2017-03-21

Subject: Matar animais selvagens de forma mais humana a favor da conservação

Matar animais selvagens de forma mais humana a favor da conservação

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@ Nature/Getty Images

Todos os anos profissionais treinados matam milhões de animais selvagens em nome da conservação, segurança humana e proteção da agricultura e de infra-estruturas. Os controladores de pragas comerciais, funcionários governamentais e conservacionistas capturam castores, envenenam gatos, atiram sobre lobos e gaseiam coelhos com diferentes níveis de supervisão ética. Agora, peritos em bem-estar animal e conservacionistas estão a tentar garantir que estes animais têm a mesma consideração que os animais de estimação e até aos animais de laboratório que são mortos.

As pessoas usam métodos como gás de dióxido de carbono, afogamento e venenos dolorosos para matar animais não nativos diz Sara Dubois, cientista-chefe da Sociedade para a Prevenção da Crueldade contra Animais da Colúmbia Britânica em Vancouver, Canadá. Ela considera estes métodos inumanos mas ninguém pestaneja com isso pois estes animais são considerados pragas.

Dubois é a autora principal de um conjunto de diretrizes publicadas pela revista Conservation Biology. Os autores, um grupo de peritos em bem-estar animal, conservacionistas e investigadores governamentais de todo o mundo, espera que os princípios se tornem um modelo para a revisão ética de projetos que incluam a morte de animais e resultam de um workshop em Vancouver em 2015.

O documento incorpora as últimas descobertas em ciência do bem-estar animal, que tentam quantificar a dor e o sofrimento que os animais experienciam em diferentes situações, incluindo quando são mortos. Refere que ações de controlo apenas devem ser desencadeadas se apoiarem um objetivo claro, importante e alcançável. Para além disso, só porque um animal não é nativo ou é considerado vadio ou uma praga, isso não é, por si só, razão suficiente para nos livrarmos dele.

Os princípios são corretos, diz Bruce Warburton, da Landcare Research de Lincoln, Nova Zelândia. Ele não esteve envolvido na criação das diretrizes mas estudou os impactos no bem-estar animal do controlo de pragas durante 20 anos. Warburton acrescenta que os princípios iriam reduzir o número de ferramentas disponíveis para o controlo de animais e, pelo menos inicialmente, aumentariam os custos.

Matt Heydon, perito na proteção de espécies na Natural England de York, Reino Unido, diz que os princípios tendem a favorecer o bem-estar animal um pouco mais do que os que a sua organização usa mas são essencialmente o mesmo: “Abordámos a questão com uma enfase ligeiramente maior na biodiversidade, apesar de os bem-estar animal ser muito importante para nós."

A divisão dos Serviços da Vida Selvagem do Departamento americano de Agricultura mata milhões de animais todos os anos para proteger a agricultura e para lidar com outro tipo de conflito entre Homem e animal. Um seu porta-voz salienta que já seguem “diretrizes de eutanásia da Associação Americana de Medicina Veterinária, sempre que sejam praticáveis", tal como o Departamento Australiano do Ambiente e Energia.

  Nenhum conjunto de diretrizes pode fornecer respostas fáceis às perguntas mais difíceis. O cusu-de-orelhas-grandes Trichosurus vulpecula é uma espécie nativa da Austrália que é considerada uma praga invasora na Nova Zelândia. É frequentemente morto com anticoagulantes, que são dos piores venenos em termos de bem-estar, diz Ngaio Beausoleil, investigadora de bem-estar animal na Universidade Massey em Palmerston North, Nova Zelândia e uma das autoras do artigo.

Animais que ingerem anticoagulantes sangram até à morte ao longo de dias ou semanas mas o veneno é mais seguro para animais de estimação e crianças por levar tanto tempo a matar. Se uma criança ingerir acidentalmente o isco envenenado ainda há tempo para a levar ao hospital e administrar um antídoto. Com venenos mais rápidos e mais humanos, como a cianeto, se um animal de estimação o ingerir provavelmente morre antes de se puder fazer alguma coisa. Uma terceira opção, considera Beausoleil, é reavaliar a necessidade de matar os cusus.

A Island Conservation de Santa Cruz, Califórnia, também utiliza anticoagulantes para erradicar roedores de modo a salvar aves marinhas ameaçadas e outras espécies insulares vulneráveis, diz Gregg Howald, diretor regional da organização para a América do Norte e um dos autores do artigo.

No entanto, a organização está a trabalhar ativamente na substituição ou refinamento do seu método no quadro de uma abordagem mais humana. As novas diretrizes são um apelo aos inovadores de todo o mundo, diz ele, “Tragam-nos alguma coisa para trabalharmos, seremos os primeiros a adotá-la".

 

 

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