2017-03-19

Subject: A bactéria multirresistente que mais ameaça a nossa saúde

A bactéria multirresistente que mais ameaça a nossa saúde

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@ Nature/CDC/Science Photo Library

A Organização Mundial de Saúde (OMS) publicou pela primeira vez uma lista das bactérias multirresistentes que são as maiores ameaças à saúde humana, para as quais são desesperadamente necessários antibióticos.

O objetivo da agência ao listas estes agentes patogénicos prioritários é dirigir financiamento para o desenvolvimento dos antimicrobianos mais cruciais. Os investigadores dizem que a lista é um lembrete útil dos perigos das bactérias que se estão a tornar resistentes aos antibióticos.

A lista inclui 12 bactérias ou famílias de bactérias e é encimada pela Acinetobacter baumannii resistente ao carbapenem. Esta bactéria obscura provoca uma grave infeção, para a qual praticamente não existem tratamentos, e afeta principalmente pessoas já muito doentes. É resistente ao carbapenem, um antibiótico de último recurso usado apenas quando todos os outros tratamentos falham. A lista também inclui bactérias bem conhecidas, como as que causam a pneumonia ou a gonorreia.

A resistência aos antibióticos mata cerca de 700 mil pessoas por ano em todo o mundo e alguns peritos prevêem que que esse número atinja os 10 milhões em 2050 se não forem feitos esforços para bloquear a resistência ou para desenvolver novos antibióticos. Apesar da necessidade urgente desses medicamentos, o antes robusto abastecimento de antibióticos pouco produz hoje em dia. Em Setembro de 2016, cerca de 40 novos antibióticos estavam em desenvolvimento clínico para o mercado americano mas havia centenas de medicamentos para o cancro.

Muitas farmacêuticas consideram os antibióticos uma aposta perdedora: “A maioria das infeções continuam a ser sensíveis aos medicamentos existentes", explica Allan Coukell, que supervisiona uma iniciativa sobre resistência aos antibióticos no Pew Charitable Trusts em Washington DC. “Se tens um novo antibiótico queres tê-lo de reserva para essas infeções resistentes”, o que significa que o mercado para novos antibióticos é pequeno e pode não compensar os custos do seu desenvolvimento.

Para criar a lista, uma pequena equipa composta por peritos da OMS e investigadores da Divisão de Doenças Infecciosas da Universidade de Tübingen, Alemanha, usou catálogos já existentes como ponto de partida, incluindo uma lista de 2013 do Centro Americano de Controlo de Doenças e Prevenção e a sua versão canadiana de 2016. A equipa considerou fatores como a taxa de mortalidade causada pelos microrganismos, bem como o seu nível de resistência e a facilidade de propagação.

Excluíram microrganismos que podem ser controlados eficazmente através de outro tipo de medida, como melhorias sanitárias ou vacinação. Isso deu-lhes uma lista de 20 bactérias de 12 famílias. Para as ordenar, a equipa entregou dados sobre cada uma (sem indicar o seus nomes) a 70 peritos de todo o mundo, num esforço para evitar opiniões tendenciosas.

  Coukell diz que a lista da OMS é útil mas não significa que as farmacêuticas comecem pelo topo e vão descendo. O desenvolvimento de antibióticos coloca desafios científicos e económicos e, em termos da descoberta de medicamentos, “a maçã mais baixa já foi colhida", diz Brad Spellberg, especialista em doenças infecciosas na Faculdade Keck de Medicina da Universidade do Sul da Califórnia, Los Angeles.

As bactérias Gram-negativas, que ocupam os três primeiros lugares na lista da OMS, representam um desafio especialmente difícil. Estes microrganismos têm uma membrana celular dupla, o que dificulta a entrada de medicamentos em concentrações suficientemente elevadas para as matar. É preciso perceber como os compostos podem ultrapassar essa barreira, diz Kim Lewis, bioquímica na Universidade Northeastern em Boston, Massachusetts.

Do lado financeiro, várias novas iniciativas estão a tentar tornar o desenvolvimento de antibióticos mais apelativo. A Ata Curas para o Século XXI, assinada nos Estados Unidos em Dezembro de 2016, inclui uma via mais agilizada para a aprovação de antibióticos que tratem infeções mortais. Também foi lançada a parceria publico-privada CARB-X, financiada pelos Estados Unidos e pelo Reino Unido com o obbjetivo de estimular o desenvolvimento pré-clínico de novos antibióticos.

Este tipo de incentivo pode estimular atividade mas Michael Gilmore, diretor do Instituto de Doenças Infecciosas da Faculdade de Medicina de Harvard em Boston, está preocupado com o facto de um sistema conduzido pelo lucro esteja condenado a falhar: “O ponto é que o modelo económico não funciona."

 

 

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