2017-03-22

Subject: Jardim zoológico híbrido

Jardim zoológico híbrido

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@ Nature/Wu et al./Cell

Os cientistas publicaram o primeiro relato revisto por pares para a criação de fetos híbridos porco-humano, mais um passo em direção à criação de animais com órgãos adequados a transplante para humanos.

A equipa que produziu estas quimeras também relata a criação de híbridos rato-ratazana e vaca-humano na revista Cell. Estes animais modificados podem dar aos investigadores novos modelos de teste de medicamentos e formas de melhor compreender o desenvolvimento humano inicial.

Para criar as quimeras, os cientistas injetaram células estaminais pluripotentes de uma espécie num embrião de uma segunda espécie. Em teoria, as células estranhas deveriam diferenciar-se e espalhar-se através do corpo em desenvolvimento mas, na prática, a produção de embriões híbridos viáveis tem sido difícil.

Para contornar este problema, uma equipa liderada pelo biólogo do desenvolvimento Juan Carlos Izpisua Belmonte, do Instituto Salk de Estudos Biológicos em La Jolla, Califórnia, usou a tecnologia CRISPR para criar embriões de rato sem os genes que conduzem a formação dos órgãos. Seguidamente injetaram células estaminais de ratazana em embriões de rato e implantaram-nos em úteros de rato.

Como as células de ratazana ainda continham os genes para a formação de órgãos, as quimeras resultantes tinham órgãos compostos essencialmente por células de ratazana. Os animais viveram até 2 anos, o habitual para um rato.

Seguidamente, os investigadores tentaram hibridar dois espécies distantes evolutivamente: humanos e porcos. A equipa injetou mais de 1400 embriões de porco com um de 3 tipos de célula estaminal pluripotentes induzidas humanas, células normais, células preparadas para se desenvolverem em tecidos ou células intermédias entre estas duas. Todas as células humanas tinham sido modificadas para produzir uma proteína fluorescente de modo a que pudessem ser identificadas nas quimeras criadas.

Os cientistas permitiram que as quimeras porco-humano se desenvolvessem durante 3 ou 4 semanas antes de as destruir, de acordo com as regras éticas. As quimeras injetadas com células estaminais intermédias foram as que continham a maior proporção de células humanas, sugerindo que as tentativas anteriores para as criar podem ter falhado por usarem células estaminais na fase errada do desenvolvimento.

  Ainda assim, apenas cerca de uma em 100 mil células das quimeras porco-humana, na melhor das hipóteses, era humana, diz o coautor do estudo Jun Wu, biólogo no Instituto Salk.

Hiromitsu Nakauchi, investigador de células estaminais na Universidade de Stanford, Califórnia, considera que o número reduzido de células humanas nas quimeras porco-humano significa que os híbridos estão muito longe de ter alguma utilidade, como serem dadores de órgãos: “É uma boa tentativa mas os resultados parecem mais negativos que positivos."

O grupo de Nakauchi está a usar um método semelhante para criar quimeras ovelha-humano, em parte por suspeitar que os embriões de ovelha sejam mais capazes de receber as células humanas que os dos porcos. Mas Wu considera que os porcos serão melhores dadores de órgãos devido ao seu tamanho.

Os investigadores estão a seguir uma série de estratégias para tornar os porcos em dadores de órgãos humanos, como a utilização da CRISPR para desativar proteínas de porco que provoquem respostas imunitárias em primatas. A vantagem das quimeras, segundo Izpisua Belmonte, é que os investigadores poderão, um dia, usar as células do paciente para criar uma quimera de porco com um órgão humano específico.

 

 

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