumores cresciam mais rapidamente nos pacientes com as mutações nos genes MDM2 ou MDM4 e em duas das pessoas com mutação no EGFR.

Ambas as equipas ainda estão a tentar perceber de que a forma a imunoterapia se pode voltar contra os doentes de cancro mas Kurzrock especula que os medicamentos podem estar a libertar proteínas fatores de crescimento, que estimulam alguns tumores. Sharon, que não esteve envolvido em nenhum dos estudos, pensa que as pistas podem ser obtidas a partir das pesquisas sobre os efeitos das proteínas PD-1 nas doenças infecciosas. Os primeiros estudos revelaram que bloquear essas proteínas pode estimular respostas imunitárias contra alguns vírus mas suprimiu respostas contra micobactéria da tuberculose.

Para já, Sharon considera que ainda não há evidências suficientes de que o rápido crescimento tumoral esteja associado à imunoterapia. As medidas que Ferte usou para estudar o crescimento tumoral não foram ainda testadas para uso em estudos clínicos: "Isto pode estar a acontecer com outros medicamentos e ainda não o procurámos?"

Ferté concorda que as evidências contra a imunoterapia não são suficientemente fortes para originar alterações drásticas na forma como os pacientes são tratados, "eu continuaria a receitá-la a doentes mais velhos mas estaria muito atento".

 

 

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